Economia

Dólar passa de R$ 2,30 e fecha no maior valor em quatro anos

Ministro da Fazenda disse que ainda não sabe avaliar se houve mudança definitiva de patamar do câmbio

A cotação do dólar comercial rompeu a barreira dos R$ 2,30 nesta quinta-feira. Ao termino do pregão, a moeda americana fechou a R$ 2,3030, com alta de 1,10%. Apenas neste ano, a desvalorização do real já é de quase 13%.

Trata-se do maior patamar desde 31 de março de 2009, quando encerrou a R$ 2,3180. Desde aquele mês o dólar não fechava acima dos R$ 2,30. Na quarta, o BC chegou a fazer três leilões de swap cambial para conter a variação do câmbio. Um dia depois, apenas monitorou a movimentação. A variação do dólar parece estar em sintonia com o cenário global.

A alta do dólar reflete a recuperação da economia dos Estados Unidos. Pela manhã, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o número de trabalhadores que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego caiu em 19 mil, para 326 mil na semana até 27 de julho, no nível mais baixo desde 2008.

Já o índice de atividade industrial medido pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês) subiu para 55,4 em julho, o maior nível desde junho de 2011. As notícias positivas reforçam a percepção de que o programa de estímulos do Fed começará a ser desmontado em um futuro próximo - a despeito de a data ainda ser uma incógnita.

No Brasil, os dados da balança comercial divulgados à tarde também vieram no sentido de um fortalecimento da moeda americana. A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 1,897 bilhão em julho, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações alcançaram US$ 20,807 bilhões em julho, com média diária de US$ 904,7 milhões, enquanto as importações totalizaram US$ 22,704 bilhões, com média diária de US$ 987,1 milhões. Em julho de 2012, houve superávit de US$ 2,866 bilhões.

Neste cenário, a pressão de alta para o dólar ante o real também se intensificou no final da tarde, com investidores testando a disposição do BC em entrar no mercado, o que, no fim, não ocorreu. Na máxima da sessão, às 16h07, a moeda atingiu R$ 2,3050 (+1,19%). Da mínima vista mais cedo para esta máxima, a moeda oscilou +1,59%. No mercado à vista, que permanece aberto até as 18 horas, o dólar para setembro subia 1,07% às 17h05, para R$ 2,3170.

O dólar fechou acima de R$ 2,30, um patamar que, segundo profissionais ouvidos pelo Broadcast, é preocupante para a inflação. Mesmo assim, durante entrevista coletiva à tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que ainda não sabe avaliar se houve uma mudança definitiva de patamar do câmbio. "Há um mês e meio o dólar está acima do patamar anterior, mas não sei se vai voltar ao nível anterior'', afirmou.

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