Economia

Dólar recua a R$ 3,20 e bolsa sobe 1,14% nesta quarta-feira

É o menor valor desde do dia 22 de agosto

Dólar recua a R$ 3,20 e bolsa sobe 1,14% nesta quarta-feira
Dólar recua a R$ 3,20 e bolsa sobe 1,14% nesta quarta-feira Foto : Mark Wilson / AFP / CP Memória
A leitura no mercado de câmbio de que o ritmo de aperto nos Estados Unidos deve ser mais gradual que o esperado anteriormente abriu caminho para o dólar recuar ao nível R$ 3,20 no mercado à vista nesta quarta-feira. Em meio a preocupações com possíveis apertos monetários, os investidores também viram com alívio a manutenção do pacote de estímulo do Banco do Japão (BoJ), que também ajustou suas ferramentas monetárias para dar mais dinamismo à economia local.

No segmento à vista, o dólar fechou cotado aos R$ 3,2072 (-1,71%), não muito longe da mínima de R$ 3,2057 (-1,76%), menor desde o dia 22 de agosto de 2016, quando encerrou em R$ 3,2013. Na máxima, a divisa chegou aos R$ 3,2493 (-0,42%). De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 1,194 bilhão. Já no mercado futuro, o contrato de dólar para outubro encerrou aos R$ 3,2130 (-1,64%), na mínima, enquanto a máxima tocou R$ 3,2580 (-0,84%). O giro no futuro chegou a US$ 14,509 bilhões.

As mínimas do dólar frente ao real, registradas no final da tarde, se alinharam com o movimento global, desencadeado pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). A manutenção de juros, entre 0,25% e 0,50%, era aguardada por grande parte do mercado, mas uma ação hoje não era descartada, o que gerou cautela nas mesas de operação pelo mundo até o anúncio do BC dos Estados Unidos.

Agora, as atenções se concentram numa possível alta de juros em dezembro. A maioria dos dirigentes do Fed prevê três avanços nos juros até o fim de 2017, sendo um em 2016, frente as projeções anteriores de cinco apertos até o fim do ano que vem.

Mais cedo, os ativos de risco também ganharam espaço contra o dólar em meio à leitura otimista no mercado de câmbio a respeito do novo posicionamento do Banco do Japão (BoJ). A entidade chefiada por Haruhiko Kuroda manteve inalterado seu programa de compra de ativos e a taxa de depósitos em -0,1%. A surpresa veio com a introdução de uma meta de 0% para o juro dos bônus do governo japonês (JGBs) de 10 anos.

Bovespa

A esperada decisão de política monetária do Fed trouxe forte movimentação à Bovespa, que enfrentou instabilidade ao longo de toda esta quarta-feira, mas acabou por acompanhar o desempenho positivo das bolsas americanas. O Índice Bovespa fechou em alta de 1,14%, aos 58.393,92 pontos, refletindo a percepção majoritária de que o Fed adotará uma postura de gradualismo quando reiniciar os aumentos de juros nos Estados Unidos.

A manutenção dos juros básicos da economia americana já era esperada, o que por si só já teve impacto inicial positivo nas bolsas de Nova York. Mas a redução das previsões para o PIB e para a inflação deste ano foi interpretada como indicadores de cautela, descartando as chances de um aperto monetário mais agressivo. Com isso, as apostas do mercado de aumento nos juros dos EUA em dezembro recuaram fortemente após o desfecho da reunião do Fed, de 61,5% para 55,3%.

A Bovespa vinha de um pregão instável, oscilando ao sabor de influências essencialmente externas, como os preços do petróleo, a cautela pelo Fed e a decisão de política monetária do BoJ, que foi bem recebida. O período de maior instabilidade, no entanto, foi registrado à tarde, quando o Ibovespa foi da mínima de 57.326 pontos (-0,71%) à máxima de 58.575 pontos (+1,45%).

Antes do anúncio da decisão do Fed, o Ibovespa orbitava em torno da estabilidade. A alta se consolidou ao longo do discurso de Yellen, conforme as bolsas americanas passaram a renovar sucessivas máximas. O menor temor dos efeitos negativos de um aperto monetário nos EUA, as ações que mais se destacaram foram as de empresas ligadas a commodities. Foi o caso das ações da Petrobras, que acompanharam a alta do petróleo e o apetite por risco dos investidores. Ao final dos negócios, Petro ON e PN subiram 1,93% e 1,19%, respectivamente.

As ações da Vale, ganharam ainda mais força, uma vez que já operavam em alta refletindo a intensificação dos rumores sobre a possibilidade de venda de sua unidade de fertilizantes e a elevação de recomendação pelo Barclays. Vale ON teve alta de 5,69% e Vale PNA, de 6,34%. Com o dólar em forte queda, as ações de empresas exportadoras foram penalizadas. Entre os papéis da carteira do Ibovespa, as maiores quedas foram de Suzano PNA (-3,62%) e Fibria ON (-3,32%).

Taxas de juros - Os juros futuros encerraram nesta quarta-feira, em queda, que foi mais firme a partir dos contratos intermediários, amparada nos resultados das reuniões de política monetária no Japão e nos EUA, para as quais o mercado vinha nutrindo grande expectativa nos últimos dias. Os curtos também caíram, reagindo à possibilidade de recuo nos preços dos combustíveis ainda este ano publicada na imprensa.

Ao término da negociação normal, o DI para janeiro de 2017 (244.990 contratos) fechou na mínima de 13,885%, de 13,930% no ajuste de ontem. A taxa do DI janeiro de 2018 (199.525 contratos) recuou de 12,47% para 12,36%. O DI janeiro de 2019 (218.975 contratos) fechou em 11,82%, de 11,95%. O DI janeiro de 2021 (206.400 contratos) terminou em 11,88%, de 12,07%.

As taxas futuras já começaram o dia em baixa, com a decisão do BoJ, para o qual o mercado precificava algum risco de reversão de parte das medidas de estímulo monetário. Porém, a instituição manteve sua meta de comprar até 80 trilhões de ienes em bônus e 6 trilhões de ienes em fundos de índices de ações (ETFs) anualmente e a taxa de depósito em -0,1%, e inovou ao introduzir uma meta de 0% para o juro dos bônus do governo japonês (JGBs) de 10 anos num esforço de afastar o risco de deflação no país.

À tarde, os principais contratos ampliaram o recuo e bateram mínimas após a decisão do Fed. Embora a instituição tenha ratificado a aposta majoritária do mercado, havia alguma precificação para o risco de elevação nas taxas. Além disso, apesar de haver uma certa divisão nos votos, com três dos dez diretores defendendo uma alta da faixa para 0,50% a 0,75%, as revisões de projeções de indicadores do BC norte-americano e o tom considerado "dovish" (suave) da entrevista da presidente da instituição, Janet Yellen, enfraqueceram as apostas para um aperto monetário em dezembro.

Entre outros pontos, Yellen, na entrevista, citou a reação recente da economia e a melhora do mercado de trabalho como argumentos para uma elevação, mas ressaltou a necessidade de esperar por mais provas de que os números estão avançando na direção dos objetivos do Fed. Afirmou ainda que a maioria dos membros vê argumento para alta imediata "mais forte", mas é sensato esperar.

Com isso, as apostas de aumento nos juros dos Estados Unidos recuaram fortemente. Para dezembro, as chances embutidas nos contratos futuros dos Fed funds caíram a 55,3%, de 61,5% registrados minutos antes de o Fed divulgar seu comunicado, de acordo com o CME Group. As estimativas de alta de juros na reunião de novembro também baixaram, de 26,5% para 14,5%.

Na BM&FBovespa, os contratos de curto prazo reagiram à notícia de que a Petrobras pode reduzir os preços da gasolina e diesel até o fim do ano, publicada pelo jornal O Globo. Porém, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, descartou ter uma decisão tomada sobre reajuste.

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