O dólar à vista recuou 0,40% nesta quarta-feira e fechou aos R$ 3,1295, menor valor desde o dia 2 de julho do ano passado (R$ 3,0980). Sem registrar alta há sete sessões consecutivas, a moeda acumula desvalorização de 4,28% frente ao real desde o último dia 2.
A queda teve como um dos estímulos a aprovação da continuidade do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. A influência internacional também contou para o movimento, visto que a moeda americana perdeu força diante da grande maioria da divisas de internacionais.
Depois da confirmação de que Dilma virou ré no processo de impeachment, o mercado reagiu ao placar da votação dos senadores, de 59 a favor e 21 contrários à pronúncia. A leitura foi de que o governo do presidente em exercício Michel Temer se mantém forte no Congresso, ainda que em meio a concessões.
Nesse ambiente, o mercado minimizou a derrota do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que viu ser aprovado na Câmara o texto-base do projeto de renegociação dos Estados sem limitar a concessão de reajustes aos servidores - ponto até então considerado pelo ministro como "inegociável".
A votação gerou um mal estar tardio e pontual no mercado, em meio à proliferação de análises questionando a capacidade de Meirelles conseguir avançar no Congresso com as medidas de ajuste fiscal.
O dólar, que já havia iniciado o dia em baixa, chegou a inverter rapidamente a tendência no final da manhã, atingindo a máxima de R$ 3,1451 (+0,10%). Momentos depois, quando a cotação já voltava ao terreno negativo, Meirelles falou à imprensa e negou que a equipe econômica esteja perdendo força. O ministro reforçou que o ponto crucial para o ajuste fiscal dos Estados, que é o teto para o crescimento dos gastos, foi mantido no texto que segue agora para o Senado.
A elevada liquidez internacional, com redução de juros em grandes economias mundiais, somada à manutenção de juros elevados no Brasil e melhora da percepção com o cenário político mantêm forte a expectativa de ingresso de recursos ao País.
Taxa de juros
Os juros futuros de curto prazo fecharam a sessão em alta moderada nesta quarta, 10, em reação ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, de 0,52%, acima da mediana das estimativas coletadas pelo Broadcast Projeções (0,45%), enquanto os de médio e longo prazos ficaram perto da estabilidade.
Estes contratos passaram boa parte do dia em alta, repercutindo a concessão feita pelo governo no ajuste fiscal vista na aprovação do texto-base do projeto de renegociação da dívida dos Estados, ontem na Câmara. Mas o avanço perdeu força na última hora de negócios, na medida em que o dólar se firmava abaixo de R$ 3,13.
Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 (92.990 contratos) fechou em 13,950%, de 13,935% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2018 (164.845 contratos) encerrou estável em 12,65%, na mínima. O DI janeiro de 2019 (92.805 contratos) termina em 12,09%, de 12,08%. O DI janeiro de 2021 (86.310 contratos) passou de 11,85% para 11,86%.
Bovespa
Depois de fechar em cima do muro nos últimos três pregões, a Bovespa finalmente definiu uma tendência, e foi de queda. O movimento de realização de lucros que colocou o índice à vista abaixo do patamar dos 57 mil pontos nesta quarta-feira, teve como gatilho a piora dos mercados acionários internacionais, em mais um dia de fraqueza do petróleo.
Internamente, pegou mal a aprovação na Câmara do projeto de renegociação da dívida dos Estados sem o trecho que proibia a concessão de aumentos acima da inflação a servidores estaduais por dois anos. Isso porque o ponto era considerado "inegociável" pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
A derrota da equipe econômica trouxe preocupações em relação a eventuais novas concessões em pontos importantes para o ajuste fiscal e acabou ofuscando a decisão do Senado de ontem à noite - que tornou Dilma Rousseff ré no processo de impeachment, abrindo caminho para que a petista seja julgada por crime de responsabilidade.
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira em queda de 1,33%, aos 56.919,77 pontos, não muito distante da mínima do dia, quando foi aos 56.735 pontos (-1,65%). Mais cedo, antes do início dos negócios em Wall Street, o índice à vista chegou a subir e bater máxima aos 57.953 pontos (+0,46%), mas não resistiu à entrada dos investidores estrangeiros a partir das 10h30 executando ordens de venda na Bolsa brasileira.
O giro financeiro somou R$ 6,40 bilhões. No mês de agosto, a Bovespa acumula perdas de 0,68%, enquanto no ano registra valorização de 31,31%. "A Bovespa acabou realizando um pouco hoje mais por conta do exterior, com o petróleo e o minério de ferro em queda. Por aqui, teve um certo mal estar em relação à Câmara, que aprovou o projeto de renegociação da dívida dos Estados, mas tirou a parte que proíbe aumento dos servidores acima da inflação. Foi uma vitória no Senado (em relação à continuidade do processo de impeachment), mas uma derrota na Câmara", resumiu um operador de renda variável.
"Foi uma derrota para o Meirelles, mas nada que tenha sido determinante para uma queda maior da Bolsa hoje", ponderou o profissional, reforçando que os investidores internacionais e locais estiveram mais equilibrados na ponta vendedora.
As ações da Petrobras terminaram em queda de 3,80% (ON) e 2,69% (PN), na esteira da desvalorização de quase 3,0% do petróleo no mercado internacional. O sinal negativo dos contratos futuros da commodity foram determinados principalmente pelo avanço nos estoques de petróleo, conforme mostrou relatório do Departamento de Energia (DoE) no fim da manhã. Os estoques de gasolina e destilados, por sua vez, foram reduzidos.
Já os papéis da Vale recuaram 4,74% (ON) e 3,69 (PNA), penalizados pela correção no preço do minério de ferro. O insumo interrompeu uma sequência de altas e hoje caiu 1,1% no mercado à vista, para US$ 60,7 a tonelada seca, de acordo com dados do The Steel Index.
Dólar recua e fecha aos R$ 3,12, menor valor desde julho de 2015
Moeda americana não registra alta há sete sessões consecutivas e acumula desvalorização