O dólar oscilou 1% num intervalo de 1h20min após o anúncio da decisão e do comunicado da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), feito às 15 horas. No fechamento, a moeda americana estava em baixa de 0,15%, aos R$ 3,2672 no mercado à vista. O volume de negócios registrado na clearing de câmbio somava cerca de US$ 1,369 bilhão. No mercado futuro, o dólar para agosto encerrou em baixa de 0,43%, aos R$ 3,2665, com um giro movimentado de cerca de US$ 12,049 bilhões.
A moeda norte-americana chegou a subir até uma máxima R$ 3,2932 (+0,65%) por volta das 15h02 no mercado à vista, reagindo à manutenção dos juros nos Estados Unidos e à constatação do Fed de que as incertezas de curto prazo diminuíram. A taxa dos Fed Funds foi mantida na faixa de 0,25% a 0,50% e a de redesconto, em 1% ao ano. Em seguida, porém, a moeda americana passou a cair e chegou a atingir uma mínima intraday, aos R$ 3,2607 (-0,35%) por volta das 16h20.
A inversão de sinal para baixo respondeu à percepção de que o Fed apontou uma melhora na perspectiva da economia americana, porém, deixou em aberto o momento da retomada do aperto monetário, disse Jefferson Rugik, diretor da Correparti. Já o fortalecimento pontual, à tarde, refletiu a visão de uma parcela de analistas do mercado de que os juros poderiam subir neste ano, possivelmente no curto prazo, na reunião de setembro.
A falta de previsão clara de alta dessas taxas, somada à possibilidade de adoção de estímulos fiscais e monetários pelo governo e o Banco Central do Japão, que se reúne nesta sexta-feira, ampara expectativas de possível migração de capital estrangeiro para os mercados emergentes, como o Brasil, disse um profissional de uma corretora.
Além disso, a mesma fonte destacou a aposta do mercado, após a ata da Copom, de que o Banco Central poderá manter a taxa Selic inalterada em 14,25% ao ano por mais alguns meses. "Com esse nível de juro básico, o diferencial de juros interno e externo continua bem favorável ao Brasil e pode atrair capitais, apesar das incertezas no cenário econômico e fiscal doméstico", avaliou.
Bovespa
A Bovespa operou em terreno positivo durante todo o pregão nesta quarta-feira e fechou em alta de 0,12%, aos 56.852,84 pontos. A sinalização um pouco mais otimista do Fed no que diz respeito a riscos econômicos foi bem recebida, embora tenha tido pouca influência prática sobre os negócios com ações. O Índice Bovespa foi bastante influenciado pelo desempenho das bolsas americanas, mas também refletiu o noticiário corporativo e a forte resistência dos 57 mil pontos.
Com a agenda doméstica ainda esvaziada, o comportamento das commodities e o noticiário corporativo continuaram a ter grande relevância nos negócios da Bovespa. Depois da alta de 2,9% na véspera, o minério de ferro subiu mais 1% hoje no mercado chinês. Assim, as ações dos setores de mineração, siderurgia e metalurgia estiveram em destaque em todo o mundo. No Brasil, foram elas as principais responsáveis pela sustentação do Ibovespa.
Entre as ações que compõem o índice, as maiores altas foram de Usiminas PNA (+8,88%), Gerdau Metalúrgica PN (+4,51%) e Gerdau (siderúrgica) PN (+4,21%). Vale ON e PNA avançaram 2,71% e 3,36%, respectivamente. Na contramão estiveram as ações da Petrobras, que caíram 1,02% (ON) e 3,11% (PN), acompanhando as fortes perdas dos preços do petróleo nas bolsas de Nova York e Londres.
Entre as empresas que divulgaram balanço trimestral, destaque para Weg ON, que subiu 4,11%. A empresa, fabricante de equipamentos, manteve resultados próximos aos verificados no trimestre anterior, o que foi considerado positivo diante do cenário adverso. No pregão de hoje, foram movimentados R$ 6,96 bilhões, valor próximo da média do mês. Com o resultado desta sessão, o Ibovespa passa a acumular alta de 10,34% em julho e de 31,15% no acumulado do ano.
Taxas de juros
Os principais contratos de juros futuros encerraram a sessão desta quarta-feira perto dos ajustes anteriores, devolvendo a alta vista desde o começo da tarde, provocada, por sua vez, pela cautela antes do anúncio da decisão do Fed. Na leitura do mercado, apesar da melhora na avaliação da economia norte-americana feita pela instituição, não há sinais claros no comunicado sobre a intenção de subir juros no curto prazo. No mais, a agenda de curto prazo pesada aqui e no exterior colocou o investidor na defensiva ao longo de toda a sessão.
Ao término da etapa regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) que vence em janeiro de 2017 projetava 13,980%, de 13,970% no ajuste anterior, com 87.325 contratos. O DI janeiro de 2018 (194.715 contratos) terminou na mínima de 12,84%, de 12,85% ontem no ajuste. O DI janeiro de 2021 (135.520 contratos) fechou em 12,05%, de 12,04%.
O banco central norte-americano fez uma avaliação positiva sobre o mercado de trabalho, destacando "os ganhos de emprego fortes em junho após um crescimento fraco em maio" e disse que os riscos de curto prazo para as perspectivas econômicas têm diminuído. Por outro lado, destacou que a inflação segue abaixo do objetivo de 2% e "que as condições irão evoluir de uma maneira que irá garantir apenas aumentos graduais na taxa de juros". A autoridade monetária confirmou a aposta consensual de manutenção dos Fed Funds na faixa de 0,25% e 0,50%, por 9 votos a 1 - Esther George defendeu avanço de 0,25 ponto porcentual.
Apesar do "alívio", o investidor mantém uma postura defensiva porque a agenda de curto prazo, aqui e no exterior, é carregada nos próximos dias, com decisão de política monetária do Banco do Japão (Boj) e testes de estresse dos bancos europeus. No Brasil, serão conhecidos os dados fiscais do mês de junho.
Dólar recua e fecha em R$ 3,26 reagindo ao Fed e a expectativas de ingresso de recursos
Moeda americana oscilou durante o dia após anúncio da decisão da reunião do banco central dos EUA