O cenário internacional desfavorável e as incertezas no campo político brasileiro deram o tom dos negócios no mercados de câmbio nesta terça-feira. Com dados negativos da economia da China e queda dos preços das commodities, o dólar avançou diante de diversas moedas, influenciando também o desempenho frente ao real. No mercado à vista, a moeda fechou em alta de 1,08%, cotada a R$ 3,8046.
A expectativa em torno de votações importantes na Câmara também concentrou as atenções. Para acrescentar mais incerteza no já complexo cenário político, a "carta-desabafo" do vice Michel Temer (PMDB-SP) à presidente Dilma Rousseff foi um dos assuntos mais comentados do dia. Embora alguns correligionários de Temer tenham negado que a carta tenha sido uma sinalização de rompimento com o governo, essa foi a leitura majoritária no mercado.
O dólar chegou a exibir queda no início dos negócios, em reação à carta de Temer, que em tese reforçaria as apostas no impeachment. Os sinais negativos do exterior, no entanto, levaram a moeda americana a ganhar força diante da maioria das moedas pelo mundo, especialmente aquelas de países exportadores de commodities.
Dados negativos da China indicaram desaceleração da economia local, o que espalhou pessimismo pelos mercados. As exportações chinesas tiveram queda anual de 6,8% em novembro ante outubro, enquanto a previsão era de recuo de 5,3%. Já as importações recuaram 8,7% na mesma base de comparação, abaixo da previsão (-11,8%), mas ainda uma queda expressiva.
Após o minério de ferro cair abaixo de US$ 40 na sexta-feira, diversas mineradoras anunciaram planos de reestruturação. A Anglo American anunciou corte de 85 mil empregos, venda de ativos, grandes reduções de custos e a suspensão no pagamento de dividendos, em uma tentativa para enfrentar a forte queda nos preços das commodities. No mercado futuro, o dólar para liquidação em janeiro tinha alta de 0,72% às 17h55, cotado a R$ 3,825.
Taxas de juros
O mercado internacional adverso e as incertezas no cenário político complexo voltaram a retrair os negócios na renda fixa nesta terça-feira. Sem saber quais os rumos que o país irá tomar, os investidores têm evitado assumir posições, o que os leva a se concentrarem em operações de curtíssimo prazo. As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) abriram em baixa com uma primeira leitura positiva da carta do vice-presidente Michel Temer à presidente Dilma Rousseff, mas passaram a subir acompanhando o dólar, que refletia o mau humor no cenário internacional.
A pressão foi reduzida à tarde e as taxas acabaram por fechar perto dos ajustes da véspera, com leve alta nos
vencimentos mais curtos, até 2017. Nos negócios na BM&F, o contrato de DI com vencimento em abril de 2016 fechou com taxa de 14,595%, ante 14,584% do ajuste de segunda-feira. O DI para janeiro de 2017, o mais negociado, terminou a sessão regular com taxa de 15,78%, contra 15,74% do ajuste anterior. O vencimento de janeiro de 2019 ficou com taxa de 16,06%, de 16,07%. Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2021 fechou com taxa de 15,77%, a mesma do ajuste anterior.
O Conselho de Ética da Câmara retomou a discussão sobre o parecer que pede a continuidade do processo disciplinar contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Este, por sua vez, foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a permanência do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) na relatoria do processo disciplinar. A expectativa é de que não haja tempo para votação do relatório ainda nesta terça.
Já a comissão da Câmara que analisará o pedido de impeachment da presidente ainda está em fase de formação de chapas. Com as chapas definidas, haverá votação secreta para escolha dos integrantes. No que diz respeito à política monetária, as apostas dos investidores se mantiveram firmes no início de um novo ciclo de altas da taxa Selic.
Bovespa
Com dados negativos da economia da China e queda dos preços das commodities, as bolsas europeias e americanas recuaram, arrastando também a Bovespa, que terminou o dia com perda de 1,72%, aos 44.443,25 pontos. A expectativa em torno das votações importantes na Câmara e a "carta-desabafo" do vice Michel Temer (PMDB-SP) a Dilma também concentraram as atenções.
Após o minério de ferro cair abaixo de US$ 40 na sexta-feira, diversas mineradoras no exterior anunciaram hoje planos de reestruturação. Por aqui, Vale PNA caiu 5,28% e Usiminas PNA, 5,26%.
Dólar segue tendência internacional e fecha em alta de 1,08%
Sinais negativos do exterior deram força para moeda americana que acabou o dia cotada a R$ 3,8046