O dólar avançou aos R$ 3,24 no mercado à vista nesta sexta-feira, após manhã de instabilidade quando testou o nível de R$ 3,20. O avanço da divisa norte-americana se apoiou, inicialmente, no posicionamento mais "hawkish" de um dirigente do Federal Reserve e se consolidou com a acentuada queda do petróleo, o que também gerou pressão contrária às moedas de mercados emergentes e ligadas a commodities. De acordo com profissionais ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o movimento por aqui contou ainda com a zeragem de posições vendidas, em meio a dúvidas sobre o espaço adicional de queda no dólar.
No segmento à vista, o dólar subiu pelo segundo dia consecutivo e fechou cotado aos R$ 3,2423 (+0,46%). Apesar da sequência de avanços e do ganho na segunda-feira, a divisa norte-americana acumulou queda de 0,76% na semana, influenciada principalmente pela baixa trazida pela manutenção de juros do Federal Reserve na quarta-feira. Na mínima do dia, a moeda chegou aos R$ 3,2030 (-0,76%). De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 934,198 milhões.
No mercado futuro, o contrato de dólar para outubro encerrou aos R$ 3,2500 (+0,70%). A máxima intraday era de R$ 3,2570 (+0,91%), enquanto a mínima tocou R$ 3,2080 (-0,60%). O giro no futuro chegava a US$ 13,041 bilhões.
As máximas da sessão, registradas à tarde, foram decorrentes das perdas de mais de 3% dos contratos futuros de petróleo. Nos maiores patamares do dia, a divisa negociada à vista no balcão chegou aos R$ 3,2471 (+0,61%). A principal preocupação no mercado de commodities é que a reunião de integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) na próxima semana acabe sem acordos sobre limites na oferta. Essa tensão aumentou ao longo do dia por causa de notícias sobre divergências dentro do cartel de 14 nações.
Ainda no exterior, o presidente da distrital do Federal Reserve em Boston, Eric Rosengren, voltou a trazer estresse no mercado de câmbio, apesar do alívio com a decisão do Federal Reserve há dois dias e a leitura deixada na ocasião de que o aperto será gradual nos Estados Unidos. Rosengren disse que não elevar os juros básicos agora coloca a expansão da economia norte-americana em risco, ao gerar "desequilíbrios significativos" que podem levar a uma recessão.
Bovespa
A queda dos preços do petróleo derrubou também as ações da Petrobras, que em grande parte foram responsáveis pela baixa 0,50% do Índice Bovespa nesta sexta-feira. A bolsa vinha de quatro altas consecutivas, garantidas pelo noticiário essencialmente positivo. A instabilidade da commodity, no entanto, deflagrou um movimento de ajustes que atingiu também ações de outros setores. O volume de negócios somou R$ 5,58 bilhões, abaixo da média diária de setembro (R$ 6,9 bilhões).
A instabilidade deu o tom desde cedo nos negócios com o petróleo nas bolsas de Nova York e Londres, com a commodity alternando altas e baixas pela manhã. Na primeira etapa dos negócios, o Ibovespa chegou a exibir uma alta tímida, que não ultrapassou o 0,23%. O desempenho negativo foi definido à tarde, com a aceleração das perdas do petróleo, pressionados por rumores de que a Arábia Saudita não tinha expectativa da chegada a um acordo na reunião informal da Opep, na semana que vem.
Com o petróleo registrando quedas de até 4% e as bolsas americanas também operando em queda, as ações da Petrobras acompanharam o movimento. As ordens de venda foram atribuídas principalmente a uma realização de lucros, uma vez que o noticiário em torno da estatal tem sido positivo. No início da semana, por exemplo, o mercado recebeu positivamente os termos do plano de investimentos da companhia para os próximos anos, contemplando redução de investimentos e endividamento. Ao final dos negócios, Petrobras ON e PN fecharam em queda de 3,67% e 2,21%, respectivamente. Mesmo com o resultado de hoje, as ações ordinárias da companhia contabilizam alta de 74,80% em 2016 e as preferenciais, de 104,03%.
Entre as exceções do dia, destaque para as ações da Vale, que subiram durante todo o dia e ajudaram a limitar a queda da bolsa. Os papéis refletiram uma leve alta dos preços do minério de ferro no mercado chinês, em meio à expectativa de um mercado local mais firme. Vale ON avançou 0,57% e Vale PNA, 0,59%.
Taxas de juros
Os juros futuros confirmaram no fechamento da sessão regular desta sexta-feira, o sinal de baixa visto ao longo da sessão, embora no período da tarde o movimento tenha perdido força. A ideia de que estão dadas as condições para o início imediato dos cortes da Selic seguiu como pano de fundo para o comportamento das taxas nesta sexta-feira de agenda fraca e sem destaques no noticiário. De novidade, apenas o discurso feito ontem à noite pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, como fator adicional para estimular o alívio da curva.
Ao final da etapa regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (232.340 contratos) fechou em 13,820%, de 13,835% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2019 (171.175 contratos) terminou em 12,22%, de 12,25%. O DI janeiro de 2019 (159.535 contratos) passou de 11,66% para 11,64%. O DI janeiro de 2021 (102.445 contratos) fechou em 11,71%, ante 11,72% no ajuste anterior.
"O mercado seguiu hoje tranquilo, refletindo ainda o IPCA-15, a fala do Meirelles e o discurso do Ilan dando maior indicação de que os cortes da Selic começam em outubro", afirmou o trader de renda fixa do Banco Sicredi, Getulio Ost.
Durante evento em São Paulo, na noite de ontem, o presidente do BC destacou que o horizonte relevante para a política monetária "não é estático". "Ele se desloca continuamente com o passar do tempo. Dentro dessa estratégia consistente, à medida que avançam os meses, as ações de política monetária passam a dar mais importância, de maneira gradual, para períodos igualmente à frente", afirmou. Disse ainda que "agindo de maneira prudente, já obtivemos resultados". "As expectativas de inflação convergiram para 4,5% a partir de 2018. Para 2017, a mediana das expectativas declinou desde junho, de 5,5% para 5,1%", ressaltou.
Dólar sobe aos R$ 3,24 e bolsa recua 0,5%
Avanço se consolidou com a acentuada queda do petróleo