Nesta manhã, a moeda abriu em forte alta de 5,8%. Com isso, o Banco Central anunciou o leilão de swap cambial e a moeda dos Estados Unidos perdeu fôlego. Na mínima, o dólar balcão desceu a R$ 1,8450.
A notícia foi bem recebida pelo mercado, que vinha há dias forçando a cotação da moeda para cima na tentativa de trazer a autoridade monetária de volta à arena. Mas a atuação do BC pela manhã não foi suficiente para conter a escalada do dólar. Segundo operadores, a tendência da moeda norte-americana continua sendo de valorização devido à onda de aversão ao risco que está varrendo o mundo. Apenas neste semana, o dólar balcão acumulou ganho de 10,40%. No mês, a valorização chega a 19,82%, e no ano, a 14,78%.
Ação do BC
O Banco Central leiloou 55.075 contratos de swap cambial, menos da metade do total de 112.290 que estava disposto a firmar. O valor total ficou em US$ 2,7 bilhões. Em nota, o banco informou que poderá voltar a atuar nos mercados de câmbio, a qualquer momento, “de modo a assegurar condições apropriadas de liquidez" nos referidos mercados.
O swap cambial é uma troca oferecida pelo BC aos investidores por meio da venda de contratos em leilões no mercado. No swap cambial tradicional, o banco oferece ao investidor receber remuneração em juro, em troca da remuneração em dólar.
Esses contratos foram muito vendidos nas épocas de forte valorização do real. Como nos contratos de swap cada uma das pontas se compromete a pagar a oscilação de uma taxa, se a variação do juro for maior que a do câmbio no período de vigência do contrato, o investidor receberá mais do que precisará pagar.
Para Dilma, momento é de calma
Em Nova Iorque, a presidente Dilma Rousseff disse que a atitude do governo é de calma e tranquilidade e de "estabilizar todo o processo". "Tanto o ministro Tombini (presidente do Banco Central, Alexandre Tombini) quanto o ministro Mantega (da Fazenda, Guido Mantega) estão tomando as providências cabíveis, mas nós não estamos ainda tomando nenhuma medida inusual", disse a presidente em entrevista à imprensa brasileira em Nova Iorque.
Segundo ela, as medidas são as de sempre: "swaps, eventualmente comprando ou vendendo dólares em quantidade quando tem problema no mercado e acreditando que as coisas vão se ajustar". "Mas quero dizer que estamos prontos, completamente prontos", acrescentou a presidente.
Dilma avaliou que o que tem acontecido nos últimos dias é uma percepção pelo mercado de que é necessário que se resolva a questão da Grécia. "Não se pode mais protelar o problema. Isso é importante não só pela Grécia, mas para evitar o contágio", disse.