Economia

Dólar sobe pelo 3º dia seguido com temor sobre Brexit

Moeda americana fechou ou dia cotada em R$ 3,3027 à vista

Moeda americana fechou ou dia cotada em R$ 3,3027 à vista
Moeda americana fechou ou dia cotada em R$ 3,3027 à vista Foto : Marcello Casal / Agência Brasil / CP
As preocupações em torno das consequências da separação do Reino Unido da União Europeia sustentaram a alta do dólar, que subiu nesta terça-feira  pela terceira sessão consecutiva ante o real. Dois fatores incomodam os
investidores globais em razão da esperada desaceleração econômica na Europa: a saúde dos bancos na região, sobretudo os italianos, e um movimento de fuga de capitais de fundos no Reino Unido.

O dólar à vista fechou em alta de 1,11% aos R$ 3,3027, na máxima intraday. Em três dias, a alta acumulada chega a 2,87%. O giro à vista registrado na clearing de câmbio da BM&FBovespa estava em US$ 702,284 milhões, mantendo-se abaixo da média diária, na volta do feriado norte-americano do Dia da Independência. No mercado futuro, o contrato de dólar para agosto terminou com avanço de 0,97%, aos R$ R$ 3,3295, com volume negociado de US$
12,287 bilhões.

As perspectivas negativas para o setor imobiliário do Reino Unido foram as principais fontes de atenção. Em menos de 24 horas, três fundos imobiliários suspenderam resgates no Reino Unido, temendo fuga de capitais. Ao todo, nesses três fundos, há 9,1 bilhões de libras - cerca de R$ 39 bilhões - com saque bloqueado.

Do outro lado do Canal da Mancha, o possível enfraquecimento econômico na Europa, em razão do Brexit, tem alimentado as expectativas sobre novas medidas de estímulo do Banco Central Europeu (BCE). Um eventual corte de juros, no entanto, poderia agravar a saúde de instituições financeiras locais.

No Brasil, as perspectivas de novas atuações do Banco Central, após o terceiro leilão de swap cambial reverso hoje, também apoiaram o viés positivo do dólar, de acordo com profissionais decâmbio. O Banco Central ainda possui US$ 60,635 bilhões em contratos de swap cambial tradicional, que podem ser revertidos para evitar um enfraquecimento do dólar.

Em sabatina no Congresso, os novos diretores do BC alinharam o discurso ao do presidente da instituição, Ilan Goldfajn, e defenderam o regime de câmbio flutuante, mas deixaram claro que a autarquia pode atuar e a flutuação não deve ser "totalmente
limpa".

Após o fechamento do mercado, o Banco Central correspondeu às expectativas do mercado e voltou a anunciar, para amanhã, novo leilão de swap cambial reverso, de até 10 mil contratos.

Bovespa 

Depois de uma sequência de cinco altas consecutivas, a Bovespa sucumbiu diante do mau humor do mercado internacional e fechou em queda de 1,38%, aos 51.842,27 pontos nesta terça-feira. A realização dos lucros recentes teve como principal detonador o retorno das preocupações com a saída do Reino Unido da União Europeia. Temerosos quanto aos efeitos negativos do Brexit na economia europeia e global, investidores migraram
para ativos seguros, como o dólar e os Treasuries, títulos do Tesouro americano. A queda dos preços do petróleo e as incertezas com o cenário brasileiro também contribuíram para a correção nos preços das ações.

O Índice Bovespa havia acumulado valorização de 6,75% nos últimos cinco pregões e os operadores já consideravam que uma correção era iminente. A deterioração do cenário internacional, portanto, concretizou esse ajuste. A queda de hoje seguiu de perto o movimento vendedor nas bolsas de Nova York, que voltaram do feriado do Dia da Independência ajustando suas posições otimistas da semana passada.

Na mínima do dia, pouco antes das 15h, o Ibovespa chegou a cair 2,01% (51.510 pontos). Naquele momento, os mercados repercutiam a notícia de que o fundo imobiliário M&G Investment, braço da seguradora Prudential, com carteira de 4,4 bilhões de libras, suspendeu as negociações com aquele país. Esse foi o terceiro grande fundo de investimento imobiliário a tomar essa medida em dois dias. Desde a vitória do Brexit, há registros de queda do
valor das cotas dos fundos e aumento dos saques.

O petróleo foi importante variável nesta sessão de negócios. A commodity caiu 4,88% no vencimento de agosto da Nymex e 4,27% no vencimento de setembro da ICE. Além da aversão ao risco, o petróleo também reagiu ao aumento de estoques nos Estados Unidos. Como consequência, as ações da Petrobras estiveram entre as maiores quedas do Ibovespa durante todo o pregão. No fechamento, Petrobrás ON e PN computaram perdas de 5,66% (ON) e de
5,88% (PN).

Taxas de juros 


Os juros futuros fecharam a sessão em alta nesta terça-feira, refletindo os temores sobre as consequências do Brexit que penalizaram ativos de países emergentes no mundo todo. Internamente, favoreceu o movimento ascendente a expectativa em relação ao anúncio da meta fiscal de 2017. Ao término da etapa regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (72.679 contratos) fechou em  13,910%, de 13,880% ontem no ajuste. O DI janeiro de 2018 (82.330 contratos) subiu de 12,68% para 12,74%. O DI janeiro de 2019 (86.305 contratos) fechou em 12,33%, de 12,25%. O DI janeiro de 2021 (119.180 contratos) encerrou com taxa de 12,24%, ante 12,12%.

Após uma sessão tranquila ontem com as bolsas fechadas em Wall Street, os mercados domésticos já abriram hoje sob pressão do cenário externo, que foi aumentando ao longo do dia. No foco das preocupações está o sistema financeiro do Reino Unido, após as informações de que três grandes fundos de investimento imobiliário suspenderam os resgates no país por causa do aumento dos saques. Além disso, há especulações de que o governo italiano estaria prestes a socorrer um grande banco do país e temores de contágio no sistema financeiro europeu que pioraram após o Brexit.

No Brasil, o investidor aguardava com cautela o anúncio da meta fiscal de 2017, que era esperado para hoje, mas ficou para amanhã. O mercado não descarta que o déficit possa ser até maior do que o de até R$ 170,5 bilhões estabelecidos para este ano. O ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, evitou falar em valores, mas disse que a equipe econômica pretende divulgar uma previsão "realista e factível".

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