Economia

Dólar tem dia de queda, mas moeda resiste a cair abaixo de R$ 3,70

Bolsa brasileira fechou no vermelho, abaixo da linha dos 98 mil pontos

Dólar fechou em queda pelo segundo dia consecutivo nesta sexta
Dólar fechou em queda pelo segundo dia consecutivo nesta sexta Foto : Marcos Santos / USP Imagens / CP

Na esteira do otimismo com a reforma da Previdência e do exterior favorável, o dólar fechou em queda pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira e acumulou baixa de 0,61% na semana. A moeda americana terminou a sexta-feira em R$ 3,7052 (-0,39%). 

Na próxima semana, os investidores vão monitorar dois eventos importantes, o envio ao Congresso do texto que muda a aposentadoria no País, previsto para o dia 20, mesmo dia em que será publicada a ata de reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que costuma mexer com os mercados de moedas. Na mínima, o dólar chegou a R$ 3,7002, mas não conseguiu cair abaixo deste patamar, que tem sido um nível de resistência importante nos últimos dias. 

Para o diretor da Wagner investimentos, José Raymundo Faria Junior, este nível pode ser considerado, no momento, uma oportunidade de compra, por isso atrai compradores e tem sido difícil rompê-lo. O último dia que o dólar fechou abaixo dessa patamar foi em 5 de fevereiro, quando terminou em R$ 3,66.

Na avaliação do sócio e gestor da Absolute Invest, Roberto Serra, o otimismo de quinta-feira prosseguiu nesta sexta, apesar de, pela manhã, o caso do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, ter incomodado as mesas, com temor de que a piora da crise pudesse comprometer a tramitação da reforma da Previdência. 

Com isso, o dólar bateu máximas, a R$ 3,7267. Serra ressalta que o foco das mesas de câmbio vai se voltar para a entrega do texto no Congresso, nas medidas completas da proposta e de como será a recepção inicial dos parlamentares. A melhora da percepção, destaca ele, indica que o mercado está vendo a entrada de fluxo do exterior pela frente. 

Além do cenário doméstico, o cenário externo também contribuiu para retirar pressão do câmbio. O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, derivativo que protege contra calotes e é um termômetro do risco-país, seguiu em queda nesta sexta-feira, em 163 pontos. Além disso, o índice DXY, que mede o comportamento do dólar perante uma cesta de moedas fortes, também bateu mínimas no final da tarde. O gestor da Rosenberg Asset, Eric Hatisuka, destaca que o DXY tem sido um sinalizador do apetite por risco, ou seja, quando sobe, ajuda a elevar a aversão ao risco. Quando cai, estimula a busca por ativos de emergentes, retirando pressão das moedas desses mercados. 

Bovespa 

O Ibovespa operou nesta sexta-feira descolado tanto do otimismo externo quanto dos demais ativos domésticos. A despeito da apreciação do real e da queda das taxas futuras ao longo da tarde, a bolsa brasileira fechou no vermelho, abaixo da linha dos 98 mil pontos, em uma realização de lucros após a disparada do índice na reta final do pregão de quinta-feira.

Com máxima de 98.237,80 pontos e mínima de 97.083,07 pontos, o Ibovespa encerrou os negócios aos 97.525,91 pontos, queda de 0,50%. Apesar da perda de fôlego nesta sexta-feira, o índice acumulou alta de 2,29% na semana e zerou as perdas no mês. 

Entre as blue chips mais ligadas ao ambiente externo, os papéis PN da Petrobras caíram 0,41%, na contramão da alta superior a 2% das cotações do petróleo. Já a ação da Vale subiu 0,48%, a despeito da prisão pela manhã de oito funcionários da companhia, envolvidos na investigação sobre o rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

Entre as maiores queda do Ibovespa, estiveram as ações da Kroton (-6,21%) e da Estácio (-5,20%), abaladas pela intenção de Bolsonaro de dar início a uma "Lava Jato da Educação", para garantir que investimentos na área sejam bem aplicados. Para o analista da Necton Álvaro Frasson, uma correção do Ibovespa era esperada, já que a alta de quinta foi muito forte e em pouquíssimo tempo, o que acabou gerando excessos. 

Além disso, o fato de a economia brasileira se recuperar em ritmo mais lento que o esperado - como mostrou o IBC-Br de 2018 (alta de 1,15%, abaixo da mediana de 1,30% apurada pelo Projeções Broadcast)- diminuiu um pouco o apetite dos investidores. "Com a atividade fraca e a possibilidade de revisão das projeções para o PIB, houve espaço para uma realização na bolsa", diz Frasson. 

Para um experiente operador, com a proximidade do vencimento de opções de ações, na segunda-feira, e a 'gordura' acumulada na arrancada de quinta, o investidor que acabou deixando de lado o bom humor externo e certo otimismo com o possível desenlace da disputa entre Carlos Bolsonaro, filho do presidente, e o Secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno. "Os movimentos na bolsa foram mais técnicos, não houve influência do componente político, como se viu no dólar e nos juros", afirma. 

O Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, apurou ao longo da tarde que o presidente Jair Bolsonaro teria decidido manter Bebianno no cargo e afastar seu filho Carlos de questões relacionadas ao governo. A pacificação no Palácio do Planalto é vista pelo mercado como essencial para que haja uma interlocução fluida no Congresso.

Com os negócios praticamente encerrados, a colunista Sonia Racy informou que a permanência do secretário-geral da Presidência não estava garantida. Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu mais uma vez a capacidade de articulação política de Bebianno e sinalizou que, caso o governo demore a resolver o imbróglio, há risco para o andamento da reforma da Previdência. 

Taxas de juros 

Os juros futuros encerraram a sessão regular desta sexta-feira em queda, mais acentuada na ponta longa, refletindo a repercussão positiva dos principais pontos da reforma da Previdência apresentados na quinta-feira e os sinais de manutenção do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebbiano, no cargo. Os dados econômicos divulgados nesta sexta, IBC-Br e IGP-10, acabaram ficando em segundo plano.

Também ajudou na desinclinação da curva o ambiente externo, dada a melhora na perspectiva de acordo comercial entre China e Estados Unidos. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,370%, de 6,415% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 7,001% no ajuste de ontem para 6,930%. 

A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 8,02%, de 8,122%, e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 8,662% para 8,53%. Na quinta, o secretário da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, informou que o presidente Jair Bolsonaro concordou com as idades mínimas de 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens) para a aposentadoria, com período de transição de 12 anos. 

A proposta garante uma economia de R$ 1,1 trilhão nas despesas. O texto completo será divulgado na próxima quarta-feira, quando será enviado ao Congresso. "Essa economia robusta agrada ao mercado, mesmo que possa ser desaguada no Congresso", disse a gestora de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos, Patricia Pereira. Interlocutores do presidente afirmam que ele decidiu atender aos apelos políticos e manter Bebianno, o que é visto com alívio pelo mercado. 

Nesta sexta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) voltou a defender a capacidade de articulação do ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, e sinalizou que, caso o governo demorasse a resolver a questão, haveria risco para a reforma da Previdência.

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