Dólar tem nova alta e fecha no maior nível em 20 dias
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Dólar tem nova alta e fecha no maior nível em 20 dias

Com diminuição das perdas na reta final dos negócios Ibovespa terminou em queda de 0,17%

Por
AE

Moeda americana terminou dia a R$ 4,27

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Indicadores mais fracos que o esperado da economia alemã e da zona do euro desencadearam nesta segunda-feira nova onda de preocupação com a piora da economia mundial. O aumento da aversão ao risco fez investidores deixarem ativos de mercados emergentes, o que contribuiu para novo dia de alta da moeda americana aqui. No mercado à vista, o dólar fechou no maior nível em 20 dias, a R$ 4,1714, em alta de 0,43%.

A percepção de piora da atividade mundial pressionou os preços de algumas commodities. Com isso, as moedas da América Latina, exportadoras destes produtos, tiveram o pior desempenho no mercado financeiro mundial. O dólar subiu 0,38% na Colômbia, 0,15% no Chile, 0,23% no México e 0,45% na Argentina. Nas divisas fortes, a moeda americana ganhou força ante o euro, a libra e o franco suíço.

Nesta segunda-feira, indicadores da indústria e serviços de setembro da Alemanha e da zona do euro vieram todos abaixo do previsto, o que realimentou o temor dos investidores de piora da economia mundial. "Os dados de hoje sugerem que uma recessão está se aproximando na eurozona", afirma o economista do banco alemão Commerzbank, Ralph Solveen, afastando chance de melhora da atividade este ano, apesar das medidas recentes de estímulo do Banco Central Europeu (BCE). "Ao contrário, o risco de recessão está aumentando", afirma ele em relatório.

"Há uma percepção de risco crescente com emergentes", avalia o estrategista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, destacando que os efeitos da guerra comercial entre China e Estados Unidos começam a pesar na atividade econômica do planeta, assustando os investidores. Neste ambiente, a redução do diferencial de juros entre o Brasil e os países desenvolvidos é um fator a mais para pressionar o real. Com mais cortes de juros pela frente, o ponto de equilíbrio no câmbio brasileiro pode ser com um real mais depreciado, ressalta Lima.

Operadores relataram mais cedo saída de capital, com investidores mais especulativos buscando retornos em outros emergentes, como México, África do Sul e Rússia. No mercado local de câmbio, a segunda-feira foi de baixo volume de negócios, ecoando o movimento fraco também na bolsa e no mercado de juros. A agenda da semana começa a ganhar força nesta terça-feira, com o discurso de Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU e a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Bovespa

O mercado acionário doméstico abriu a semana em marcha lenta. Em um pregão de liquidez muito reduzida (R$ 11 bilhões), o Ibovespa oscilou cerca de 800 pontos entre a máxima e a mínima, sempre no patamar dos 104 mil pontos. Com diminuição das perdas na reta final dos negócios, o principal índice da B3 encerrou esta segunda-feira em queda de 0,17%, aos 104.637,82 pontos.

Segundo operadores, preocupações com a desaceleração da economia global, em meio a dados fracos da zona do euro e ao impasse comercial entre China e Estados Unidos, mantêm os investidores na defensiva. Por aqui, tanto a aprovação da reforma da Previdência no Senado (mesmo que com algum atraso e certa desidratação) quanto o ambiente de juros menores já estão, em grande parte, refletidos nos preços das ações. A ata do Copom e o IPCA-15 de setembro, que serão divulgados nesta terça, devem corroborar o quadro de inflação comportada e espaço para mais cortes da taxa Selic.

Além disso, nesta terça haverá a votação da nova versão do parecer do relator da Previdência, Tasso Jereissati (PSDB-CE), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A votação no plenário da Casa está marcada para quarta-feira, 25. Investidores também devem monitorar nesta terça o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, após o desgaste na imagem do país por conta dos atritos com países europeus no caso das queimadas na Amazônia.

"É uma semana de definições, o que traz cerca cautela. A redução dos juros, que deveria animar a bolsa por conta da expectativa de migração de recursos para a renda variável, não teve grande efeito. Há muita preocupação com essa questão da guerra comercial entre China e Estados Unidos", afirma Ariovaldo Ferreira, gerente da mesa de renda variável da H. Commcor. "Sem fatos novos positivos, é difícil o índice deixar essa faixa entre 104 mil e 105 mil pontos", acrescenta.

Analistas observam que, na ausência de propulsores para um novo movimento ascendente do índice, investidores apenas promovem rotação de carteiras entre setores. Depois de sustentarem a alta do índice na sexta-feira, os papéis dos bancos pesaram sobre o mercado no pregão. A ação PN do Itaú caiu 0,32%. A PN do Bradesco, que operou em queda ao longo da tarde, virou na reta final e fechou em alta de 0,20%. Mesmo assim, Índice Financeiro (IFNC) amargou queda de 0,37%.

Papéis de consumo e imobiliárias também tombaram, com as ações das Lojas Renner - que representam cerca de 2,15% da carteira teórica do Ibovespa - amargando queda de 1,30%. Destaque negativo também para a queda de 2,05 dos papéis ON da Embraer (o quarto maior tombo dentro do índice), na esteira da notícia de que a Comissão Europeia de Competição vai instaurar um amplo estudo para checar práticas anticompetitivas após a oferta da Boeing pela divisão comercial da Embraer.

A queda do Ibovespa só não foi maior nesta segunda-feira por conta da alta das ações da Petrobras - PN (1,78%) e ON (0,43%) -, impulsionadas pelo avanço, embora moderado, dos preços internacionais do petróleo, e pela notícia de antecipação de R$ 8,4 bilhões dos recebíveis da Eletrobras.

Taxas de juros

Os juros futuros começaram a semana com taxas levemente pressionadas para cima, desde a parte da manhã até o fechamento da sessão regular desta segunda-feira. Com a agenda mais fraca, o mercado aproveitou o mau humor externo e a pressão no câmbio para realizar lucros, mas num movimento bem moderado, diante da crescente perspectiva de Selic abaixo de 5% até o fim do ano. Com isso, as taxas dos principais contratos fecharam com viés de alta, mas o volume foi baixo, o que caracteriza mais um ajuste técnico do que mudança de tendência.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 encerrou em 5,01%, de 4,979% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 6,081% para 6,13%. A do DI para janeiro de 2025 terminou em 6,74%, de 6,701% no ajuste da sexta-feira.

Numa segunda-feira sem destaques no noticiário local, o cenário internacional de maior cautela é que deu o tom às taxas, especialmente via câmbio, tendo as moedas de economias emergentes sendo penalizadas, mesmo com as curvas de juros fechando em vários países. No Brasil, o dólar chegou a atingir os R$ 4,18 nas máximas do dia. Esse contexto deu a senha para os investidores embolsarem uma pequena parte dos ganhos auferidos nos últimos dias. Como o comunicado do Copom sinalizou grande possibilidade de mais cortes para a taxa básica, os DIs fecharam a semana passada renovando as mínimas históricas, deixando algum espaço para recomposição de prêmios.

"Lá fora está um pouco mais feio, o que gerou mau humor nos ativos locais, puxando o dólar. As taxas tinham caído bem na semana passada. É uma realização, não tem notícia nova", afirmou Rogério Braga, diretor de Gestão de Renda Fixa e Multimercados da Quantitas Asset.

Os investidores buscaram a segurança do dólar, em meio ao receio com a economia global acentuado pela falta de evolução nas negociações entre a China e os Estados Unidos e pelos índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) na Europa publicados logo cedo. Os números penalizaram bolsas europeias e também o rendimento de papéis como Gilt britânico e o bund alemão.