O dólar teve nesta quinta-feira, sua quinta queda consecutiva e terminou o dia cotado a R$ 3,4768 no mercado à vista, com baixa de 0,26%. A moeda americana abriu em alta, chegou a subir 1,32%, mas inverteu a tendência no meio da tarde. Para evitar uma queda mais acentuada da divisa, o Banco Central promoveu leilões de contratos de swap cambial pela manhã e à tarde.
As atenções do mercado continuaram voltadas ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Depois que partidos como PP, PTB e PRB retiraram o apoio ao governo, o número de votos favoráveis à saída de Dilma aumentou rapidamente no placar do impeachment realizado pelo Grupo Estado. O último levantamento mostra que o número de votos a favor do impedimento está em 338 e os votos contra estão em 127. Há ainda 18 indecisos e 30 deputados que não responderam.
Em uma contraofensiva do governo às notícias que o enfraquecem, a Advocacia-Geral da União entrou com cinco recursos no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o processo de impeachment. Em princípio, a notícia teve pouca influência sobre os preços dos ativos. Pesaram no mercado de câmbio análises de que dificilmente o governo se sairá vencedor no STF, o que incentivou o otimismo, principalmente porque o Supremo tende a tomar uma decisão ainda hoje.
Com isso, a moeda passou a operar em terreno negativo, o que trouxe o Banco Central de volta ao mercado para ofertar swaps reversos. Pela manhã, o BC vendeu 80 mil contratos em um único leilão. À tarde, a autoridade monetária voltou com mais dois leilões, de 20 mil contratos cada, todos vendidos integralmente. Na mínima, a cotação do dólar à vista atingiu R$ 3,4654 (-0,59%).
Bovespa
A Bovespa recuou 1,39% (52.411,02 pontos) nesta quinta-feira, num movimento atribuído a uma realização de lucros e à adoção de uma postura um pouco mais cautelosa em relação ao cenário político. O volume de negócios somou R$ 8,84 bilhões.
As atenções do mercado continuaram voltadas ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A principal notícia do dia foi o anúncio de que a Advocacia-Geral da União entrou com cinco ações no STF tentando barrar o processo de impeachment. A notícia acabou por aumentar a cautela no mercado acionário, o que levou o Ibovespa a cair até 1,71% à tarde. Isso porque, se o STF receber o pedido da AGU, a votação em plenário na Câmara, prevista para domingo, seria adiada. Mesmo com a queda de hoje, o Ibovespa ainda acumula alta de 4,71% em abril e de 20,90% no ano.
Taxas de juros
As taxas de juros negociadas no mercado futuro tiveram nesta quinta-feira, 14, o quinto dia consecutivo de quedas. Depois da forte movimentação dos últimos dias, hoje as oscilações foram mais moderadas. O cenário político permaneceu no radar dos investidores, que agora operam na expectativa pela votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara.
Segundo profissionais do mercado, a aprovação do impeachment está praticamente toda precificada, o que justifica a redução do ritmo de ajustes das taxas. Ao final dos negócios do período regular da BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 ficou com taxa de 13,65%, estável ante o ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2018 terminou o dia em 13,11%, ante 13,17% do ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2021 recuou para 13,04%, contra 13,14% de ontem.
Pela manhã, foi revelado que a inflação de abril medida pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) subiu 0,40% após alta de 0,58% em março, dentro das projeções dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam variação de 0,28% a 0,45%, com mediana de 0,38%.
Dólar tem quinta queda seguida e fecha a R$ 3,47
Banco Central promoveu leilões de contrato para evitar uma queda mais acentuada