Economia

Dólar volta a cair e fecha a R$ 5,86 com acirramento da guerra comercial

Real apresentou desempenho inferior a de seus principais pares

Real apresentou desempenho inferior a de seus principais pares
Real apresentou desempenho inferior a de seus principais pares Foto : JADE GAO / AFP

O acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China voltou a afastar investidores de ativos norte-americanos, levando a uma nova rodada de queda global do dólar. O real apresentou desempenho inferior a de seus principais pares, à exceção do peso chileno, o que pode refletir tanto questões técnicas quanto ruídos fiscais com divulgação na terça-feira do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).

Com máxima a R$ 5,9158 e mínima a R$ 5,8525, o dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira, 16, em baixa de 0,42%, cotado a R$ 5,8650. Em abril, a moeda apresenta valorização de 2,80% em relação ao real. No ano, as perdas, que já chegaram a superar 8%, são agora de 5,10%.

Na queda de braço entre Estados Unidos e China, o governo americano impôs nesta terça à noite restrições para vendas de chips da empresas de tecnologia Nvidia e da AMD para os chineses, derrubando as bolsas em Nova York. A medida vem depois de a China proibir a entrega de jatos da Boeing a companhias áreas do país.

No meio da escalada das tensões comerciais, veio uma nota positiva para a economia global. O PIB da China surpreendeu no primeiro trimestre, ao crescer 5,4% na comparação anual, acima das expectativas de economistas (5,1%).

A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, vê o movimento da taxa de câmbio nesta quarta muito ligado ao ambiente externo, uma vez que outras divisas emergentes, inclusive as latino-americanas, também estão se apreciaram em relação ao dólar.

'O crescimento da China favoreceu essa melhora do apetite por essas divisas. A fraqueza do dólar lá fora também está ligada a esse modelo mais agressivo de negociação do presidente dos EUA com a China', afirma Quartaroli, para quem a questão fiscal, com 'desconforto' em relação aos números do PLDO 'teve menos impacto' que a questão externa no câmbio.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY voltou a furar o piso dos 100,000 pontos, com mínima aos 99,174 pontos à tarde, em linha com as mínimas das taxas dos Treasuries, após fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Franco suíço, visto como porto seguro, subiu mais de 1%.

Indicadores econômicos dos EUA divulgados nesta quarta - como o crescimento além do esperado das vendas do varejo em março - mostram que a economia americana segue saudável, mas as expectativas de crescimento e inflação pioram em razão do tarifaço.

Em discurso à tarde, Powell observou que o nível das tarifas já anunciadas é 'significativamente maior do que o previsto', o que deve se traduzir em inflação mais alta e crescimento mais lento. Powell acredita que haverá um repique transitório da inflação, mas ressaltou que os efeitos do choque tarifário nos preços podem ser mais persistentes.

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