O dólar à vista voltou a recuar e fechou cotado a R$ 3,452 nesta quinta-feira, com baixa de 0,83% em relação ao real. A queda se deu diante de um cenário de grande incerteza no mercado internacional, mas ainda com a percepção de que o quadro interno se mostra mais ameno.
A moeda americana abriu com forte alta, de 1,09%, cotado a R$ 3,519, sob o efeito das preocupações com a expressiva queda das bolsas chinesas, declínio dos preços das commodities, tensão na Grécia e dados econômicos americanos. Enquanto analistas buscavam antever os próximos passos da política monetária dos EUA, o mercado brasileiro acabou por retomar a correção do câmbio vista nos últimos dias, com a desmontagem de posições compradas. Para a virada para baixo, contribuiu a forte resistência do dólar ao patamar dos R$ 3,50, em um momento em que o cenário político se mostra menos adverso que no mês passado.
Durante todo o dia o mercado operou atento à expectativa de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fosse denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no âmbito da Operação Lava Jato. A denúncia, concretizada há poucos minutos, é mais um fator de enfraquecimento do deputado, o que favorece o governo. Há expectativa de que Cunha divulgue nota sobre o fato, alegando ser alvo de um "acordão" contra ele.
Outro destaque do dia foi o discurso do diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Tony Volpon, em reunião com investidores em Nova York. Ele disse que manter a taxa básica de juros no atual nível por um período suficientemente longo é condição necessária para o BC cumprir seu compromisso de trazer a inflação à meta no fim de 2016. Volpon afirmou ainda que as mudanças de política monetária pelo BC, como ciclo de alta de juros, levarão a uma menor inércia da inflação. Às 16h38, o dólar futuro com vencimento em setembro
caía 1,27%, cotado a R$ 3,463.
Bovespa
A recuperação exibida na reta final da sessão não encontrou respaldo no noticiário, comentaram profissionais de renda variável. Os indicadores espremidos da Bovespa podem ter favorecido a içada do índice, da mesma forma que o volume fraco também facilitou o direcionamento, já que qualquer negócio acaba tendo amplitude no índice.
Essa inversão aconteceu com a melhora de ações do setor financeiro, Ambev e elétricas. BB ON subiu 1,03%, Itaú Unibanco PN, 0,23%, mas Bradesco PN caiu 0,81% e Santander unit, -0,56%. Ambev fechou com ganho de 1,26%. Cesp PNB subiu 2,51%, Cemig PN, 2,37%, Copel PNB, 0,35%, CPFL Energia ON, 0,29%, Eletrobras ON, 1,22%, Eletrobras PNB, 3,12%.
Mais cedo, no entanto, os papéis de bancos vinham em baixa diante da previsão de que o setor será mais tributado, com a MP 675, que eleva de 15% para 23% a alíquota da CSLL. Ainda segue no horizonte o fim da dedutibilidade do Juros sobre Capital Próprio (JCB) do pagamento do IR, que foi retirado do parecer da relatora Gleisi Hoffmann da 675, mas deve voltar futuramente como projeto de lei.
Taxas de juros
Em um dia de volatilidade nos mercados interno e externo, o mercado futuro de juros ajustou para baixa as taxas dos períodos mais curtos e nos intermediários, enquanto as mais longas permaneceram praticamente estáveis. Parte da queda é atribuída ao movimento de baixa do dólar, mas outros fatores também contribuíram.
O principal destaque do dia para o mercado de câmbio foi o discurso do diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Tony Volpon, em reunião com investidores em Nova York. Ele disse que manter a taxa básica de juros no atual nível por um período suficientemente longo é condição necessária para o BC cumprir seu compromisso de trazer a inflação à meta no fim de 2016.
A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2016 fechou com taxa de 14,175%, contra 14,21% do ajuste de ontem. O DI de janeiro de 2017 apontou taxa de 13,72% no fechamento, frente aos 13,80% anteriores. O vencimento de janeiro de 2021 terminou o dia em 13,57%, mesma taxa do ajuste anterior.
Dólar volta a recuar e fecha em R$ 3,452
Cenário político se mostra menos adverso que no mês passado