O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ser "radicalmente contra" as demandas das empresas por indenização e compensação com uma mudança na escala de trabalho 6x1.
Ele destacou que o reconhecimento de ganhos geracionais é um debate mundial, não exclusivo do Brasil, e que outros países fizeram transições semelhantes sem indenizar empresas pelo tempo de trabalho não titularizado. A declaração foi feita em audiência pública da Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre o tema.
Nesse contexto, Durigan ponderou que o Ministério da Fazenda vê a necessidade de pensar em, por exemplo, um Desenrola para pequenos negócios. "Eu defendo, sim, que é importante que a gente tenha esse tipo de socorro, de ajuda para o pequeno negócio", afirmou o ministro. Ele ressaltou a importância de capacitação, mencionando instituições como Sebrae e Senar, e a necessidade de o Estado oferecer linhas de crédito e auxílio na transformação digital e ecológica, visando ganhos de eficiência e sustentabilidade para o País.
- Durigan: programa de renegociação de dívidas está pronto para ser anunciado na volta de Lula
- Compensação ao fim da escala 6x1 é produtividade, afirma Marinho
Para o ministro, com o eventual fim da escala de trabalho 6x1, a realidade vai mudar, exigindo otimização da dinâmica de trabalho e correção de gargalos de eficiência nas empresas.
Na visão de Durigan, da mesma forma que a política de valorização do salário mínimo forçou, de certa forma, um aumento de renda, a mudança da jornada tende a forçar um ganho de produtividade para ambos os lados. "O trabalhador vai ser exigido a cumprir a sua jornada reduzida, com mais eficiência, para que ele entregue o mesmo trabalho e não gere redução do crescimento econômico, ou da geração de riqueza que hoje o faz", explicou.
Segundo o ministro, a informalidade também tende a diminuir com a redução da jornada, gerando mais estabilidade e satisfação para os trabalhadores. Ele enfatizou que, mesmo com a redução da jornada sem diminuição do trabalho, a negociação coletiva será crucial para a acomodação e os ajustes necessários entre o setor patronal e o setor trabalhista.