O dólar encerrou o último pregão do mês em alta e acima dos R$ 3,60 no mercado à vista, sustentado por incertezas no Brasil e expectativa de elevação de juros nos EUA.
O dólar à vista terminou nesta terça-feira com alta de 0,92%, aos R$ 3,6111 - maior valor desde o fechamento em 7 de abril deste ano, a R$ 3,6855. Na máxima da sessão, registrada durante a tarde, atingiu R$ 3,6353 (+1,59%) - maior valor intraday desde 9 de maio de 2016 (a R$ 3,6721). A mínima, pela manhã, foi de R$ 3,5558 (-0,63%). Em maio, a moeda acumulou alta de 5,05%, mas em 2016 computa baixa de 8,81%.
No mercado futuro, às 17h15, o dólar com vencimento em 1º de julho, que passa a concentrar a liquidez a partir de hoje, estava em alta de 1,04%, aos R$ 3,6415. A máxima foi de R$ 3,6710 (+1,86%) e a mínima, a R$ 3,5880 (-0,44%).
O principal catalisador do movimento durante a tarde foi a notícia do indiciamento do presidente do Bradesco no inquérito da Operação Zelotes. Também foi embutida na alta do dólar a queda do petróleo e dados mistos da economia dos Estados Unidos, que fortaleceram a percepção sobre a iminente elevação de juros no país.
O ganho da moeda norte-americana só não foi maior por causa da realização de dois leilões de linha, que ajudaram a conter a valorização de preços, segundo operadores das mesas de câmbio. As operações, que equivalem a empréstimo em dólares com prazo de recompra programado pelo BC, ocorreram em dia de definição da última taxa Ptax do mês. Apesar da alta no mercado à vista, a última taxa Ptax de maio caiu 0,13%, para R$ 3,5951.
Bovespa
Em um dia marcado por incertezas nos cenários interno e externo, a Bovespa fechou em queda de 1,01%, aos 48.471,70 pontos, nesta terça-feira, 31. A possibilidade de elevação dos juros nos Estados Unidos, a instabilidade das commodities e o desconforto com o cenário político doméstico foram apenas alguns dos motivos para a cautela do investidor da renda variável.
A queda do dia foi determinada pelo setor financeiro, responsável por cerca de 25% da carteira do Ibovespa. Os papéis foram puxados pelas ações do Bradesco, que aceleraram as perdas à tarde, depois da notícia de que a Polícia Federal indiciou o presidente, Luiz Carlos Trabuco, e dois executivos do banco no inquérito da Operação Zelotes que investiga compra de decisões no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Em nota, o Bradesco nega a contração de serviços ou negociação de Trabuco com o grupo investigado pela PF. Ainda assim, Bradesco PN terminou o dia em queda de 5,00% e Bradesco ON recuou 3,69%.
O cenário político doméstico foi fator de desconforto durante todo o dia e, segundo operadores, também influenciou o mercado, por incentivar maior cautela. Depois de Romero Jucá ter deixado o Ministério do Planejamento, na semana passada, ontem foi a vez de Fabiano Silveira pedir demissão do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. A segunda baixa do governo Temer, que teve início no último dia 12, também está relacionada à revelação de áudios comprometedores. Assim como Jucá, Silveira foi flagrado articulando contra a Operação Lava Jato.
O petróleo chegou a subir pela manhã, contribuindo para a alta da Bovespa no início dos negócios, mas inverteu a tendência à tarde e arrastou as bolsas americanas. Com isso, Petrobras ON e PN tiveram queda de 3,78% e de 4,06%, respectivamente. Já a alta do dólar alimentou as ações de empresas exportadoras, que se destacaram em alta. Fibria ON disparou 5,03%, beneficiada também pelo anúncio de reajuste de preços da celulose. Com o resultado de hoje, o Índice Bovespa terminou o mês contabilizando queda de 10,09%.
Taxas de juros
O dólar em alta e as tensões no cenário político também puxaram para cima boa parte dos juros futuros nesta terça-feira marcada pela volta do investidor estrangeiro após o feriado nos Estados Unidos e em Londres, ontem. Uma série de notícias que sugerem dificuldade na aprovação da pauta econômica no Congresso e até mesmo o risco de retorno da presidente afastada, Dilma Rousseff, trouxeram cautela aos negócios, com avanço pouco mais firme no trecho longo da curva.
Ao término da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 indicou 13,645% (185.130 contratos), de 13,635% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2018 (222.210 contratos) ficou quase estável, em 12,82%, de 12,81% no último ajuste. O DI janeiro de 2019 (164.485 contratos) fechou em 12,75%, de 12,70%. Nos longos, o DI janeiro de 2021 subiu para 12,85%, de 12,74%, com 107.960 contratos. Perto das 16h30, o dólar à vista subia 1,23%, a R$ 3,6223.
O mercado já amanheceu na defensiva, repercutindo o pedido de demissão de Fabiano Silveira, ministro da Transparência. Houve ainda a informação de que a Odebrecht e o Ministério Público formalizaram negociação de leniência no âmbito da Lava Jato. Além disso, os senadores Romário (PSB-RJ) e Acir Gurgacz (PDT-RO) teriam admitido, segundo o jornal O Globo, a possibilidade de votar contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) no Senado, o que aumentou o desconforto do investidor. Gurgacz afirmou que ainda não tem posição formada sobre o julgamento.
Profissionais citaram ainda uma certa frustração com a informação de que não haverá tempo hábil para o indicado para comandar o Banco Central, Ilan Goldfajn, participar da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana. A expectativa era de que Ilan pudesse ser ouvido amanhã na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, mas a presidente de Comissão, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), marcou a sabatina para a próxima terça-feira, primeiro dia da reunião de política monetária.
À tarde, houve uma piora generalizada nos ativos domésticos e os juros aceleraram a alta, após a Coluna do Estadão trazer o indiciamento do presidente do Bradesco no inquérito da Operação Zelotes.
Em meio a incertezas, Bovespa cai 1,01% e dólar sobe 0,92%
Moeda americana terminou esta terça-feira cotada em R$ 3,6111 à vista