O segundo e último dia do 2º Encontro Sul-Brasileiro de Distribuição de Veículos Automotores foi marcado por palestras técnicas sobre gestão de negócios para concessionárias, com destaque para temas como o uso de inteligência artificial (IA) e sucessão familiar. Promovido em parceria pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) com os sindicatos dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Rio Grande do Sul (Sincodiv-RS) e de Santa Catarina (Sincodiv-SC), o evento teve início na segunda-feira, em Balneário Camboriú.
Na primeira palestra desta terça-feira, o presidente do Sincodiv da Paraíba, José Carneiro, trouxe reflexões a partir das discussões promovidas no encontro norte-americano do setor, realizado em fevereiro, em Las Vegas. Em seu painel, intitulado “IA na Gestão de Pessoas, transformando intenções em resultados”, o empresário destacou a necessidade do fomento da interação entre humano e inteligência artificial na gestão de processos dentro das concessionárias de veículos.
Mesmo com a mudança estrutural que a tecnologia está agregando no dia a dia das empresas, ele reforçou o papel do fator humano nas decisões e no desenvolvimento de relações com clientes. Ele apresentou dados de um estudo feito pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) no setor de concessionárias, que apontou que 40% das tarefas utilizadas em ferramentas comerciais devem ser automatizadas com o uso da IA.
Além disso, Carneiro citou algumas das áreas no dia a dia das empresas em que ferramentas do tipo poderão atuar e outras nas quais o fator humano seguirá sendo fundamental. Para ele, a IA deverá ser utilizada na conversação com clientes nas fases iniciais de atendimento, como forma de “esquentar” o lead, na criatividade e no contexto a partir da adaptação dessas soluções para as necessidades do negócio.
Já entre as situações onde o fator humano prevalecerá, ele destacou a tomada de decisão, mesmo que baseada em dados filtrados por ferramentas, a empatia e a inteligência cultural para ler e entender as necessidades dos clientes e fomentar relacionamentos, e a formação de equipes, a partir da construção de papéis de liderança. “A decisão e o julgamento são algo absolutamente humano. É essa capacidade que nos diferencia das IAs e vamos precisar trabalhá-las cada vez mais”, disse Carneiro.
Por conta desse papel decisivo por parte dos profissionais, apoiado por ferramentas de inteligência artificial, o presidente do Sincodiv-PB ressaltou a importância da formação e atualização das equipes para essa nova realidade. “As máquinas sempre vão processar e preparar dados para acelerar nossos processos, mas os humanos sempre tomarão as decisões finais”, completou.
Carneiro também ponderou que uma das principais características das IA é a possibilidade de flexibilização e personalização, com foco em atender as necessidades de cada negócio. Além disso, ele ressaltou que é preciso mudar o comportamento cultural que faz os profissionais temerem esse tipo de solução baseada em tecnologia.
“É normal ter medo do desconhecido. Só que quanto mais gente tiver integrada e sem medo da mudança, melhor serão os processos. Mas muitas coisas precisam mudar, pois é uma mudança estrutural que não tem volta. Por isso indico que treinem suas equipes com agilidade e atualização. Façam pequenos testes com ferramentas de IA, a partir das suas necessidades, e implementem essas soluções aos poucos”, finalizou.
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Sucessão familiar e o futuro dos negócios
À tarde, um dos destaques da programação de palestras do 2º Encontro Sul-Brasileiro de Distribuição de Veículos Automotores foi o painel ministrado pela coordenadora acadêmica da academia de negócios da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc Negócios), Patrice Gaidzinski, sobre sucessão familiar. Em sua palestra, a consultora e psicóloga destacou a importância de um planejamento adequado para o processo de sucessão no ambiente de negócios, principalmente no setor automotivo.
"Sucessão não é um evento. É um processo onde a família controladora de um negócio precisa pensar nele não apenas em sua gestão, mas na estruturação a longo prazo e nos seus líderes. Planejamento estratégico e estruturas de governança corporativa ajudam nessa conversa. O negócio não é um reinado familiar onde o filho mais velho vai ser rei. É uma empresa que tem na família os seus valores, mas que precisa dar espaço para que novos gerentes, novos diretores possam surgir. Para isso, às vezes, o dono do negócio sai da gestão e passa a ocupar um papel de conselheiro e mentor, criando um sistema de acompanhamento no processo de sucessão", explicou.