O crescimento da demanda por energias renováveis, especialmente o biogás e o biometano, tem impulsionado novos investimentos no Rio Grande do Sul. Com o protagonismo em diferentes esferas, muitos projetos se destacam e atraem interesse de investidores. Em painel no 6º Fórum de Energias Renováveis, realizado pelo Correio do Povo e pelo Sindienergia-RS e que ocorre nesta terça-feira no Teatro CIEE-RS Banrisul, representantes de companhias e cooperativas destacaram como a energia limpa tornou-se motor do mercado e estão não apenas sendo motor de investimento, mas impulsionando iniciativas de descarbonização e consumo sustentável para outras empresas.
O encontro contou com falas de Carolina Bahia, gerente-executiva Institucional & Cliente da Sulgás; Liliani Cafruni, diretora de Sustentabilidade da Corsan Aegea; Aurélio Ferreira, diretor de Desenvolvimento e Estratégia da Ultragaz; Mateus Stefanello, presidente da Coprel; e Alexander Nunes Leitzke, gerente de Planejamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
Para Carolina, é urgente discutir a segurança energética, que precisa estar no topo das prioridades. "Nosso Estado vai crescer e atrair mais indústrias, e precisa de uma matriz energética firme, segura e ligada à transição energética, cada vez mais atendendo às demandas atuais”, disse. A Sulgás, distribuidora de gás natural no Rio Grande do Sul, trabalha com a chamada "energia firme", com gás 100% renovável. Entre os projetos da companhia, está o Sulgás BioHub, lançado neste ano, que incentiva o aumento da produção de biometano no RS. A iniciativa surgiu por conta do interesse de diferentes empreendedores em desenvolver a usina de biometano devido à demanda verde.
A Aegea também tem trabalhado com estratégias de geração de energia elétrica renovável. A companhia, que atende 317 municípios, possui como pilar estratégico o trabalho com 39 mil MWh/mês, equivalente a 145 mil residências. Liliani lembrou que a empresa de saneamento não trabalha sem energia. Desde 2020, começou sua migração para a sustentabilidade. A empresa também trabalha, atualmente, com dez projetos de iniciativas de biomassa e de energia solar, em municípios como Itaqui, Santa Maria e Crissiumal. Há também plantas de usinas fotovoltaicas em São Lourenço do Sul, Três Passos e Nonoai, entre outros municípios.
O desafio para a empresa está no esgotamento sanitário. Hoje, apenas 29,5% do esgoto tem sua cobertura, e é necessário um investimento de R$ 15 bilhões para a universalização. "Ainda é um desafio significativo para o Estado. Não consigo ver um estado desenvolvido sem saneamento", apontou a executiva.
Ferreira visualiza que a energia renovável é a nova tendência, e que o Rio Grande do Sul é vanguardista no setor. Ele trouxe o exemplo que a Ultragaz vem fazendo no investimento de energia em biometano. A empresa, pioneira em GLP no Brasil, atende 11 milhões de domicílios na entrega de botijões de gás. O diretor tratou do modelo de atuação realizado, com a aplicação industrial e veicular. Neste mês, a empresa vai entrar com uma nova unidade de aterro em São Leopoldo. Somando-se à de Minas do Leão, serão 100 metros cúbicos de biometano disponível diariamente no mercado.
Ele destacou a importância do modelo voluntário por parte das empresas, diante das metas de descarbonização em projetos. O grande desafio, no entanto, está na aquisição de novos veículos, pois ainda há poucos caminhões a gás em operação. Ferreira ressaltou a importância de trabalhar políticas que incentivem a conversão de frotas.
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Oferecendo assessoria estratégica para planejar e comprar energia, a Coprel atua em 72 municípios, tem em torno de 18 mil quilômetros de linha de transmissão e começou sua história com o objetivo de levar energia a locais desabastecidos. O presidente da cooperativa lembrou que, há pelo menos 50 anos, não havia eletrificação em áreas do Interior. Em sua fala, Stefanello também destacou os projetos da cooperativa voltados à energia renovável.
A Coprel apoia alguns projetos, como o da Soli3, em Cruz Alta, voltado ao biodiesel, e também a Be8, em Passo Fundo, para a comercialização do biodiesel, já que a cooperativa tem disponibilidade de energia por meio de subestações que são implantadas. "As empresas vêm nos procurando para que realmente seja um diferencial, e aponte os melhores locais para fazer a implantação dos empreendimentos."
Leitzke destacou como o BRDE vem trabalhando para centralizar os recursos do país para a Região Sul, a fim de viabilizar investimentos, principalmente, em um cenário de elevação nas taxas de juros, que trava a economia. Entre as ações, há parcerias para projetos de infraestrutura. Foram alguns editais lançados a partir do Fundo Verde, voltado a programas de sustentabilidade, além de outros projetos de impacto social em regiões atingidas pelas enchentes.
“Entendemos que, ao apoiar os projetos, a melhor forma possível é trazer as melhores condições financeiras, menores taxas de juros e maior prazo. Essas variáveis, juntas, realmente ajudam a viabilizar os projetos e tirá-los da gaveta, como os de geração de energia, de distribuição, de biomassa e biogás e assim por diante”, disse.
O Fórum de Energias Renováveis é realizado pelo Correio do Povo e pelo Sindienergia-RS. O evento conta com patrocínio de Corsan, BRDE, Senar, Sulgás e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, além do apoio do CIEE-RS.