Entidades aguardam com expectativa flexibilizações ao comércio em Porto Alegre

Entidades aguardam com expectativa flexibilizações ao comércio em Porto Alegre

Após reunião, prefeito indicou que prepara novo decreto para a retomada gradual da atividade econômica na próxima semana

Por
Correio do Povo

Comércio reabriu sem restrições de horários nesta sexta-feira e ficará aberto até domingo


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O prefeito Nelson Marchezan Júnior pretende editar um amplo decreto, cujo teor deve ser conhecido neste sábado, liberando as atividades econômicas a partir da próxima semana em Porto Alegre. A decisão foi tomada após reunião de mais de 10 horas nesta sexta-feira com representantes de entidades empresariais e de ensino, que avaliaram positivamente o encontro e a possibilidade de retomar as atividades no comércio.

CDL - Uma das entidades que representa o comércio, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL) Porto Alegre, se mostra muito satisfeita com o resultado do encontro o prefeito Nelson Marchezan Júnior. Apesar da abertura em horário livre dos estabelecimentos no período que antecede o Dia dos Pais, segundo o presidente da entidade, Irio Piva, a partir da semana que vem o segmento vai seguir aberto, mas com horários escalonados. “Ele sinalizou para a gente a volta da abertura do comércio. Mas dentro de determinados critérios, como horários diferenciados para alguns setores. Segundo ele (o prefeito), é o setor mais complexo, com o maior número de pessoas envolvidas. Uma área bem importante”, enfatiza Piva.

Foram fornecidas planilhas com as sugestões de escalonamento de horários. “Exatamente como vai funcionar, a gente não sabe. Vai depender do que constar no decreto”, explica.  A CDL também descartou a abertura por duas semanas e uma fechada. Entretanto, Piva diz que os comerciantes se colocaram à disposição a acatar novas medidas mais duras, caso se tenha uma piora significativa no quadro. “Faço um apelo às pessoas se cuidarem. É algo muito importante. Com uma economia fraca, com tudo fechado, não tem impostos, não tem renda. Para que a gente possa manter os negócios funcionando, precisamos que todas as pessoas mantenham os cuidados. Aí todo mundo ganha”, implora.

SECOVI - O presidente do Sindicato Intermunicipal das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais do Rio Grande Do Sul (Secovi/RS), Moacyr Schukster, esteve reunido com o prefeito, no encontro com o setor da construção civil. “Foi muito produtivo. O prefeito nos ouviu, as nossas dificuldades e problemas e se mostrou muito receptivo e compreensivo. Com isso se municiou mais um pouco o que pensa o pessoal das imobiliárias. Acredito que o prefeito vai considerar nossas colocações”, relata.

A entidade refutou o abre e fecha e defendeu que se aprenda a conviver com a pandemia. “Propusemos uma liberação controlada: não convém o abre e fecha. O que importa é mantermos uma convivência com a pandemia. Essa foi uma das tônicas do que se falou com o prefeito e pedimos, que ele nos liberasse com 50% da capacidade”, afirma.  

SINDUSCON - O prefeito se mostrou bastante compreensivo e sensível à questão do risco do desemprego, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon/RS), Aquiles Dal Molin Junior, que também é coordenador do Comitê de Construção Civil da Federação das Indústrias do Estado do RS (Fiergs). “Concordamos com a retomada das atividades sem aquela semana intermitente. Mas enfim, foi o reconhecimento de que o setor tem baixo risco de contágio de Covid-19. Mas solicitou que as empresas cumpram rigorosamente os protocolos de prevenção”.

Também aproveitou para frisar que a retomada do setor vem em boa hora. “É um momento muito propício, já que o mercado imobiliário está aquecido, por que as pessoas querem um imóvel melhor e os investidores querem um investimento seguro com valorização. Tudo isso faz com que o setor possa ser a locomotiva para recuperação econômica, cumprindo com os papéis econômico e social de geração de empregos e pagamento de impostos”, conclui.

SINDHA - Para o presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (Sindha), Henry Chmelnitsky, a reunião gera expectativas positivas, mas ainda há cautela na "empolgação" para reabrir bares e restaurantes. "Ainda não sabemos se seremos atendidos, mas a expectativa é boa. Reforçamos ao prefeito que o nosso segmento sempre esteve aliado à saúde, com suas preocupações e protocolos, e assim seguimos. É justamente isso que nos motiva a pedir o retorno de nossas operações, alinhado às demais aberturas que ocorrerão. A população já está nas ruas e precisarão, em algum momento, recorrer à alimentação. Para isso, estaremos prontos e com ambientes extremamente seguros para receber", assegura.

Na meta de sensibilizar a administração municipal, Chmelnitsky deixou claro a situação dramática do ramo de gastronomia. “Ponderamos ao prefeito de que esse decreto tenha um equilíbrio econômico adequado porque a categoria está sangrando. Nos preocupamos com qualquer formato que nos coloque em um lockdown e também é por isso que batemos na tecla da reabertura responsável e sustentável. Estamos comprometidos com isso", finaliza.

ABRASEL - A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul (Abrasel/RS) interpretou como resultado do encontro com Marchezan, como a possibilidade de a partir de segunda-feira os restaurantes abrirem as portas dos salões, depois de mais de 130 dias fechados. “Toda flexibilização é uma boa notícia para o setor. Desde o fechamento temos buscado soluções para definir um protocolo de reabertura gradual e segura para o setor de alimentação e pela primeira vez evoluímos nessa discussão. Nesta reunião pleiteamos o que era essencial para garantir que os restaurantes pudessem abrir e manter viva a estrutura da operação”, conta a presidente da Abrasel no RS, Maria Fernanda Tartoni.

Conforme a associação, a Prefeitura não definiu em reunião quais serão as restrições de dias e horários para o funcionamento das operações de alimentação. “Nós solicitamos ao Prefeito que avaliasse uma abertura de segunda a domingo, pois um funcionamento de segunda a sexta-feira somente ao meio dia inviabiliza a operação de muitos estabelecimentos. Também pedimos que fosse liberado o passeio público, autorizando os restaurantes a colocarem mesas nas calçadas para ampliar a atuação”, pontua a presidente.

A entidade aguarda a publicação do novo decreto para avaliar quais medidas serão estabelecidas pelo Paço Municipal e de que forma irá impactar nas operações do setor de alimentação a partir da próxima semana. “Aguardamos que sejam medidas coerentes e que tenham levado em consideração todas as nossas solicitações”, finaliza Maria Fernanda.

AGAS - A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), por meio do presidente Antonio Longo e demais dirigentes das principais redes que atuam na Capital, participaram de encontro com o prefeito Marchezan na tarde desta sexta-feira. Entretanto, o setor não vai ter nenhuma mudança na forma como já vem operando durante a pandemia. “Apenas acatamos os pedidos do prefeito e vamos reiterar aos associados que evitem aglomerações - "Controlem acessos, redobrem os cuidados como já vêm fazendo", disse ele pra gente”, afirma longo.

Dois setores seguem aguardando avanço nas flexibilizações

O setor de educação e o de eventos ainda amargam prejuízos com a longa espera em retomar as atividades. O Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS) já tem até data e protocolos prontos para voltar a atuar. O Porto Alegre Conventions e Visitors Bureau (POACVB), organização que atua na atração de eventos para a Capital, também já tem um protocolo e pretende colocá-lo em prática em evento técnico-científico voltado para os próprios organizadores. Entretanto, com base nos setores atendidos pela Prefeitura de Porto Alegre nesta sexta-feira, ambos segmentos ficaram de fora de novas e imediatas flexibilizações.

Para o presidente do Sinepe, Bruno Eizerik, os planos não mudam para as instituições de ensino, que não esperavam nada de novo. “A própria carta que a gente encaminhou para o prefeito, previa uma volta para o dia 24 de agosto. Estamos também conversando e temos um protocolo pronto desde 8 de junho e as escolas privadas estão preparadas para atender”, garante. 

No setor de eventos, a flexibilização ainda caminha a passos lentos. A presidente do POACVB, Adriane Hilbig, afirma que o setor de eventos está buscando apostar em uma diferenciação de procedimentos dependendo do que estiver sendo realizado, como forma de liberar a realização das feiras de negócios, por exemplo. “Fizemos um comparativo de um shopping aberto e que não seria diferente de uma feira de negócios. Quando se fala em evento, as pessoas pensam em balada, em aglomeração. Mas não é isso”, destaca. 


“Temos feito uma interlocução com o governo do estado e com a prefeitura de Porto Alegre, para a aplicação de protocolos em determinados tipos de eventos. Fizemos uma propositura, um evento de aplicação do protocolo para o setor”, conta Adriane. A ideia é realizar no dia 28 um encontro específico para quem trabalha com eventos, para divulgar, explicar e experimentar o protocolo sugerido para feiras de negócios. “Dependemos só desta liberação”, aponta.