Fórum de Energias Renováveis

Agronegócio é motor da transição energética global, apontam entidades

Painel no 6º Fórum de Energias Renováveis debateu fortalecimento de cadeias produtivas para se tornarem mais sustentáveis e competitivas

Painel debateu o agronegócio como motor da transição energética
Painel debateu o agronegócio como motor da transição energética Foto : Camila Cunha

A segurança energética, como pilar de sobrevivência e desenvolvimento, apresenta uma sinergia com o campo, que tem papel de protagonismo na economia. A união torna-se peça-chave para uma transição de matriz energética limpa. Alternativas como o uso do biogás e do biometano, além da geração distribuída e da eletrificação podem aumentar a eficiência, reduzir custos e gerar novas fontes de renda ao produtor rural. É o que foi debatido no painel “Agro Verde”, do 6º Fórum de Energias Renováveis, que ocorre nesta terça-feira no Teatro do CIEE-RS Banrisul, onde representantes de entidades trataram da integração entre produção agropecuária e soluções energéticas. O evento é promovido pelo Correio do Povo, em parceria com o Sindienergia-RS.

Participaram do debate Paula Hofmeister, coordenadora da Comissão de Meio Ambiente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul); Anderson Belloli, diretor jurídico e executivo da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz-RS); e Jerônimo Goergen, presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil. (Acebra). A mediação do painel foi do diretor de Eólicas do Sindienergia-RS, Guilherme Sari, que destacou a importância de relacionar o agronegócio com a economia no RS.

O agronegócio é o motor definitivo da transição energética global e principalmente do Brasil, que já é considerado modelo com o maior índice de energia renovável, apontou Paula. Diante do maior desafio global das mudanças climáticas, investimentos na agropecuária tropical e brasileira, além da agricultura de baixo carbono, de práticas de produção e foco em bioenergias, entram no hall da transição energética.

“As lavouras brasileiras são um eixo estratégico, tanto na segurança alimentar como na segurança climática. A gente tem nossa base de agricultura, da produção agropecuária através do plano de Agricultura de Baixo Carbono, que já foi levado para os fóruns internacionais mais bem embasados. Dentro das COPs (Conferência das Partes), a gente já colocou o plano ABC como modelo internacional de agricultura sustentável e a ser replicado nos demais países”, destacou.

Belloli apontou que falta entendimento do governo e da própria sociedade em geral em termos de produção. Ele lembrou que foi dobrada a área de produção agrícola nos últimos 30 anos, ao mesmo tempo que passaram de 60 milhões de toneladas de grãos para 300 milhões. “No Pampa gaúcho, passando a ponte de Guaíba, temos uma produção de arroz que produz o dobro de 20 anos atrás, com metade do diesel, metade da água, que aqui é arroz irrigado, metade do diesel utilizado há 20 anos e o dobro da produção do resto do país", disse. Ele também lembrou que o Brasil é um dos países mais sustentáveis do mundo. "Talvez nunca tivemos um ambiente tão favorável para desenvolvimento e reconhecimento desse setor que é fundamental e que pode colaborar, inclusive, para o desenvolvimento de outros, como o caso das energias limpas. Porque temos um negócio extremamente competente, que produz muito mais, mas ainda tem tantas barreiras.”

“O papel do biocombustível não é mais questão ambiental. Ele é hoje fundamental para a segurança alimentar e a segurança energética do Brasil", disse o presidente da Acebra.

Goergen critica, porém, que o país não se organizou adequadamente para administrar as energias. “O Brasil é um país reagente, não é um país que propõe. Ele vê que tem que correr atrás e, agora, vamos correr atrás.” Segundo ele, se houvesse uma verdadeira organização, o país poderia ocupar um espaço maior na transição energética e, inclusive, um país autossuficiente em diesel. O executivo lembrou que são gastos, atualmente, R$ 61 bilhões em subsídios para importação do diesel. Em sua fala, apresentou ainda uma campanha realizada pela entidade, para mostrar ao Brasil o que é o biodiesel, criando uma apropriação para ocupar o verdadeiro espaço na transição energética, que é vocação do país. “Perdemos tempo, perdemos espaço, mas nenhum país, a não ser o Brasil, tem ao natural essa capacidade de chegar bem. Se nós fizéssemos um pouco de planejamento, não tenho dúvida que seríamos imbatíveis.”

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O evento é promovido pelo Correio do Povo em parceria com o Sindienergia-RS e tem patrocínio de Corsan, BRDE, Senar, Sulgás e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, além do apoio do CIEE-RS.