O mundo mudou e a forma como consumimos energia também. Se antes painéis solares e torres eólicas eram vistos como tecnologias distantes, hoje eles são o motor de uma revolução econômica que passa, obrigatoriamente, pelo financiamento inteligente. No 6º Fórum de Energias Renováveis, em Porto Alegre, o recado foi claro: há recursos disponíveis, mas a competição por eles é digna de uma disputa por ingressos de um show pop.
O Rio Grande do Sul e a região Sul como um todo estão no epicentro dessa transformação. O BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) consolidou-se como o "Banco Verde", com 83% de sua carteira de investimentos ligada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Em entrevista exclusiva ao podcast do Correio do Povo durante o 6º Fórum de Energias Renováveis, com patrocínio de Biometano Sul e Biotérmica Energia, Alexander Leitzke, gerente de planejamento do banco, explica que o segredo não está em produtos de prateleira, mas em crédito customizado para cada tipo de matriz, seja eólica, hídrica ou biomassa.
Um dos pontos mais chamativos discutidos no fórum foi a velocidade com que os recursos incentivados se esgotam. Leitzke destaca que a busca por certas linhas de crédito, como as do Plano Safra para armazenagem e energia, é concorrida.
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Para não "ficar no fim da fila", o empreendedor precisa de planejamento. Um projeto leva, em média, 100 dias para ser analisado e estruturado. Quem chega com o projeto "saindo do forno" e toda a documentação pronta consegue travar o recurso antes que ele desapareça.
Apesar do otimismo, o setor enfrenta gargalos. A demanda por energia é crescente e a infraestrutura de transmissão precisa acompanhar esse ritmo para evitar novos colapsos.
Além disso, há uma forte mobilização pelo Fundo Sul, um fundo constitucional que garantiria recursos incentivados permanentes para a região, eliminando a desigualdade em relação a outros fundos regionais do país.