O terceiro painel do 5º Fórum de Energias Renováveis, na tarde desta terça-feira, foi dedicado à temática “Transição Energética Justa”. O evento é realizado pelo Correio do Povo, com apoio do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do RS (Sindienergia-RS), no Teatro do CIEE-RS, em Porto Alegre. O moderador foi o diretor de Eólicas do Sindienergia-RS, Guilherme Sari. Em comum, todos comentaram sobre a importância de haver ações políticas efetivas para superar a burocracia e atrair investimentos, com a colaboração de União, Estados e municípios.
O diretor vice-presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Domingos Velho Lopes, destacou a posição do Brasil como maior exportador global de alimentos, assim como o líder em produção de energia renovável no âmbito dos países do G20. Segundo ele, é preciso melhorar a comunicação relacionada à agricultura de baixo carbono, em que o Brasil é referência mundial, a fim de melhorar a obtenção de financiamentos e exploração de novos mercados.
"Em 2050, teremos aproximadamente três quatros da população vivendo no meio urbano e um quarto no meio rural. E em 2030, quatro em cada cinco seres humanos estarão vivendo em países importadores de alimentos. Vejam a oportunidade do ponto de vista produtivo que se avizinha para o nosso país”, disse ele, destacando também o potencial da nação em inclusive dobrar a produção agrícola de grãos sem expandir a área cultivada, devido à alta produtividade nacional.
Para o presidente da Federação de Entidades Empresariais do RS (Federasul), Rodrigo Sousa Costa, há a necessidade de estruturas resilientes, a partir da reflexão com as recentes tragédias climáticas no Estado, como as enchentes de 2024. Na visão dele, é preciso promover a diversificação econômica do Rio Grande do Sul, protegendo o agronegócio, tornando-o mais resiliente. Segundo ele, a proposta de aumento de 20% do imposto de importação sobre suprimentos para energia eólica pode dificultar a produção de energia renovável no RS e retirar competitividade.
5 FÓRUM DE ENERGIAS RENOVÁVEIS
“Não queremos competir com o Nordeste, mas nos somarmos a ele na geração de energia renovável. Isso é uma demanda mundial, mas precisaríamos ter, no mínimo, um fundo constitucional de infraestrutura para ter condições de competir, e para que o Rio Grande do Sul seja integrado a um projeto de Brasil responsável pela segurança alimentar mundial. Acho que esse esse é o grande desafio”, disse Costa. Conforme ele, há um “ambientalismo aristocrático”, o qual ignora a fome e falta de energia de milhões de pessoas no mundo.
Para a presidente da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, "quando investimos em energia, estamos iluminando o caminho para uma economia mais forte, geração de empregos, educação de qualidade e saúde pública eficiente". Sobre a geração energética, ela disse que “temos o que muitos países gostariam de ter, mas potencial somente não basta. A pergunta é, como transformá-lo em realidade? Esta resposta precisa de um olhar federativo".
Afirmou ainda que a energia é a espinha dorsal de todo o desenvolvimento em diferentes áreas, desde saúde, educação, infraestrutura e segurança. “Sem energia, não há futuro”, afirmou ela, reforçando que é preciso urgência para atualizar a legislação ambiental, reforçar linhas de financiamento acessíveis aos municípios para esta transição justa e gerar alternativas econômicas reais para comunidades historicamente dependentes de fontes energéticas mais poluentes, como a carbonífera.
O coordenador do Conselho de Articulação Parlamentar da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), Diogo Paz Bier, participou do painel por vídeo. Segundo ele, o mercado de crédito de carbono pode gerar competitividade para a indústria e promover um desenvolvimento mais sustentável, e que o aumento da demanda energética é uma realidade concreta. “Sabemos que vamos precisar cada vez mais de energia e água. Vemos alguns movimentos positivos no Rio Grande do Sul, principalmente voltados para tecnologia e pra questão de data centers, mas para ter data centers vamos precisar de energia. E o que mais precisamos também é de condições iguais para poder desenvolver o nosso Estado para fazer políticas de energia renovável”, disse Bier.
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