Após a abertura, o primeiro painel do 5º Fórum de Energias Renováveis, ainda na manhã desta terça-feira, foi dedicado ao tema “Visão Privada, Adição Energética”, trazendo visões a respeito de representantes de empresas privadas e entidades sobre a transição de energia e a necessidade de investimentos em modais sustentáveis. O evento é realizado pelo Correio do Povo, com apoio do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do RS (Sindienergia-RS), no Teatro do CIEE-RS, em Porto Alegre.
O moderador do painel foi o vice-presidente do Sindienergia-RS, Rafael Salamoni. Segundo ele, a geração energética sustentável não é mais uma prioridade, mas sim uma necessidade. O superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural no RS (Senar-RS), Eduardo Condorelli, destacou que o aumento populacional no mundo, e principalmente a presença destes novos indivíduos nas áreas urbanas demandará ainda mais energia do que é gerada atualmente.
Ele comentou que a agricultura brasileira contribui com somente 1% das emissões globais de gases de efeito estufa, enquanto 75% provêm da produção energética por combustíveis fósseis. Segundo ele, a discussão do uso de fontes renováveis tem sido fortemente fomentada com os produtores rurais atendidps pelo sistema. “O Brasil é um exemplo mundial no setor energético”, comentou ainda, destacando a necessidade de encontrar alternativas ao petróleo não apenas para energia, mas também para outros produtos, valorizando os derivados de biomassa e biocombustíveis. “O agro não é um setor mais importante da economia do Estado. Mas para todos que queremos ver o desenvolvimento do Rio Grande do Sul, o agro é um setor absolutamente estratégico", salientou Condorelli.
5° Fórum de Energias Renováveis
Também participaram outras autoridades, como a gerente executiva de Relações Institucionais da Sulgás, Carolina Bahia, e o coordenador da Câmara de Engenharia Elétrica do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RS (Crea-RS), Renê Reinaldo Emmel.
A diretora de Sustentabilidade da Corsan, Liliane Cafruni, exibiu dados sobre a atuação da empresa no contexto desta transição, e que a companhia está empenhada em atingir 100% de energia renovável.
A Corsan, atuante em 317 municípios gaúchos, tem o desafio de ampliar o esgotamento sanitário, hoje com 14% de cobertura somente no RS. “Temos uma meta ambiciosa de reduzir em 15% seu consumo de energia até 2030”, disse ela. Carolina disse que o conceito da adição energética pode ser complementar à transição energética, enfatizando ainda a necessidade de uso de todas as fontes de energia. Ela comentou que a Sulgás investirá no biometano, com previsão de disponibilizá-lo na rede a partir de agosto. Ele será produzido a partir de resíduos do agronegócio em Triunfo, na Região Metropolitana, e que é necessário investir tanto mais no transporte do gás, quanto na produção deste insumo em si. Já Renê salientou a importância da engenharia nos projetos energéticos. “Sem energia não temos água, comunicações, e teremos problemas seríssimos. Então, essa evolução precisa acontecer sempre com uma base técnica sólida. O Crea-RS acompanha esse movimento com atenção, atuando junto para que esta transição aconteça de forma responsável”.