A indústria química, que teve um papel importante após a enchente no Rio Grande do Sul, com os produtos de limpeza, desinfetantes, itens de higiene e saneantes, atua de forma silenciosa, mas tem papel estratégico para além da economia. Com isso em mente e visando desenvolver o setor – principalmente de primeira geração – no Estado, o Sindicato das Indústrias Químicas no Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim) promoveu a primeira edição da Feira de Fornecedores da Indústria Química (FFIQUI). O evento, que acontece hoje e amanhã no Salão de Convenções da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), reúne profissionais, fornecedores e representantes de empresas da indústria química e da área de suprimentos de produção.
Palestras e trocas entre fornecedores devem guiar os dois dias de feira, estima Newton Battastini, presidente do Sindiquim. Ele destacou a importância do evento como integração entre fornecedores e consumidores de produtos químicos. "Hoje temos muitos insumos e esses distribuidores são fundamentais para a indústria química. Queremos fazer esse elo de matérias primas, insumos químicos, como também de tecnologia, de novas matérias primas para novos produtos", diz.
A iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva da química, criar oportunidades de parcerias e fomentar o desenvolvimento do setor na indústria do Estado, contando com palestras técnicas, rodadas de negócios, exposição de marcas, lançamentos de produtos, painéis sobre inovação e sustentabilidade e espaços de networking.
Desafios
A indústria química atua com níveis historicamente baixos de utilização da capacidade. Conforme dados do Departamento de Economia e Estatística (DEE), do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em 2023, essa taxa foi de apenas 64%, o menor valor da série histórica iniciada em 1990, e estes fatores se devem à baixa competitividade em razão dos custos elevados de energia e insumos, além do aumento das importações, o que têm desestimulado novos investimentos.
Para o presidente, o principal desafio da indústria é o acesso a matérias primas, além da industrialização da primeira geração, a petroquímica. "Hoje, aqui, está representada muito a indústria de terceira geração. Para produzir produtos da terceira geração, nós precisamos da primeira geração, que é o caso do pólo petroquímico e de outras matérias-primas que a gente vê. Para isso tudo, nós dependemos muito do mercado externo", diz. Ele afirma que o déficit da indústria química é alto. Mas que o Rio Grande do Sul tem capacidade, área e apoio governamental para o desenvolvimento para a primeira geração do setor.
Derly Fialho, secretário adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul, destaca a importância da troca entre fornecedores e compradores do setor e salienta o compromisso do Estado de estar ao lado na caminhada para o seu desenvolvimento. "Temos que incentivar essas iniciativas, porque muitas vezes ainda há uma certa dificuldade de fornecedores e compradores interagirem mais. Na feira, todos compartilham experiências, reconhecimentos e isso traz um benefício muito grande para o setor", diz.
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