Um anúncio que parece ter passado desapercebido do público durante o encontro dos Brics no Rio de Janeiro pode estar entre as razões da nova crise comercial entre Brasil e Estados Unidos. A cooperação para construir uma ferrovia bioceânica entre o porto de Santos (SP) e o Peru, com apoio da China, teria acendido o alerta em Washington — especialmente por seu potencial de rivalizar com o Canal do Panamá como rota estratégica global. Ao lado disso, a defesa de uma maior desdolarização do comércio internacional, endossada pelo presidente Lula, tem elevado o tom da disputa com os EUA.
Para o professor Rodrigo Perla Martins, da Universidade Feevale, a iniciativa da ferrovia representa um movimento geopolítico importante, ainda subestimado na imprensa brasileira: “A China tem muito interesse nesse corredor interoceânico. É uma rota estratégica não apenas comercial, mas também de segurança e defesa. Isso incomoda profundamente a gestão Trump”.
Já o cientista político Eduardo Svartman, professor da Ufrgs, destaca que os Brics hoje operam como uma alternativa política e comercial ao eixo tradicional liderado por EUA e Europa.
“A tarifa anunciada por Trump não é uma questão comercial técnica, mas uma ferramenta política. Está conectada ao avanço dos BRICS, ao julgamento de Bolsonaro e à regulação das big techs no Brasil”, afirma.
O Rio Grande do Sul, com forte dependência das exportações para os EUA, é um dos estados mais vulneráveis nessa nova tensão internacional. Indústrias de aço, máquinas e produtos agrícolas estão na linha de frente dos setores ameaçados, caso a tarifa de 50% se concretize. Além do impacto econômico, os professores apontam a necessidade de o Brasil adotar uma estratégia diplomática firme, mas calculada.
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Veja vídeo sobre a sobretaxação do presidente dos Estados Unidos: