Economia

Ferrovia interoceânica e desdolarização: por que os EUA pressionam o Brasil?

Especialistas veem nas tensões entre Washington e Brasília uma reação ao avanço do bloco dos BRICS e à articulação por maior autonomia econômica entre países do Sul Global

Trump tem usado a política comercial para pressionar países dos Brics, como o Brasil
Trump tem usado a política comercial para pressionar países dos Brics, como o Brasil Foto : Win McNamee/Getty Images/AFP

Um anúncio que parece ter passado desapercebido do público durante o encontro dos Brics no Rio de Janeiro pode estar entre as razões da nova crise comercial entre Brasil e Estados Unidos. A cooperação para construir uma ferrovia bioceânica entre o porto de Santos (SP) e o Peru, com apoio da China, teria acendido o alerta em Washington — especialmente por seu potencial de rivalizar com o Canal do Panamá como rota estratégica global. Ao lado disso, a defesa de uma maior desdolarização do comércio internacional, endossada pelo presidente Lula, tem elevado o tom da disputa com os EUA.

Para o professor Rodrigo Perla Martins, da Universidade Feevale, a iniciativa da ferrovia representa um movimento geopolítico importante, ainda subestimado na imprensa brasileira: “A China tem muito interesse nesse corredor interoceânico. É uma rota estratégica não apenas comercial, mas também de segurança e defesa. Isso incomoda profundamente a gestão Trump”.

Já o cientista político Eduardo Svartman, professor da Ufrgs, destaca que os Brics hoje operam como uma alternativa política e comercial ao eixo tradicional liderado por EUA e Europa.

“A tarifa anunciada por Trump não é uma questão comercial técnica, mas uma ferramenta política. Está conectada ao avanço dos BRICS, ao julgamento de Bolsonaro e à regulação das big techs no Brasil”, afirma.

Exportações do RS para os Estados Unidos | Foto: Leandro Maciel

O Rio Grande do Sul, com forte dependência das exportações para os EUA, é um dos estados mais vulneráveis nessa nova tensão internacional. Indústrias de aço, máquinas e produtos agrícolas estão na linha de frente dos setores ameaçados, caso a tarifa de 50% se concretize. Além do impacto econômico, os professores apontam a necessidade de o Brasil adotar uma estratégia diplomática firme, mas calculada.

Veja Também

Veja vídeo sobre a sobretaxação do presidente dos Estados Unidos:

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio