O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta sexta-feira uma nova manifestação a respeito das tarifas de 50% anunciadas pelo colega norte-americano Donald Trump sobre os produtos brasileiros. Lula reiterou que respeita Trump, mas mencionou novamente a possibilidade de adotar medidas de reciprocidade. O chefe de Estado brasileiro ainda citou ex-dirigentes dos EUA com quem sempre teve boa relação e citou o superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos. “Com todo o respeito presidente Trump, o senhor está mal informado. Eu é que deveria taxar ele”, disse em discurso na apresentação dos avanços do Novo Acordo Rio Doce.
“Eu respeito todo mundo. Eu respeito banqueiro e bancário, eu respeito vereador e presidentes. Eu sempre me dei bem com todo mundo. A relação humana é química, tem que sentir o bater do coração. Eu fiz isso com Obama, eu fiz com o Bush, eu fiz com o Clinton, com o Chirac, Sarkozy”, acrescentou Lula ao citar líderes com quem conviveu na vida pública.
"Aquela coisa”
Durante o discurso, Lula não poupou críticas à família Bolsonaro e recordou o início do governo, quando fez a PEC da Transição. “Foi preciso fazê-la para ter dinheiro, governar e pagar a dívida ‘daquela coisa’ (Jair Bolsonaro) que governou o País. ‘Aquela coisa’ covarde preparou um golpe, não teve coragem de fazer, está sendo processado e vai ser julgado. Agora mandou o filho dele para os Estados Unidos para pedir ao Trump fazer ameaça: ‘se não liberarem o Bolsonaro, vou taxar vocês’”, comentou.
Lula garantiu que está disposto a conversar sobre as tarifas, mas não descartou a possibilidade de usar medidas de reciprocidade. “Agora, vou sentar com meus companheiros de Brics e conversar. Nós podemos dialogar, mas se não der no ‘tête-à-tête’, vamos usar a reciprocidade. Ele nos taxa de lá e nós vamos taxar aqui”, garantiu.
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Já nesta sexta-feira, Trump sinalizou que pode conversar com Lula sobre as altas tarifas. "Em algum momento posso falar com Lula, mas não agora", afirmou, ao ser questionado sobre o tema por repórteres em frente à Casa Branca.
O “tarifaço” de Trump, anunciado também pela insatisfação do chefe de estado americano com a suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teve repercussão internacional. Internamente, diversas entidades do Brasil se manifestaram com preocupação.