Economia

Fórum de Competitividade aponta infraestrutura como principal desafio ao crescimento do Litoral Norte

Evento realizado em Torres reuniu lideranças públicas e empresariais e defendeu integração para sustentar ciclo de investimentos na região

Evento reuniu representantes dos setores público e privado no auditório da Ulbra Torres
Evento reuniu representantes dos setores público e privado no auditório da Ulbra Torres Foto : Fabiano do Amaral

Em uma das regiões que mais crescem no Rio Grande do Sul, o desafio já não é apenas atrair investimentos, mas garantir infraestrutura capaz de sustentar esse avanço. Esse foi o eixo central do Fórum de Competitividade, realizado no auditório da Ulbra, em Torres, no Litoral Norte, na manhã de quarta-feira.

O encontro reuniu lideranças empresariais, gestores públicos e representantes de instituições estaduais para debater desenvolvimento econômico, logística, saneamento, turismo e atração de investimentos. Ao longo dos painéis, a avaliação convergiu para a ideia de que, sem infraestrutura adequada, o crescimento pode perder fôlego.

Embaixador do Centro de Liderança Pública (CLP), Eduardo Fernandez destacou que o Litoral Norte foi mapeado como região estratégica dentro da agenda de competitividade que a entidade vem promovendo no Estado. “Cada região tem as suas oportunidades e seus desafios, e a gente mapeou o Litoral Norte como uma região importante, tendo Torres como cidade-sede, para unir o setor público e o privado em pautas que possam trabalhar esse desenvolvimento”, afirmou.

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Segundo ele, embora o Litoral esteja entre as regiões que mais crescem no Estado nas últimas décadas, a infraestrutura ainda é o principal gargalo. “A gente tem visto em todos os fóruns que o principal desafio das regiões é a infraestrutura. No ranking de competitividade, o peso da infraestrutura é fundamental para ver se o Estado vai ser mais competitivo ou não”, disse.

Fernandez citou que investimentos de grande porte, como o projetado para o porto em Arroio do Sal, exigem uma base estruturada para se consolidarem. “A infraestrutura tem que acompanhar o desenvolvimento. Não adianta trazer muitos investimentos se não há estrutura adequada, porque depois pode faltar água, faltar luz, haver congestionamentos. É preciso planejamento”, ressaltou.

Ele também defendeu a ampliação de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) como alternativa para acelerar obras estruturantes. “Muitas vezes se espera muito do governo, mas ele não tem capacidade sozinho. Hoje há oportunidades de concessões e PPPs para rodovias, energia e até parques públicos, que podem fomentar o turismo”, completou.

Logística e redução de custos

Vice-presidente do Transforma RS, Humberto Busanella reforçou que a logística é determinante para a competitividade regional e para o custo de vida da população. “O objetivo é a redução do custo da logística. Depois que o produto sai da fábrica até chegar na casa das pessoas, há transporte e logística. É aí que está o grande debate”, afirmou.

Ele citou a necessidade de avanços como a duplicação da Estrada do Mar e destacou o potencial do futuro Porto Meridional como fator de redução de custos e dinamização econômica. “É inconcebível um Estado com 600 quilômetros de costa ter apenas um grande porto concentrado na região Sul. Ter uma alternativa aqui reduz custo e aumenta a competitividade”, avaliou.

Busanella também destacou o engajamento empresarial durante o evento realizado em Torres. “Não adianta o governo ter políticas se não houver apoio e engajamento da sociedade. Aqui isso ficou muito claro”, acrescentou.

O presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki afirmou que a agenda de desenvolvimento precisa envolver todas as regiões do Estado e ganhar projeção internacional. “A agenda de desenvolvimento econômico é do Estado inteiro. A gente precisa promover as regiões cada vez mais, porque todos os estados do Brasil estão fazendo isso”, disse.

Ele citou a participação de Torres na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), onde foram apresentados projetos turísticos que somam potencial de captação superior a R$ 200 milhões. “Se a gente esperar que nos procurem, outros vão sair na frente. Nossa competição não é apenas local, ela é global”, afirmou.

Para ele, o Litoral Norte tem potencial semelhante ao de regiões consolidadas do Estado, mas precisa de uma articulação conjunta. “Se houver coordenação entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil, há tudo para se criar uma agenda de longo prazo, especialmente no turismo”, concluiu.

Saneamento como base da competitividade

Durante o painel que debateu a infraestrutura do Litoral Norte, o gerente de Relações Institucionais da Aegea, Cesar Faccioli, destacou que este é um dos principais gargalos históricos do país e do Rio Grande do Sul. “O saneamento básico é um gap brasileiro, mas no Rio Grande do Sul ele é muito grande”, afirmou.

Segundo ele, após um período de entraves e judicializações, o foco agora é expandir redes e manter diálogo com a comunidade. “Estamos expandindo especialmente a rede de esgoto e nos aproximando das comunidades, ouvindo as demandas e transformando isso em planejamento e ações”, explicou.

Faccioli também ressaltou a importância da participação da Aegea em eventos que reúnam o poder público, a inciativa privada e a sociedade, para prestar esclarecimentos em temas sensíveis. “Essas oportunidades são importantes para prestação de contas e para levar informações técnicas. A competitividade começa no saneamento básico”, ressaltou.

Turismo além do verão

Mediador de um dos painéis, o secretário de Turismo de Torres, Gabriel de Melo avaliou que o fórum cumpriu o papel de provocar integração entre os setores. “O papel do poder público é gerar estrutura e políticas para que a iniciativa privada possa trabalhar. Quando se une esses dois pontos, com qualificação e planejamento, isso faz diferença”, disse.

Melo defendeu que o município já vive turismo durante todo o ano, mas precisa consolidar essa percepção. “Torres não é mais uma cidade dormitório no inverno. Em alguns finais de semana chegamos a receber mais de 100 mil pessoas, mesmo com uma população fixa de 45 mil. O que nós buscamos é um equilíbrio maior entre o turismo do verão e do restante do ano. Nossa cidade é um vetor da economia e tem elasticidade para receber grandes públicos”, justificou.

Para o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt, a realização do fórum simboliza um movimento estratégico de interiorização do debate sobre desenvolvimento, levando ao Litoral Norte uma agenda baseada em dados, gestão eficiente e visão de futuro. “Trazer esse fórum para Torres significa reconhecer o potencial da região como vetor de crescimento e consolidar a integração entre governo, setor produtivo e sociedade para construir um ambiente mais competitivo, previsível e capaz de gerar emprego, renda e qualidade de vida de forma sustentável”, disse.

Evaldt também ressaltou que o Estado alcança a quinta posição no Ranking de Competitividade e lidera nacionalmente em eficiência da máquina pública e inovação, segundo o CLP. “Discutir infraestrutura, saneamento, sustentabilidade e atração de investimentos no território é transformar desempenho em oportunidade concreta”, concluiu.

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