"Nós não permitiremos uma valorização do real naquela velocidade que vinha ocorrendo", disse Mantega. Ele está em Montevidéu para a reunião de presidentes do Mercosul e dos países associados.
Mantega lembrou que há alguns meses o dólar valia R$ 1,50 e o governo adotou medidas para reverter esse quadro, porque prejudicava a indústria brasileira. "Quando o real se valoriza, encarece a mercadoria brasileira, tanto no mercado externo quanto no interno. Fica difícil exportar, no mercado interno os produtos brasileiros competem com mercadoria estrangeira, que chega com câmbio baixo, manipulado e manuseado", explicou.
O ministro considera que a política de evitar a valorização do real está funcionando, mas não quis estabelecer um patamar. Disse apenas que vai "forçar para que haja um dólar mais valorizado e um real mais desvalorizado".
Ele avaliou a conjuntura internacional e os efeitos da crise sobre a América Latina, durante encontro na segunda-feira de ministros da área econômica do Mercosul. Ele também está negociando um mecanismo de defesa comercial para o bloco econômico, que reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e que deve ser anunciado no fim da reunião de presidentes.
A proposta defendida por Mantega é permitir aos países do Mercosul aumentar de forma unilateral as alíquotas de importação de 100 a 200 produtos até 35% - o máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Atualmente, os países devem aplicar uma mesma Tarifa Externa Comum (TEC) a esses produtos. Mas, com a crise econômica internacional, o Brasil e a Argentina temem ver seus mercados invadidos por importações de países asiáticos e europeus que precisam exportar para crescer.