Economia

Governo do Estado contrata estudo sobre cenário elétrico e projeta biometano como carro-chefe da transição energética

Assinaturas ocorreram durante reunião do Comitê de Planejamento Energético do RS (Copergs), na sede do BRDE, em Porto Alegre

A Sema promove a reunião do Comitê de Planejamento Energético do Estado do Rio Grande do Sul (Copergs)
A Sema promove a reunião do Comitê de Planejamento Energético do Estado do Rio Grande do Sul (Copergs) Foto : Camila Cunha

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) formalizou, na manhã desta sexta-feira, Dia Mundial da Energia, a assinatura do contrato para a realização de um estudo sobre o Sistema Eletroenergético com foco no Rio Grande do Sul, e apresentou dados a respeito da energia gerada e consumida no Estado, por meio do Balanço Energético do RS (Bergs). O documento mostrou que o principal fator responsável pelas emissões de gases causadores do efeito estufa está relacionado à atividade do transporte.

As assinaturas ocorreram durante a reunião do Comitê de Planejamento Energético do RS (Copergs), na sede do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), no Centro Histórico de Porto Alegre. “O estudo visa fundamentalmente entender o cenário geoelétrico do Rio Grande do Sul, entendendo quais são os pontos que foram mais afetados nas enchentes, quais locais precisam de reforços, seja subestações ou linhas, e quais os principais projetos que se avizinham, onde que de fato caminha o planejamento. Queremos mostrar que o Estado está atento às mudanças climáticas e obviamente ao seu desenvolvimento econômico”, disse o diretor de Energia da Sema, Rodrigo Huguenin.

Para ele, algumas destas energias estão bastante consolidadas, como é o caso da hídrica, com mais de 50% da capacidade instalada hoje no Estado, ou a solar, que está na segunda colocação entre as matrizes energéticas gaúchas, com a eólica em terceiro. A titular da Sema, Marjorie Kauffmann, disse que a transição energética é uma política de Estado, não de governo, com políticas a longo prazo em curso.

“A pauta energética não pode ser banalizada porque é de suma importância. E as políticas que a gente está trazendo aqui, por exemplo, de transição energética, são condicionantes para o Estado começar a continuar a ter recursos de bancos internacionais e o próprio BNDES. Vemos observando que os números que o RS tem do crescimento de energias renováveis são infinitamente superiores do que o uso de energias fósseis. Isso já é a transição acontecendo mesmo antes desse levantamento”, disse ela.

Huguenin, que estará mediando um painel no 6º Fórum de Energias Renováveis, promovido pelo Correio do Povo, em junho, comentou que a aposta atual é no biometano, que tem a capacidade de fugir da volatilidade internacional causada pelo conflito no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Israel e Irã. “Ele não é precificado a preços internacionais, e é um combustível local, o que faz minha segurança energética ser atendida. Então, acredito que o biometano pode ser um próximo carro-chefe do ponto de vista energético”, comentou ele, que foi além.

“O RS é um estado muito industrializado, então temos uma demanda reprimida para o consumo dele. A Faria Lima está de olho para os investimentos para o Rio Grande do Sul, e talvez o Estado seja o principal foco para os investidores a nível Brasil”. Este cenário favorável, disse ele, é impulsionado por um potencial zero de biometano, entre 2019 e 2020, para uma produção diária de 100 mil metros cúbicos do combustível, com intenção de dobrar este valor nos próximos anos. “Realmente o RS se coloca numa posição muito favorável a outros Estados”, comentou o diretor.

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