Ibovespa encerra pregão em baixa e dólar cai
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Ibovespa encerra pregão em baixa e dólar cai

Após passar a manhã desta terça-feira em alta, moeda americana fechou em queda, a R$ 3,99

Por
AE

Apesar de baixa, Ibovespa continua acima dos 108 mil pontos

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Muito embora o clima entre os investidores ainda se mostrasse positivo no pregão desta terça-feira o Ibovespa sucumbiu às ordens de venda disparadas para ações da Petrobras em razão da expectativa menos positiva sobre o megaleilão de petróleo e gás que ocorre quarta O índice à vista, que iniciou o dia buscando máxima intraday na região dos 109 mil pontos, se manteve mil pontos abaixo mesmo com a força das blue chips do setor bancário, que foram puxadas pela alta do Itaú Unibanco, cujo balanço agradou.

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras, com peso ao redor de 10% na carteira teórica que vigora desde setembro, pesaram o suficiente para manter o índice no vermelho. Conforme publicou o Broadcast, um sinal de alerta foi aceso diante da desistência da britânica BP e da francesa Total de participar do certame e a possibilidade de sobrecarga na Petrobras. O principal temor é que para comprar duas áreas - Búzios e Itapu -, pelas quais já demonstrou interesse, a estatal deixe de pagar dívidas e não consiga atingir a meta financeira do ano que vem.

Para Luis Salles, analista de mercado da Guide Investimentos, aliado às questões noticiosas, a queda das ações da petroleira também embute um movimento de realização.
No meio da tarde, em meio à coletiva de imprensa do Plano Brasil Mais, para o qual o governo apresentou uma série de propostas administrativas e fiscais - mas que ainda precisam passar pelo Congresso - o índice Bovespa testou o terreno positivo, mas ainda assim perto da estabilidade. Ao final da sessão, porém, a queda se intensificou e o principal indicador do mercado acionário brasileiro encerrou em baixa de 0,06%, aos 108.719,02 pontos.

Entre as blue chips, Petrobras ON e PN recuaram 1,27% e 2,34%, respectivamente, enquanto Vale ON subiu 0,10%. Já Itaú Unibanco PN subiu 1,73%, Bradesco PN encerrou em alta de 1,35%, Banco do Brasil ON, de 0,63%, e as units do Santander (1,46%).

Os investidores receberam positivamente as medidas anunciadas pelo governo, muito embora já tivessem conhecimento de boa parte delas. Apesar disso, ressalta Salles, a expectativa ainda continua por um pacote que pudesse alavancar a economia brasileira, que segue em lenta recuperação. "Não se vê questões de incentivo à economia. O conjunto é positivo, mais ainda sem efeito sobre mercado que espera coisas que levem à retomada mais forte."

A PEC emergencial inclui medidas permanentes e temporárias de ajuste nas contas de União, Estados e municípios. No caso das medidas temporárias, elas valerão por dois anos e incluem a redução da jornada e salário dos servidores públicos em até 25%. A previsão é de que 25% da economia obtida com as medidas seja direcionada a projetos de infraestrutura.

Dólar

Após passar a manhã desta terça-feira acima dos R$ 4, o dólar cedeu abaixo desse patamar à tarde, na contramão do movimento ante a maior parte dos emergentes. Capitaneou a direção do câmbio, sobretudo, a expectativa com os recursos do leilão do excedente da cessão onerosa, marcado para esta quarta. Apesar de otimista sobre o fluxo com o certame, o mercado busca se manter dentro do intervalo dos últimos dias e segura qualquer movimento de euforia. Segundo operadores, há ainda muitas dúvidas em torno do leilão. A moeda americana fechou em queda de 0,43%, aos R$ 3,9939.

Contou positivamente ainda para que o dólar terminasse o dia desvalorizado ante o real a divulgação do pacote de reformas que miram o gasto público e a estrutura administrativa do governo, apresentado pelo Ministério da Economia. A percepção é de que os textos foram construídos em conjunto com o Congresso e, por isso, podem ter menos dificuldades na tramitação.

Apesar de ser o principal responsável por puxar para baixo o dólar nos últimos dias, o leilão do excedente da cessão onerosa tem sido visto com cautela pelos investidores, que evitam movimentos mais bruscos em relação ao câmbio. Há dúvidas, por exemplo, em relação ao grau de interesse do certame, ao tamanho dos ágios pelos blocos oferecidos e, ainda, quanto desse recurso será estrangeiro.

Apesar de o pacote de poços de petróleo ser apontado como bilionário, com uma expectativa inicial de investimentos superiores a R$ 100 bilhões, o noticiário das últimas semanas apontou que há blocos com alto risco, o que pode diminuir o interesse dos investidores. Além disso, a desistência de duas grandes petroleiras - BP e Total - abalou a animação do mercado.

Por isso, para o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, o dólar tem se mantido próximo dos R$ 4. "Acredito que a cotação encontrou um equilíbrio, tem variado pouco, entre os R$ 3,96 e os R$ 4,03", pontuou.

O diretor da Correparti, Jeferson Rugik, destacou que quarta, com o resultado do leilão, o mercado terá um movimento mais claro sobre o câmbio: "Sabe-se que pode vir fluxo forte, dependendo de quem ganha nesse leilão da cessão onerosa. Isso traz um movimento de desmonte de posição. Tem um prazo para internalizar (os recursos), mas o mercado antecipa. Dependendo de quem ganha, vão saber quanto vai entrar de estrangeiro", disse, destacando que o movimento deve ser de queda, mas que o limite dos R$ 3,95 é uma barreira forte a ser rompida.

Junior, da Wagner Investimentos, pondera ainda que há fatores externos importantes que influenciam a cotação em direções opostas. Após maior apetite por risco no fim da semana passada, o dólar tem mostrado resistência globalmente, o que foi ajudado nesta terça por dúvidas, levantadas por Pequim, em relação ao acordo China/EUA. Ante uma cesta de moedas fortes, medidas pelo índice DXY, o dólar subia 0,46% no fim da tarde. Frente a emergentes, subia majoritariamente, com exceção do rand sul africano.

Taxas de juros

A pressão de alta exercida pela ata do Copom nos juros nesta terça-feira perdeu um pouco de força à tarde, com a ajuda do novo pacote de medidas do governo e com correções técnicas de investidores que tinham reduzido posições vendidas pela manhã, mas voltaram a aplicar no fim do dia. As taxas fecharam perto da estabilidade nos trechos curto e longo, e com leve alta no miolo da curva. Em linha com o que já havia trazido o comunicado, a ata reforçou a sinalização de corte da Selic em 0,5 ponto porcentual em dezembro, mas deixou em aberto as próximas decisões.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021, que chegou a bater a máxima de 4,56%, fechou a sessão regular a 4,490% e a estendida em 4,51%, de 4,489% na segunda no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 5,421% para 5,47% na regular e 5,50% na estendida. O DI para janeiro de 2025 encerrou a regular com taxa de 6,02% e a estendida em 6,05%, de 5,991%. O DI para janeiro de 2027 encerrou a regular estável em 6,34%, longe da máxima de 6,41%. Na estendida, fechou em 6,39%.

A terça-feira foi de agenda carregada pela ata de manhã e pelo detalhamento do pacote à tarde. Em linhas gerais, a ata aprofundou a mensagem do comunicado e a intenção do Banco Central de recolher apostas mais agressivas sobre o ciclo da Selic. "Não trouxe grandes novidades em relação ao que foi passado pelo comunicado, reforçando apostas em Selic a 4,5% no fim de 2019, mas esvaziando a probabilidade da taxa básica de juros terminar o ciclo de cortes abaixo dos 4,0% no início do ano que vem", disseram os economista da Guide Investimentos, em relatório.

Desse modo, a curva manteve a precificação de Selic em 4,35% ao encerramento do ciclo de ajuste monetário, que já aparecia desde o comunicado do Copom. Ou seja, as apostas seguem concentradas entre 4,25% e 4,50%. Para dezembro, a precificação é de queda de 44 pontos-base, ou 75% de chance de corte de 0,5 ponto e 25% de possibilidade de redução de 0,25 ponto. Os cálculos são do Haitong Banco de Investimentos.

Uma das casas que estavam mais otimistas sobre o ciclo da Selic, a Itaú Asset Management, revisou sua projeção de taxa básica. Agora, projeta que o juro chegará ao fim do ano em 4,50% (ante 4,00% anteriormente) e ao encerramento de 2020 em 4,25% (de 3,75%).

Para os analistas, a ata mostrou que o BC tem dúvida sobre o canal de transmissão da política monetária neste momento em que o papel do Estado para fomentar o desenvolvimento vai diminuindo para dar lugar ao setor privado como fomentador do crédito. "Os dados de atividade indicam melhora e que deve acontecer de forma sustentada, já que vem em bases mais sólidas e com dinamismo de acordo com as forças de mercado", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho Luciano Rostagno.

À tarde, na medida em que o noticiário era dominado pelo pacote do governo, a pressão de alta nas taxas foi diminuindo. O "Plano Mais Brasil - A Transformação do Estado", inclui a PEC emergencial, a do Pacto Federativo e dos Fundos Públicos. O conteúdo das propostas para melhorar a solvência fiscal do Estado ficou dentro do esperado, mas a "forma" como as propostas foram acolhidas pelo Congresso animou os investidores, com reflexos especialmente na ponta longa. "A receptividade do Congresso foi muito boa. Ao que tudo indica, os parlamentares se mostram dispostos a avançar, falando em aprovar nas duas casas até abril de 2020", disse Rostagno. A proposta foi entregue pessoalmente pelo ministro Paulo Guedes e pelo presidente Jair Bolsonaro ao Senado.