O Índice Bovespa subiu 1,47% nesta sexta-feira, e, com isso, renovou seu pico histórico, superou o patamar dos 75 mil pontos e completou sua oitava semana consecutiva de altas. O índice chegou hoje aos 75.756,51 pontos, representando ganho acumulado de 3,66% nesta semana e de 17,12% nas últimas oito. Segundo profissionais do mercado, a alta foi em boa parte apoiada no ingresso de dinheiro novo na bolsa. Os negócios do dia totalizaram R$ 15,7 bilhões.
"O comportamento do mercado está descolado do cenário político. É como se um muro tivesse sido construído, colocando a política de um lado e a economia de outro", disse Shin Lai, estrategista da Upside Investor, para justificar a euforia dos investidores, que se apoiam nos sinais de recuperação econômica do país e minimizam as denúncias contra o presidente Michel Temer.
Ontem o presidente foi denunciado pela segunda vez pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o acusou de chefiar organização criminosa formada por integrantes do PMDB na Câmara e de tentar obstruir a Justiça. Apesar do noticiário negativo para Temer, o mercado manteve viés positivo durante todo o dia, resistindo a qualquer movimento de correção.
"A percepção é de que o episódio envolvendo Joesley Batista reduziu a credibilidade de Janot, o que faria a denúncia chegar enfraquecida à Câmara. Além disso, a denúncia não trouxe surpresas em relação ao que já se conhecia", disse Victor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos. Ele aponta, em contrapartida, os sucessivos indicadores que reforçam a percepção de retomada da economia e continuam a justificar o otimismo do mercado.
A alta do dia foi generalizada e somente três papéis do Ibovespa terminaram em baixa. Entre eles esteve Petrobras ON, que recuou 0,45%, em um dia de instabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional. Já os setores de mineração e siderurgia foram destaques de alta, embalados pelo otimismo geral. Vale ON subiu 0,54% e CSN ON avançou 4,43%, liderando as altas do Ibovespa.
O setor financeiro, grupo de maior peso na carteira do índice, também subiu e foi determinante para alavancar o indicador. Itaú Unibanco PN teve alta de 1,87% e Bradesco ON ganhou 2,13%. Banco do Brasil ON, que em tese poderia refletir algum risco político, subiu 1,46%.
Dólar
O dólar arrefeceu os ganhos nesta tarde de sexta-feira, 15, e terminou em queda ante o real em meio a uma entrada acentuada de dólares no País com destino à bolsa, que chegou próximo ao patamar dos 76 mil pontos, diante do otimismo do mercado com o cenário econômico. Houve também um enfraquecimento nas operações em relação à rolagem de swap cambial anunciado pelo Banco Central. A segunda denúncia protocolada ontem pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer não influenciou os negócios.
De acordo com o operador da corretora Multimoney Durval Corrêa, o mercado tem olhando mais para a melhora econômica do País. Pela manhã, o dólar chegou a subir com mais força em um
movimento de ajuste impulsionado pela rolagem parcial dos contratos de swap cambial pelo Banco Central que pode totalizar até US$ 6,0 bilhões, dos quase US$ 10,0 bilhões a vencer no início de outubro.
De acordo com o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, após o mercado digerir o tamanho da rolagem de swap cambial, o dólar ficou enfraquecido. "Ainda que seja parcial, com uma rolagem de 60% do valor total, o BC tira a pressão que o dólar vinha tendo, após um mês (de setembro) sem rolagem", pontuou. Galhardo acrescentou que, embora não seja completa, como o valor total é o maior do ano, o valor diário que será injetado no mercado é relevante. "Querendo ou não, o mercado, que já vinha com liquidez robusta, poderá contar com mais US$ 600 milhões por dia", explicou.
No mercado à vista, o dólar fechou em baixa de 0,11%, aos R$ 3,1132. O giro financeiro somou US$ 1,58 bilhão. Na mínima, a moeda ficou em R$ 3,1122 (-0,12%) e, na máxima, aos R$ 3,1322
(+0,50%). Na semana, o dólar terminou com ganho de 0,65%.
No mercado futuro, o dólar para outubro caiu 0,24%, aos R$ 3,1185. O volume financeiro movimentado somou US$ 16,94 bilhões. Durante o pregão, a divisa oscilou de R$ 3,1180 (-0,25%) a R$ 3,1390
(+0,41%).
Taxas de juros
Os juros futuros terminaram a sessão regular com taxas perto dos ajustes anteriores e com viés de baixa na ponta curta e em alta moderada nos vencimentos longos. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 (245.555 contratos) passou de 7,54% para 7,52%; a taxa do DI para janeiro de 2021 (153.790 contratos) fechou na máxima de 8,97%, de 8,93%; e a do contrato DI para janeiro de 2023 (29.260 contratos) também encerrou na máxima, de 9,61%, ante 9,55% no ajuste anterior.
Nesta sexta-feira, 15, de noticiário fraco e agenda escassa de indicadores, as taxas oscilaram pouco durante a sessão. Os contratos de vencimento mais próximo seguiram refletindo a avaliação de que a inflação e a Selic podem cair mais do que o esperado, em função das recentes surpresas com preços de alimentos.
"Há uma certa percepção de que a Selic pode cair um pouco mais. A deflação de alimentos tem chamado a atenção. Na semana que vem teremos o RTI e isso vai ser relevante", disse o economista da Guide Investimentos, Ignácio Crespo.
Nos demais vértices, o mercado absorveu sem traumas a denúncia contra o presidente Michel Temer e ministros do governo. A denúncia não deve chegar à Casa no curto prazo, porque antes disso o plenário do STF analisará a questão de ordem que discute se o andamento da denúncia deve ser "sustado" (suspenso) enquanto não forem esclarecidos problemas descobertos na delação do dono do Grupo J&F, Joesley Batista, e do ex-executivo do conglomerado Ricardo Saud.
A possibilidade de atraso no trâmite da reforma da Previdência em função das denúncias também não abala o mercado. Segundo apurou o Broadcast Político (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), líderes governistas e articuladores do Palácio do Planalto não têm perspectiva de quando haverá ambiente político para votar a proposta.
A ordem na base governista é manter a pauta do plenário ocupada com a Reforma Política e votação de projetos de lei e Medidas Provisórias (MPs), entre elas a proposta que cria o novo Refis.
O viés de alta dos juros longos é explicado, em boa medida, pelo exterior. "Respondem em algum grau ao rendimento dos Treasuries nos EUA, com o mercado já bem menos tão cético sobre a possibilidade de não haver alta de juros este ano", completou Crespo.
Ibovespa sobe 1,47% e ultrapassa os 75 mil pontos nesta sexta-feira
Segundo profissionais do mercado, a alta foi em boa parte apoiada no ingresso de dinheiro novo na bolsa