Com o objetivo de reduzir a ociosidade da indústria química, que atualmente tem 40% na sua capacidade e perda de espaço para importadores, o setor busca incentivos e tecnologias para recuperar a sua competitividade. O diretor industrial da Braskem no Rio Grande do Sul, Nelzo Silva, as dificuldades aumentam desde o período pós-pandemia, com impactos nos fornecedores de tecnologia de matérias-primas. Segundo ele, houve uma "perda de conhecimento e tempo de desenvolvimento".
Para o diretor, para aumentar a competitividade é necessário desenvolver conhecimento e fortalecer a base de formação de profissionais. "É muito importante buscar nas comunidades, nas escolas, nas universidades, o movimento conjunto dessas empresas para formação real do conhecimento. O conhecimento básico e técnico de engenharia, que nós perdemos muito com o andar da da pandemia e de algumas decisões que foram tomadas no passado", afirma.
Sua fala foi feita durante a Expo Supplier's, que estreia no Rio Grande do Sul, no Polo Petroquímico de Triunfo. Além de expositores, o evento reúne os principais nomes do setor para debater os desafios e oportunidades do mercado. Para o diretor, o evento tem o objetivo de reacelerar e fortalecer pactos para a agenda, de maneira a atender a competitividade no segmento de manutenção e de outros da indústria petroquímica.
No Rio Grande do Sul, a empresa tem feito o uso de teste com gás natural como matéria-prima de substituição da nafta em algumas unidades como fator impulsionador da competitividade. Um complexo petroquímico já foi construído com possibilidade de processamento de gás de 144 kt/ano, e a empresa restabeleceu as condições desses ativos para processar a capacidade. "Trouxemos uma carga experimental de teste para isso e comprovamos que é possível", afirma Silva.
O fato do Polo Petroquímico de Triunfo não estar localizado na costa do país, mas no centro, exige um esforço maior com diferentes agentes para que o gás chegue no Rio Grande do Sul, pontua o diretor. "A gente tem buscado muito forte o apoio do governo do Estado nesse sentido, para que a gente consiga ter um gás competitivo. Lembrando que o gás é competitivo quando ele fica a um preço mais baixo do que a Nafta. Os polos mundiais hoje, que se mantém fortes, têm a flexibilidade como grande fator de competitividade. Poder transitar entre uma matéria-prima e outra é fundamental".
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Programa aprovado no Senado busca incentivos para o setor
O Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), tramitando sob o Projeto de Lei 892/2025, foi aprovado pelo Senado no dia 18 de novembro, e aguarda sanção presidencial, com prazo até o dia 19 de dezembro. A iniciativa representa um grande pacote de incentivos do setor para os anos seguintes.
Para o deputado federal Afonso Motta, presidente da Frente Parlamentar da Química e autor do programa, as expectativas de tramitações são positivas, mas ele está atento para possíveis obstáculos –ou seja, vetos.
"É muito raro conseguir aprovar na Câmara e no Senado em um prazo como foi aprovado, uma matéria que tem complexidade e dimensão como o nosso Presiq. Claro que, na negociação que fizemos com o próprio governo, sentimos em determinados momentos algum sentimento de que o valor dos créditos poderia ser reduzido. A nossa proposta original tinha, inclusive, um valor superior ao que foi aprovado. A forma como isso vai funcionar pressupõe a inclusão nos orçamentos de cada ano do montante correspondente", afirma.
A possibilidade de geração de crédito está em torno de R$ 15 bilhões de 2027 a 2031, ou seja, R$ 2,5 bilhões por ano. "É uma caminhada que, se completar com a sanção sem veto do presidente da república, nós vamos estar celebrando. Até agora foi uma grande conquista", reconhece.
Com o Regime Especial da Indústria Química, deverá ser trabalhada a regulação e o funcionamento dos créditos. Os recursos serão voltados parte à atividade produtiva e parte em investimentos para pesquisa, desenvolvimento e ações de preservação, que, na visão de Motta, poderá atenuar as dificuldades de competitividade da indústria química brasileira.
"Ela vai qualificar mais ainda a descarbonização e a preservação ambiental que já é um ativo muito importante da indústria química e nós vamos ter a oportunidade de consolidar, isso tem mais repercussão do que o próprio resultado econômico em benefício das empresas", pontua.