Economia

Investimento em resgate da cultura é estratégia atrativa para o crescimento das empresas, afirmam especialistas

Cultura e resiliência empresarial para atravessar crises foi tema discutido na reunião Tá Na Mesa, da Federasul

Cultura e resiliência empresarial: estratégias para atravessar crises é o tema do Tá Na Mesa dessa quarta-feira, 19/11, com Glaucia Nasser, empresária, artista e presidente do Conselho da Terrena Agronegócio; o jornalista e publicitário José Luiz Tejon, doutor em Educação pela Universidad de la Empresa/Uruguai, e Shirley Balbino, presidente e fundadora do Complexo e Instituto Cultural Villa Santo Inácio, administradora e especialista na Arte de Fazer Negócios
Cultura e resiliência empresarial: estratégias para atravessar crises é o tema do Tá Na Mesa dessa quarta-feira, 19/11, com Glaucia Nasser, empresária, artista e presidente do Conselho da Terrena Agronegócio; o jornalista e publicitário José Luiz Tejon, doutor em Educação pela Universidad de la Empresa/Uruguai, e Shirley Balbino, presidente e fundadora do Complexo e Instituto Cultural Villa Santo Inácio, administradora e especialista na Arte de Fazer Negócios Foto : Camila Cunha

A cultura é a principal estratégia para resgatar o valor e identidade organizacional de uma empresa. É o que especialistas em diferentes áreas da gestão empresarial defendem para o desenvolvimento e resiliência dos seus negócios. Os desafios e estratégias importantes para atravessar diferentes crises foi o tema de discussão na tradicional reunião Tá Na Mesa, da Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul). Entre os convidados, estavam Glaucia Nasser, empresária, artista e presidente do Conselho da Terrena Agronegócio; José Luiz Tejon, jornalista, publicitário e doutor em Educação pela Universidad de la Empresa/Uruguai, e Shirley Balbino, presidente e fundadora do Complexo e Instituto Cultural Villa Santo Inácio.

Integrar a arte para resgatar a cultura original é uma estratégia de fortalecimento da identidade organizacional de uma empresa, afirma Glaucia, que é empresária e também artista. Foi o que levou de propósito para o Conselho da Terrena Agronegócio, empresa com unidades em Minas Gerais e São Paulo, voltada à fabricação e comercialização de fertilizantes para o desenvolvimento agrícola, de modo que a estratégia seguisse a cultura, ou que a cultura não mastigasse essa estratégia no final do dia. Glaucia comentou sobre o processo de evolução que a empresa passou a partir de 2023, quando colocou como prioridade o resgate dessa cultura, que havia nascido com seu fundador há mais de 50 anos e foi, nas suas palavras, se perdendo com o passar do tempo.

“Utilizamos a cultura, no seu sentido mais amplo, e ferramentas de arte e ambiente para fazer essa mudança”, afirma. "Em outubro de 2023, a empresa vendeu mais do que em qualquer momento dos seus 54 anos. Em novembro ela repetiu, dezembro ela repetiu, e fechou com lucro em um ano, que a maioria das empresas do setor adubeiro do Brasil fechou em prejuízo", reconhece.

Resgatar a cultura para os mais jovens

Questionados sobre como lidar com a geração mais nova, que pode apresentar pouca aderência à cultura nas organizações, e os possíveis impactos na mão de obra, os convidados defenderam a importância em investir no resgate da memória afetiva do pertencimento local para impulsionar a juventude.

A empresa da presidente do Conselho da Terra Agronegócio, com maior parte das gestões jovens, aderiu com facilidade às estratégias da empresa, que foca na memória afetiva do pertencimento brasileiro, afirma Glaucia. “Vimos um brilho nos olhos que achava que não seria fácil, justamente por essa ideia de que os jovens não estão prontos. A gente pode até ter uma massa que não está pronta, mas tem uma massa que está vigorosa e que quer muito interagir com isso dentro da realidade”, afirma.

Para Shirley Balbino, os jovens estão desconectados da cultura, e defende o investimento em iniciativas privadas e públicas para criarem ações de resgate desse elo perdido. “Percebo que os jovens, hoje, estão sem norte. E eles precisam de iniciativas de pessoas que os engajem, que os tragam de volta para as suas origens, para sua essência, que isso está se perdendo muito. As pessoas estão sedentas de uma boa música, de teatro, de dança, de conexão com a natureza, de entender de onde vieram, de se conectar com a sua ancestralidade”, defende. Ela conta desse trabalho de resgate conduzido em Salvador do Sul, por meio do Complexo e Instituto Cultural Villa Santo Inácio, local de um antigo seminário jesuíta e considerado patrimônio histórico. O espaço foi lançado em setembro com o objetivo de consolidar-se como referência para turismo, cultura, educação e a integração comunitária da região do Vale do Caí.

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José Luiz Tejon, que é considerado referência em gestão do agronegócio, pontuou que a cultura é considerada uma luta do ético com o estético, e que pode ser considerada uma guerra, já que pode servir tanto ao bem quanto ao mal. “Para ser travada, você precisa compreender de que lado da cultura você está”, defende. Ele também concorda com o desafio desse resgate. “Em uma empresa, se o líder não caminha pela empresa, não anda pela companhia, não conversa com outras pessoas, simplesmente não consegue mais exercer a liderança”, sublinha.

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