Economia

Maio termina com alta acumulada do dólar em 5,8%

Intervenções do BC não frearam trajetória de elevação por conta das inseguranças do mercado mundial

Há tempos não se via um final de mês com disputa tão acirrada entre investidores comprados e vendidos em derivativos cambiais. E mais longo ainda é o período em que não se registrava uma vantagem dos primeiros sobre os segundos. A alta das cotações do dólar ante o real, que favorece os comprados, foi generalizada e forte neste mês de maio e aconteceu em reflexo, principalmente, da deterioração do mercado internacional, com o crescimento das possibilidades de que a Grécia abandone a zona do euro. Apesar das intervenções do Banco Central, a moeda americana fechou com alta de 5,8% no mês.

A aversão ao risco que atingiu o câmbio no Brasil fez o BC intervir no mercado por meio de leilões de swap cambial, que representam a venda da moeda americana no mercado futuro. Desde o final do ano passado, quando a autoridade monetária ofereceu linhas de financiamento para exportadores, o BC não atuava na ponta de venda. Na ocasião, rapidamente houve um refluxo das cotações e as atuações foram breves. Nesta quinta-feira o BC não veio a mercado. Primeiro porque a pressão de alta no dólar foi moderada, mas também porque é comum a autoridade monetária evitar intervenções quando os investidores estão em meio a esses movimentos técnicos de final de mês.

O dólar junho, objeto da disputa entre os investidores, valia R$ 2,022, com alta de 0,22%, às 17h05min. No mês, o aumento estava em 5,34% até esse horário. Em reflexo, a alta mensal foi forte também no mercado à vista, onde o balcão encerrou maio com valorização de 5,82%, a R$ 2,017. No dia, no entanto, o dólar balcão registrou variação zero, depois de vaivéns. Na BM&F, o dólar à vista ficou em R$ 2,020, com ganho de 7% em maio e de 0,28% no dia. No ano, a alta do dólar à vista é de 7,92% no balcão e de 8,34% na BM&F.

A taxa oficial do Banco Central - Ptax - referente a maio, usada para liquidar os contratos de junho, mostrou valorização de 6,90% no mês, a R$ 2,0223. Nesta quinta-feira, ela teve alta de 0,72%. A disputa pela formação da Ptax foi acentuada nos últimos dias e estendeu-se até a manhã desta quinta-feira, segundo operadores. O giro do dia foi forte e houve grandes oscilações. Umas facilmente explicadas pelos acontecimentos externos, que beneficiaram os comprados nesta quinta-feira e durante todo o mês de maio, e outras nem tanto.

Segundo um operador, perto do final da manhã, as cotações deram uma guinada, com desaceleração forte, sem um fundamento que explicasse o movimento. Durante a tarde, depois da Ptax formada, as oscilações das cotações diminuíram, mas o volume de negócios seguiu firme, segundo os operadores. Às 17h11, a clearing da BM&F registrava volume de US$ 1,6 bilhão.


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