Economia

Mercado gaúcho de veículos registra o melhor acumulado de janeiro a outubro desde 2015

Rio Grande do Sul soma 160.625 emplacamentos nos 10 primeiros meses de 2026. Veículos eletrificados crescem 133,66% no ano

Foram comercializados 15.578 veículos totalmente elétricos nos 10 primeiros meses do ano no RS
Foram comercializados 15.578 veículos totalmente elétricos nos 10 primeiros meses do ano no RS Foto : Fabiano do Amaral/ CP Memória

O mercado de veículos zero quilômetro do Rio Grande do Sul alcançou um marco importante em 2026. Entre janeiro e outubro, foram 160.625 unidades emplacadas, o melhor desempenho para o período desde 2015, quando o Estado registrou 166.516 veículos comercializados.

O resultado representa crescimento de 4,52% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram emplacadas 153.677 unidades, e demonstra a recuperação gradual do mercado gaúcho, mesmo diante de um cenário econômico que ainda impõe desafios a diferentes segmentos. Em outubro, foram 18.440 veículos emplacados, resultado praticamente estável em relação a setembro, com pequena retração de 0,38%.

Setembro permanece como o melhor mês do ano, com 18.510 unidades, conforme a base atualizada do levantamento. Foram dois meses seguidos do ano que o RS emplacou mais de 18 mil unidades e o segundo mês consecutivo que o Estado emplaca mais de 700 veículos por dia útil. Os dados integram o levantamento mensal realizado pelo Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos, vinculado à Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Sincodiv/Fenabrave-RS).

Para o presidente da entidade, Jefferson Fürstenau, o desempenho acumulado merece destaque, especialmente pelas particularidades da economia gaúcha.

“Alcançar o melhor resultado dos últimos 11 anos para o período de janeiro a outubro é uma conquista importante para o setor. Estamos falando de um mercado que enfrentou os impactos das estiagens, das enchentes e de um ambiente de crédito ainda restritivo. Também tivemos Copa do Mundo e eleições que interferem num compasso de espera o mercado. Mesmo assim, as concessionárias seguem investindo, gerando empregos e acompanhando as transformações do consumidor. Os números demonstram a força da distribuição de veículos no Rio Grande do Sul e a capacidade de recuperação da nossa economia”, destacou.

Automóveis crescem quase 12%

O segmento de automóveis permanece como um dos principais responsáveis pelo desempenho positivo do mercado gaúcho. Em outubro foram 10.044 automóveis emplacados, volume 1,57% inferior ao de setembro, mas que mantém o segmento acima da marca de 10 mil unidades pelo segundo mês consecutivo.

No acumulado de janeiro a outubro, foram comercializados 87.130 automóveis, crescimento de 11,95% frente às 77.826 unidades registradas no mesmo período de 2025. O Rio Grande do Sul alcançou a 5ª colocação nacional no acumulado de automóveis, com participação de 4,50% nas vendas brasileiras. No Brasil, o segmento acumula crescimento de 20,62% em 2026, com 1,93 milhão de unidades emplacadas.

“Os últimos dois meses o segmento de Automóveis no RS figurou na 4ª colocação em vendas no país, ultrapassando, inclusive, Santa Catarina. Diminuímos muito a diferença em unidades, temos 1.300 unidades na diferença acumulada. Se nos próximos dois meses vendermos 750 unidades a mais, podemos fechar o ano na 4ª colocação no segmento”, projetou Fürstenau. O desempenho gaúcho acompanha o movimento de renovação de produtos, maior oferta de modelos eletrificados e estratégias comerciais das montadoras e concessionárias.

Comerciais leves mantêm recuperação mensal

O segmento de comerciais leves registrou 2.887 emplacamentos em outubro, crescimento de 0,91% em relação a setembro. No acumulado de janeiro a outubro, o mercado gaúcho registra 20.634 comerciais leves, retração de 9,41% frente às 22.778 unidades comercializadas no mesmo período de 2025. No Brasil, houve crescimento de 5,48%.

A retração no Rio Grande do Sul pode estar relacionada à maior cautela nos investimentos de produtores rurais, pequenos empresários e prestadores de serviços, especialmente em regiões onde a renda e a capacidade de investimento ainda sofrem os efeitos das perdas acumuladas no setor primário.

O Estado permanece na 7ª colocação nacional, com participação de 4,33% no mercado brasileiro. Somados, automóveis e comerciais leves totalizaram 12.931 unidades em outubro. No acumulado, os dois segmentos alcançam 107.764 emplacamentos, crescimento de 7,12% em relação a 2025.

Caminhões seguem impactados pelo cenário econômico

O mercado gaúcho de caminhões registrou 614 emplacamentos em outubro, crescimento de 0,49% sobre setembro. No acumulado dos 10 primeiros meses do ano, o segmento soma 5.875 unidades, retração de 13,49% em relação às 6.791 unidades comercializadas no mesmo período de 2025. A queda é mais acentuada que a média nacional, de 4,49%.

O desempenho reflete um ambiente desafiador para a renovação de frotas, influenciado pelo custo do financiamento, pela seletividade do crédito e pela capacidade de investimento dos transportadores. No Rio Grande do Sul, o endividamento de produtores e as oscilações de rentabilidade das atividades agropecuárias também podem afetar a demanda. O Estado mantém a 5ª colocação nacional em caminhões, respondendo por 6,66% do mercado brasileiro.

Ônibus registram 81 unidades em outubro

O segmento de ônibus encerrou outubro com 81 emplacamentos, retração de 5,81% em relação a setembro. No acumulado de janeiro a outubro, foram comercializadas 924 unidades, queda de 12,42% frente às 1.055 unidades registradas no mesmo período do ano passado. No Brasil, a retração acumulada é de 2,99%.

O segmento está associado aos ciclos de renovação de frotas, investimentos no transporte coletivo e decisões de compra de empresas e operadores de transporte. O Rio Grande do Sul permanece na 6ª colocação nacional, com participação de 4,03%.

Motocicletas crescem 7,23% em outubro

As motocicletas apresentaram um dos melhores desempenhos mensais de outubro: 3.128 unidades emplacadas, crescimento de 7,23% em relação a setembro. No acumulado de janeiro a outubro, o segmento soma 30.342 motocicletas, praticamente estável frente às 30.526 unidades registradas no mesmo período de 2025, com pequena retração de 0,60%. No Brasil, o mercado apresenta crescimento de 8,90%.

O segmento segue associado à busca por alternativas de mobilidade de menor custo e utilização profissional, especialmente em atividades de entrega e prestação de serviços. O Estado ocupa a 19ª colocação nacional, com 1,53% do mercado brasileiro.

Implementos rodoviários mantêm RS na 4ª posição nacional

O segmento registrou 498 unidades em outubro, retração de 28,55% em relação a setembro, quando haviam sido comercializadas 697 unidades. Entre janeiro e outubro foram emplacados 5.103 implementos rodoviários no Rio Grande do Sul, crescimento de 6,96% frente às 4.771 unidades comercializadas no mesmo período de 2025. No Brasil, houve pequena retração de 0,37%.

O resultado reforça a relevância do Rio Grande do Sul na cadeia de transporte e logística, tanto pela presença de fabricantes quanto pela demanda regional. O Estado mantém a 4ª colocação nacional, respondendo por 8,51% dos implementos rodoviários emplacados no Brasil.

Eletrificados consolidam nova realidade no mercado gaúcho

A eletrificação segue como uma das principais transformações do mercado automotivo do Rio Grande do Sul. Em outubro foram comercializados 3.552 veículos eletrificados, entre automóveis e comerciais leves, crescimento de 6,44% em relação a setembro e de 124,10% na comparação com outubro de 2025. No acumulado de janeiro a outubro, o Estado contabiliza 27.562 veículos eletrificados, frente a 11.796 unidades no mesmo período de 2025, expansão de 133,66%.

Foram 15.578 veículos totalmente elétricos comercializados nos 10 primeiros meses do ano, crescimento de 233,29% em relação a 2025. Os híbridos somaram 11.984 unidades, crescimento de 68,27%. Somente em outubro, foram 1.873 elétricos e 1.679 híbridos.

Os números demonstram mudança no perfil do mercado gaúcho, impulsionada pela ampliação da oferta de modelos, maior competitividade de preços, familiaridade dos consumidores com as novas tecnologias e principalmente pela isenção de IPVA nos modelos 100% elétricos.

“O crescimento dos eletrificados deixou de ser uma tendência distante e passou a fazer parte da realidade do nosso mercado. As concessionárias estão se preparando para atender um consumidor que encontra cada vez mais alternativas de tecnologia, eficiência e mobilidade. É uma transformação importante para toda a cadeia automotiva”, observou.

Rio Grande do Sul cresce 4,52%, enquanto Brasil avança 12,62%

No acumulado de janeiro a outubro, o Rio Grande do Sul registra crescimento geral de 4,52%, enquanto o Brasil apresenta expansão de 12,62%. Os números mostram que, embora o mercado gaúcho apresente crescimento no resultado geral, a recuperação ainda ocorre de forma desigual entre os segmentos.

RS avança no ranking nacional de automóveis

No acumulado de janeiro a outubro, o Rio Grande do Sul mantém posições relevantes no mercado brasileiro:

  • Automóveis: 5º lugar
  • Comerciais leves: 7º lugar
  • Caminhões: 5º lugar
  • Ônibus: 6º lugar
  • Motocicletas: 19º lugar
  • Implementos rodoviários: 4º lugar

Considerando todos os segmentos, o Rio Grande do Sul ocupa a 11ª colocação nacional, esta colocação é afetada principalmente pelo segmento de duas rodas, Brasil cresce 8.90% e o RS cai 0,60%, além de um primeiro semestre mais retraído em vendas, de agosto para cá, RS se recuperou, nos últimos dois meses o segmento de comercieis leves, gravemente atingido pelo resultado do setor primário chegou a 4ª colocação do ranking nacional, no acumulado ainda figura como 7º.

Melhor acumulado desde 2015 reforça perspectivas para o encerramento do ano

Com 160.625 unidades comercializadas, o mercado gaúcho alcança seu melhor desempenho para os 10 primeiros meses do ano desde 2015, quando foram emplacados 166.516 veículos. O cenário do primeiro semestre mais travado com a retração do agronegócio prejudicou caminhões e comerciais leves, com recuperação principalmente pós Expointer.

O resultado demonstra a capacidade de recuperação do setor de distribuição de veículos no Rio Grande do Sul, mesmo em um ambiente marcado por desafios econômicos, mudanças tecnológicas e transformações no perfil de consumo.

Com dois meses restantes para o encerramento de 2026, o desempenho acumulado reforça a importância das concessionárias na geração de negócios, empregos e arrecadação, além de evidenciar o papel do setor automotivo na economia gaúcha.

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