As vendas de carros elétricos no Brasil cresceram 196% no primeiro semestre de 2026, conforme dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) nesta sexta-feira. De acordo com a Fenabrave, entre janeiro e junho de 2026, foram emplacados no país 90.470 veículos elétricos, um aumento de 196% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido vendidos 30.534 elétricos.
O primeiro semestre de 2025 somou 30.534 emplacamentos de veículos elétricos "puros", contra 90.470 no mesmo período de 2026, uma alta de quase 60 mil unidades.
O crescimento também vem sendo observado no Rio Grande do Sul. De acordo com dados do Detran-RS, em setembro de 2025, a frota era de 7.277 automóveis 100% elétricos com fonte externa de recarga, além de 2.843 automóveis híbridos com combinação gasolina/elétrico. Somando as diferentes categorias de veículos, a frota gaúcha de elétricos ultrapassa 10,6 mil unidades.
Seguro e instalação segura de carregadores
Para o Sindicato das Seguradoras do Rio Grande do Sul (SindsegRS), o crescimento da frota elétrica chama atenção para dois cuidados que ainda geram dúvidas entre motoristas, condôminos e síndicos, tanto em relação à contratação de seguro específico para esse tipo de veículo quanto à cobertura de carregadores instalados em condomínios.
A contratação desse seguro pode ser feita por qualquer corretor. De acordo com o conselheiro do SindsegRS, Alberto Muller, o seguro para carros elétricos já é uma realidade no mercado. "O equipamento precisa constar em ata e ser informado à seguradora, já que passa a integrar o patrimônio do condomínio. Não é necessário informar a seguradora no momento da instalação. Porém, em caso de sinistro, a seguradora poderá solicitar comprovação de que o equipamento pertence ao condomínio", explica Muller.
A instalação do carregador, seja em casa ou em condomínio, é outro ponto de atenção. Segundo o conselheiro, o seguro residencial e o condominial cobrem danos relacionados ao equipamento, desde que a instalação siga as normas técnicas. "A instalação precisa ser feita por um profissional habilitado, com a ART, a Anotação de Responsabilidade Técnica, correspondente. Sem isso, a seguradora pode não reconhecer a cobertura em caso de sinistro", explica.
"O crescimento na procura por adaptações para recarga de veículos elétricos mostra que os condomínios estão acompanhando uma mudança de comportamento dos moradores. Com planejamento, soluções de medição individual e respeito às normas técnicas, essa modernização pode ser feita com segurança, sem gerar custos coletivos, além de valorizar o patrimônio e tornar os empreendimentos mais preparados para o futuro", afirma o diretor da Guarida Corretora de Seguros, Weslley Aguiar.
Em condomínios, a instalação costuma significar uma extensão de área comum até a vaga de garagem, o que exige formalização adicional. Muller destaca que o equipamento precisa constar em ata e ser informado à seguradora, já que passa a integrar o patrimônio do condomínio. "Se está tudo certo, o seguro condominial vai cobrir. O problema é quando a instalação fica irregular, sem registro em ata e sem comunicação à seguradora, porque isso pode comprometer a cobertura de todo o condomínio, não só da unidade que instalou o carregador", diz.
"Com o crescimento da frota elétrica, essa é uma discussão que só tende a chegar com mais força aos condomínios gaúchos. O papel do seguro é dar segurança tanto para quem instala o carregador quanto para o condomínio como um todo", resume Muller.