Após registrar a maior queda em quase 10 anos na sexta-feira o dólar teve um dia volátil nesta segunda-feira e acabou encerrando os negócios em leve alta de 0,09%, cotado em R$ 3,7082. A elevação da moeda dos Estados Unidos no exterior ante as principais divisas de países desenvolvidos e emergentes ajudou a manter as cotações pressionadas aqui, sobretudo na parte da tarde, mesmo com a injeção de US$ 3,25 bilhões no mercado pelo Banco Central.
Os investidores aguardam eventos importantes pela frente, incluindo o histórico encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que começa nesta terça e deve ter nova alta de juros.
Seguindo a promessa de injetar US$ 20 bilhões no mercado até a sexta-feira o BC fez novo leilão extra de swap cambial e injetou mais US$ 2,5 bilhões em dinheiro novo no mercado, além dos US$ 750 milhões que vem despejando diariamente. O leilão foi pela manhã e fez as cotações do dólar caírem em seguida, batendo a mínima em duas semanas (R$ 3,67) por volta do meio-dia. A moeda começou o dia em alta e chegou a bater em R$ 3,73 no início dos negócios.
Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, evitou adiantar a estratégia para o câmbio na próxima semana, quando terminar esse lote adicional de swap. "Nosso objetivo tem sido o de estabilizar o mercado de câmbio. Não temos qualquer problema em usar as reservas internacionais", disse ele. Para o diretor de câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo, após despencar 5% na sexta-feira, era natural esperar um dia de ajustes no mercado cambial. Ele ressalta as declarações de Ilan ao Broadcast, de que pode usar se necessário, além dos swaps cambiais, instrumentos como os leilões de linhas e as reservas internacionais.
Bergallo avalia que as ações do BC no Câmbio desde quinta-feira foram "contundentes", derrubando os preços do dólar e agora o mercado ajusta suas carteiras antes de eventos importantes desta semana e ainda com um pano de fundo de elevada indefinição nas eleições. No domingo, pesquisa do Datafolha mostrou que o cenário segue indefinido e um nome mais ao centro continua com dificuldade para decolar.
Bolsa
A cautela voltou a marcar os negócios no mercado de ações e o Índice Bovespa teve hoje sua quinta queda consecutiva, puxado principalmente pelas ações do setor financeiro. O índice chegou a subir mais de 1% pela manhã, mas perdeu sustentação e fechou em baixa de 0,87%, aos 72.307,77 pontos. O volume de negócios somou R$ 9,6 bilhões e ficou abaixo da média dos últimos dias, evidenciando um pregão sem os sobressaltos das últimas semanas. "Foi uma continuidade do movimento vendedor dos últimos dias, em um cenário de poucas novidades. O mercado precisa de um 'driver' novo para dar sustentação à força compradora", disse Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.
As ações com maior influência no resultado final do Ibovespa foram as do segmento financeiro, que fecharam com quedas que chegaram a superar os 3%. Responsáveis por mais de 25% da composição do Ibovespa, esses papéis já vinham mostrando desempenho mais fraco desde a abertura positiva da bolsa. Banco do Brasil ON terminou o dia em queda de 3,30%, Itaú Unibanco PN perdeu 2,89% e as units do Santander recuaram 3,13%. Em contrapartida, as ações da Petrobras fecharam com altas de 2,17% (ON) e 1,05% (PN), influenciadas pela expectativa positiva em relação à cessão onerosa.
Segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, a equipe econômica estuda um mecanismo para pagar à estatal a dívida da União decorrente da revisão do contrato sem passar pelo teto de gastos. Em cinco pregões de queda, o Ibovespa perdeu 8,00%, o que leva o acumulado do ano a uma perda de 5,36%. Na mínima do dia, à tarde, o Ibovespa chegou a cair 1,51%, perdendo pontualmente o patamar dos 72 mil pontos (71.843 pontos). Parte da volatilidade foi atribuída à movimentação em torno do vencimento do Ibovespa futuro, na quarta-feira. Profissionais ponderam, no entanto, que o volume de negócios baixo acabou por amplificar operações de menor porte.
Juros
Os juros futuros de curto prazo fecharam a sessão desta segunda-feira em baixa, enquanto os dos demais prazos encerraram entre a estabilidade e leve alta. As taxas nos vértices intermediários e longos recuavam pela manhã, mas a queda perdeu força à tarde, quando também o dólar voltou a subir ante o real. As atuações conjuntas do Banco Central (BC) e do Tesouro nos segmentos de câmbio e títulos continuaram sendo considerados como principais fatores a ancorar as taxas na maior parte da sessão, mas a situação ainda é delicada.
A pesquisa Datafolha, com os números da corrida eleitoral, foi relativizada pelos profissionais do mercado, que viram o resultado como inconclusivo sobre o cenário eleitoral. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 encerra com taxa de 7,190%, de 7,347% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2020 caiu de 8,71% para 8,65%. A taxa do DI para janeiro de 2021 fechou a 9,66%, de 9,58%, e a do DI para janeiro de 2023 encerrou em 11,14%, de 11,07%.
A taxa do DI para janeiro de 2025 fechou estável em 11,78%. O gestor de renda fixa da Absolute Investimentos, Renato Botto, afirma que, apesar da queda da maioria das taxas, o mercado segue bastante vulnerável. "O fato de estarem caindo dá a falsa sensação de que a crise acabou, mas não é bem assim. As condições técnicas seguem muito ruins", disse. Segundo o gestor, o alívio está relacionado à grande atuação do BC - que vai ofertar até sexta-feira US$ 20 bilhões em novos contratos de swap cambial - e à mensagem da autoridade monetária. "O discurso de diretores e a própria comunicação do Ilan hoje na entrevista é de que uma pancada nos juros para segurar o cambio não faz parte da estratégia e que vão ficar focados na inflação", argumentou.
O presidente do BC voltou a reforçar, em entrevista ao Broadcast, que a política monetária não vai ser usada para estabilizar o câmbio e sim para manter a inflação dentro da meta. Na entrevista, alguns assinantes perguntaram se o BC elevaria os juros para tentar acalmar o câmbio e ele refutou a ideia. Ilan enfatizou que o colegiado vai continuar acompanhando as expectativas de inflação e que o balanço de riscos prospectivo será avaliado na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Mesmo com ação do BC, dólar fecha em R$ 3,70
Depois de injeção de US$ 3,2 bilhões, moeda americana teve alta de 0,09%