Economia

No segundo dia de recomposição no mercado, dólar fecha em R$ 3,18

Investidores promoveram ajustes após moeda atingir quedas desconfortáveis durante a semana

No segundo dia de recomposição no mercado, dólar fecha em R$ 3,18
No segundo dia de recomposição no mercado, dólar fecha em R$ 3,18 Foto : Eugênio Bortolon / Especial / CP Memória
Sinalizações do governo de que a queda do dólar atingiu um nível desconfortável levaram o mercado de câmbio a promover o segundo dia consecutivo de ajustes, com investidores promovendo recomposição de posições em moeda americana. Ao final dos negócios no mercado à vista desta sexta-feira, o dólar ficou cotado a R$ 3,1847, com alta de 1,47%. No acumulado da semana, a divisa somou ganho de 0,48% frente ao real.

Se até o meio da semana especulava-se que a cotação do dólar pudesse ceder até R$ 3,00 ou menos, por conta da expectativa de ingresso de recursos ao País, agora o mercado trabalha com R$ 3,13 como uma barreira para o Banco Central, pelo menos no curto prazo.

Foi nesse patamar que a autoridade monetária anunciou, nessa quarta-feira  a elevação de 50% na ração diária de contratos de swap cambial reverso. Na quinta-feira, e hoje, o BC ofertou ao mercado 15 mil contratos desse tipo (US$ 750 milhões), e não mais 10 mil, como vinha fazendo.

Em uma primeira reação, nesta quinta, o dólar à vista subiu 0,29%. A alta bem mais expressiva nesta sexta-feira refletiu dois fatores. O primeiro foi a fala do presidente em exercício, Michel Temer, de que a apreciação do câmbio é uma preocupação e que a orientação do governo será na busca de um equilíbrio. O outro fator foi o fortalecimento do dólar frente a maioria das moedas de países emergentes no período da tarde, depois de uma manhã de desempenho fraco. Na máxima do dia, a cotação do dólar à vista chegou a R$ 3,1930 (+1,74%).

Taxa de Juros

Os juros futuros fecharam a sessão desta sexta-feira estáveis, resistindo ao contágio da pressão de alta do dólar, que passou a renovar máximas durante a tarde, graças à ideia de fluxo de recursos farto para mercados emergentes enquanto as taxas de juros estiverem baixas nas economias desenvolvidas.

Essa percepção, por sua vez, foi alimentada hoje por dados fracos de atividade e inflação divulgados nos Estados Unidos, que reduzem as chances de uma elevação de juros pelo Federal Reserve no curto prazo. Na agenda local, a alta do IBC-Br de junho, ainda que acima da mediana das previsões, não chegou a fazer preço.

Ao término da negociação regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 (76.475 contratos) fechou na mesma taxa de ontem: 13,965%. O DI janeiro de 2018 (84.770 contratos) também encerrou estável, em 12,65%. O DI janeiro de 2019 (113.633 contratos) terminou em 12,09%, mesma taxa do ajuste de ontem. O DI janeiro de 2021 (97.121 contratos) fechou estável em 11,89%.

Bovespa 

Depois de encerrar nessa quinta-feira, no maior nível em quase dois anos, a Bovespa terminou estável nesta sexta-feira,  mbora contabilize ganho semanal de 1,11%. A valorização de mais de 2,0% dos contratos futuros de petróleo não impediu um movimento de realização nas bolsas de Nova Iorque - que na véspera renovaram máximas históricas - tampouco foi suficiente para dar impulso ao Ibovespa, que parece confortável no atual patamar.

Internamente, o destaque ficou por conta das ações da Petrobras, que reagiram aos resultados trimestrais da companhia, divulgados nesta quinta após o fechamento do mercado. Embora o lucro tenha vindo abaixo do esperado, outros pontos do balanço agradaram, como a redução na alavancagem.

Os papéis da estatal operaram em alta durante a maior parte do pregão, beneficiados também pelas cotações do petróleo, mas no fim terminaram sem direção única, desempenho que pode ser justificado pela proximidade do vencimento de opções sobre ações, na segunda-feira. Outro alvo do exercício, a Vale figurou entre os destaques de queda, penalizada por avaliações negativas por parte de bancos e por dados fracos da indústria chinesa.

Assim como ontem, o Ibovespa encerrou aos 58.298,40 pontos, no maior patamar de fechamento desde 18 de setembro de 2014, quando marcou 58.374 pontos. Entre mínima e máxima, o índice à vista foi dos 57.987 pontos (-0,54%) aos 58.753 pontos (+0,78%). O giro financeiro somou R$ 7,59 bilhões. A Bovespa acumula ganho de 1,73% no mês de agosto e valorização de 34,49% em 2016.

"A Bovespa subiu bem ontem, está no maior nível do ano mesmo com tanta incerteza na política e na economia e com a visibilidade comprometida, já que não se sabe se o governo Temer vai conseguir fazer o que se propõe no campo fiscal. Está faltando fôlego pra subir. O vencimento de opções também deixa as ações um pouco travadas", comentou um operador de renda variável, lembrando que os investidores tinham até esta sexta-feira para se posicionarem à luz do exercício de opções sobre ações.

As ações da Petrobras encerraram em alta de 1,68% as ON e queda de 0,83% as PN. Segundo operadores, a briga entre comprados e vendidos no vencimento de segunda-feira acabou influenciado os papéis da estatal nesta tarde. Na primeira metade dos negócios, eles subiam firmes refletindo o balanço da companhia e, principalmente, mais um dia de forte alta do petróleo no mercado internacional.

A commodity segue em rota de recuperação na esteira de expectativas sobre a reunião de setembro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), anunciada nesta semana.

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