O novo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Carlos Klein, tomou posse na noite desta terça-feira em cerimônia realizada no espaço Vista Pontal, no Pontal Shopping, na zona Sul da Capital. Fundador da loja de moda masculina Via Condotti, o empresário assume a entidade para o biênio 2026-2027, substituindo Irio Piva, que ocupava o cargo desde 2020.
A cerimônia foi prestigiada por autoridades municipais e estaduais. Em entrevista coletiva, Klein afirmou que sua gestão terá dois pilares principais: preparar micro, pequenos e médios lojistas para as transformações tecnológicas que impactam o comportamento do consumidor e investir na capacitação e valorização dos profissionais do varejo.
“Queremos oferecer aos nossos varejistas e consumidores um atendimento cada vez mais qualificado, humanizado e conversacional, mas também preparado para utilizar tecnologias que melhorem o dia a dia das empresas, dos clientes e os resultados para todos”, afirmou.
Klein observa que o Centro Histórico e o comércio em geral passaram por mudanças significativas nos últimos anos, especialmente após a pandemia de covid-19 e a enchente que atingiu o Estado. O avanço do home office e a aceleração da transformação digital alteraram o fluxo de pessoas nas ruas e, consequentemente, o volume de vendas.
“Não adianta mais fazer as mesmas coisas do mesmo jeito, porque não traz o mesmo resultado. Traz menos. O lojista precisa perceber que é necessário se adaptar, absorver inovações e capacitar cada vez mais seus colaboradores para alcançar um varejo mais forte em 2026”, destacou.
Nesse contexto, ele avalia que a inteligência artificial pode ser uma aliada importante, especialmente para micro e pequenos empreendedores, embora ainda exista receio na adoção dessas ferramentas.
“O lojista consegue utilizar um aplicativo como o ChatGPT para criar campanhas promocionais sem precisar de grandes investimentos. Pode desenvolver imagens, aprimorar a comunicação com os clientes e até estruturar treinamentos para as equipes com apoio da inteligência artificial. Tudo isso seria muito mais complexo sem essas tecnologias”, explicou.
Segundo Klein, a CDL Porto Alegre quer atuar como facilitadora nesse processo. “A CDL quer impulsionar essa inserção digital e ser a grande facilitadora para micro e pequenos lojistas. Sabemos que isso fará diferença no dia a dia dos negócios. Basta conscientização e busca por conhecimento, e a CDL estará pronta para oferecer acolhimento e capacitação.”
Cenário econômico
No ano em que a CDL completa 65 anos de atuação, Klein também projetou o cenário do varejo para 2026, que pode ser favorecido pela expectativa de queda da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15%.
“Temos um quadro de juros bastante alto, que dificulta o crédito. Mas há expectativa, com o controle da inflação, de uma redução gradual da Selic ao longo do ano. Isso deve favorecer o crédito e melhorar o desempenho do varejo em 2026, ainda que de forma lenta e gradual”, avaliou.
Ele admite que as eleições de outubro podem estimular compras com parcelamentos mais longos, mas demonstra otimismo ao afirmar que esse fator não comprometerá o desempenho do setor.
“O resultado do varejo tem muito mais relação com o que acontece da porta para dentro do que da porta para fora. O ambiente externo influencia, mas o lojista precisa estar focado em melhorar o atendimento, oferecer boa diversificação de produtos e se adaptar às novas tecnologias e ao comportamento do consumidor”, concluiu.
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Fim de mandato
Com a mudança na diretoria, Irio Piva deixa a presidência e passa a ocupar o cargo de vice-presidente de Negócios da CDL Porto Alegre. Em balanço de seus três mandatos à frente da entidade, ele destaca iniciativas que ampliaram a visibilidade e a qualificação dos varejistas, como a criação de um programa de educação financeira.
Quase dois anos após a enchente, Piva lamenta o fechamento de empresas em razão da catástrofe climática, mas ressalta a capacidade de adaptação do setor. “Ainda há muitos que não conseguiram retomar, mas, na grande maioria dos casos, as empresas encontraram uma forma diferente de atuar e conseguiram retomar suas atividades”, afirmou.
Para ele, o principal desafio da nova gestão será preparar os empresários para um cenário em que a inteligência artificial ganha cada vez mais espaço. “Estamos vivendo um momento em que a inteligência artificial interfere no dia a dia de todos nós, seja no ambiente de negócios, seja na vida privada. Preparar o empresariado para se adaptar a essa nova realidade é um desafio muito grande”, concluiu.