Após ato realizado ao longo da manhã em Porto Alegre, diretores do Sindicato dos Servidores Federais da Saúde, Previdência e Trabalho do Rio Grande do Sul (SindisprevRS) deram mais detalhes da atuação de servidores do INSS com relação às fraudes relacionadas à cobrança de mensalidades associativas de beneficiários. Segundo a entidade, servidores do órgão já haviam denunciado sobre as irregularidades desde o final da década passada e que as fraudes foram feitas em função da atuação de cargos comissionados no instituto.
O diretor do SindisprevRS, Thiago Manfroi, conta ainda que o atual escândalo é resultado de um desmonte em infraestrutura, quadro funcional, sistematização e equipamentos de uso diário. Ele salienta ainda que, até 2017, havia uma restrição na indicação política de cargos e que a presença de agentes externos em pastas superiores culminaram em uma “farra”.
“Existem indícios de outros problemas de ordem de controle no INSS. Achamos que isso aqui vai abrir a porta para que esses outros elementos apareçam. Já temos um impacto com pessoas revoltadas, achando que é culpa do servidor, mas não é. Essa fraude tem ligação com agentes alheios ao quadro. O INSS foi tomado por quadrilhas. Atualmente, se o INSS entrasse em colapso, causaria um rombo na economia”, afirmou.
Outro diretor do sindicato, Alcieres Cardoso, apontou ainda que servidores tentaram acessar recentemente os protocolos das denúncias feitas sobre as fraudes. Entretanto, o acesso a esses protocolos foi negado pelo INSS. “Essa fraude foi possibilitada em nível de gestão. Se tivessem mais servidores, essa sangria poderia ser estancada Os servidores não participaram do que aconteceu e nós já vínhamos cobrando melhorias”, completou.
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Indícios de novas fraudes
Ex-diretor do SindisprevRS, o servidor Ivan Cardoso apontou que já existem indícios de outras fraudes no INSS, entre elas, uma relacionada à fragilidade da entrada no Benefício de Prestação Continuada (BPC). Essas irregularidades, segundo ele, foram denunciadas ainda em 2024. “Está em andamento mais uma fraude nos benefícios para pessoas idosas. Usaram nome de pessoas que tinham direito, mas não pediram o BPC, além do uso de documentos falsos. As tentativas de fraudes no INSS são rotineiras”, salientou.
Temor na dificuldade em reaver valores
O sindicato ainda teme que as vítimas da fraude no INSS, a maioria formada por pessoas idosas e com dificuldades no acesso à tecnologia, não consigam de fato reaver o valor que havia sido irregularmente repassado para associações. Para a entidade, o processo definido pelo governo para que as vítimas tentem reaver os valores foi equivocado, pois faz com que o próprio beneficiário tenha que descobrir se foi lesado ou não.
O relato dos servidores é de que a forma para reaver o dinheiro é acessar um link que está no aplicativo Meu INSS. Entretanto, como a maioria das vítimas é de pessoas com idade avançada, a dificuldade de utilização da tecnologia pode atrapalhar isso. Além disso, os diretores temem que familiares de pessoas que foram vítimas da fraude e faleceram recentemente não consigam solicitar o retorno do valor.
“Isso é um grande problema e pode inclusive criar um mercado paralelo de protocolos de benefícios. Um intermediário que vai cobrar uma porcentagem desse valor que, para reaver, bastaria clicar em um botão, como falou o ministro. Quando falamos do público-alvo do órgão, ele é formado por pessoas com dificuldade no uso de smartphone ou pessoas sem acesso à internet. O INSS e o governo como um todo está desconsiderando tudo isso”, finalizou Manfroi.
Procurada, a Superintendência Regional do INSS informou que o tema está sendo tratado pela gestão do órgão em Brasília que, até o momento, não respondeu sobre os apontamentos feitos pelo SindisprevRS.