Economia

Olhar para as necessidades da comunidade é essencial para pensar no seu desenvolvimento econômico, aponta especialista

Painel tratou de experiências estadunidenses baseadas em dados para atrair investimentos

Maria Cândida Langbauer foi painelista no segundo dia do Gov Expo Summit 2025
Maria Cândida Langbauer foi painelista no segundo dia do Gov Expo Summit 2025 Foto : Alefer Dias / Divulgação / CP

Olhar para os dados, os atrativos e as necessidades de uma comunidade é a principal estratégia para buscar investimentos certeiros e impulsionar o desenvolvimento econômico de uma cidade. Foi o que defendeu Maria Cândida Langbauer, estrategista sênior de Desenvolvimento Econômico da cidade de SeaTac, em Washington, no segundo dia do Gov Expo Summit 2025, evento voltado a discutir soluções para a gestão pública. O evento encerra nesta terça-feira e reúne gestores públicos, especialistas, empresários e representantes da sociedade civil no Vista Pontal, centro de eventos do Pontal Shopping, em Porto Alegre.

Maria Cândida é membro do International Economic Development Council (IEDC), integrando o Comitê Consultivo Internacional (International Advisory Committee), que atua na promoção do crescimento econômico local e na atração de investimentos. Em seu painel, ela tratou de visões globais sobre desenvolvimento local e apontou estratégias utilizadas nos Estados Unidos que transformam cidades por meio de análise de dados para atrair investimento e promover a economia de uma região.

A estrategista de Minas Gerais carrega experiência de 20 anos na área de desenvolvimento econômico nos Estados Unidos, e também comentou sobre estudos de casos que participou e funcionaram nas cidades estadunidenses, com o objetivo de conhecer diferentes realidades para pensar em possibilidades de se adaptar a outras cidades. Que, para pensar em investimentos de empresas, é necessário chamá-las com atrativos locais que possam impulsionar a economia.

Visão comunitária

O desenvolvimento econômico estadunidense é planejado com uma visão comunitária, focado no bem-estar da comunidade do que na retenção de financiamento, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e a renda da população para impulsionar os negócios, detalhou Maria Cândida. Com a experiência local, ela defende que a inteligência de dados é essencial para a interpretação dos dados socioeconômicos, por meio do mapeamento das questões comportamentais da população.

A estrategista trouxe a atuação do Conselho Internacional de Desenvolvimento Econômico (IEDC), organização sem fins lucrativos que atua na área de desenvolvimento econômico, trabalham para cidades, com dados, estados e empresas privadas para promover o bem-estar econômico e a qualidade de vida das comunidades. "Tudo que a gente faz de desenvolvimento econômico é baseado na comunidade, perguntando para as pessoas o que elas precisam, e desenvolvendo para atrair empregos e uma base tributária resiliente", afirmou.

O objetivo é estimular uma base de taxa residente, construir economias inclusivas e diversificadas, contar com pequenas empresas, liderar planejamento estratégico a longo prazo e promover resiliência a desastres e interrupções econômicas. "O desenvolvimento econômico vem de baixo para a gente. A visão que nós temos é bem comunitária", complementa.

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Estudo de caso de SeaTac

A especialista trouxe exemplos aplicados na cidade de SeaTac, no sul do Condado de King, Washington (EUA), como foi feito um plano para integrar a comunidade local e valorizar a cultura e a diversidade para atrair investimentos, com o uso de inteligência de dados e softwares para ver onde eram os maiores fluxos turísticos. As equipes fizeram, por exemplo, levantamentos de todos os restaurantes existentes na cidade para pensar em oportunidades de investimento, fluxo de mobilidade e potencial turístico da região. Ainda, considerando o contexto da cidade que tem milhares de quartos de hotéis e um aeroporto internacional entre os 10 mais movimentados dos EUA, como que poderia impulsionar um atrativo global para o local.

Ela apontou, também, os desafios da região, como desigualdade regional, falta de dados integrados e a necessidade de valorizar trabalhadores imigrantes, como fatores para serem desenvolvidos.

Entre os resultados foi apontada uma cultura institucional de decisão baseada em evidência, com estímulo ao turismo gastronômico e o crescimento de pequenos negócios. Os dados são utilizados para diálogos com a Câmara dos Vereadores e para aprovação de políticas públicas baseadas nas informações colhidas. "A gente fala a quantidade, por exemplo, de negócios que foram feitos, o que nós gastamos, quantos empregos foram gerados e quantos quartos de hotéis foram gerados, então, quantos mais investimentos", detalha.

Evento encerra nesta terça-feira

O evento, idealizado pelo GlobalGov, instituto dedicado à transformação da gestão pública, conta com parceria da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e da Invest RS. Além da palestra de Maria Cândida, a programação contou com painéis sobre gestão baseada em dados, com a presença de Caroline Bücker, diretora de Inteligência e Estratégia da Invest RS, Rafael Spengler, gerente de Inteligência da Invest RS e Patrícia Augsten, secretária de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Canoas. Ainda, sobre reformas e oportunidades, com Leonardo Busatto, diretor de Planejamento do BRDE, Rodrigo Fantinel, CEO da Inovesse Gestão e Desenvolvimento e Renan Aguiar, presidente Previmpa até 2020)

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