O regulador do mercado conclui ainda que Eike manipulou os preços de mercado ao manter conversas com investidores no Twitter, induzindo a compra ou manutenção das ações da OGX. Questionado sobre os problemas da OGX ele usou frases como "Vamos apresentar plano de negócios em breve!". Ao mesmo tempo em que fazia comentários otimistas, Eike vendeu R$ 165 milhões de suas ações da empresa entre os dias 24 de maio e 10 de junho.
Na análise da CVM isso reforça sua intenção de convencer os usuários da rede a apostar na OGX, mesmo ciente dos problemas na empresa. As ações caíram 5,5% após o mercado ser informado das vendas de papéis por Eike.
A acusação da CVM também destacou que o compromisso do empresário em injetar US$ 1 bilhão na OGX ("put"), firmado em outubro de 2012, influenciou a decisão de investidores. Mais tarde, Eike se negou a cumpri-lo alegando certas condições do contrato. O problema é que o contrato só foi divulgado na íntegra em setembro de 2013. Para a CVM, houve uma "assimetria informacional" aos investidores, caracterizando a chamada "prática não equitativa".
É a segunda vez que o MPF atua dentro da crise do império X. Em dezembro passado o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, revelou a abertura de um inquérito civil público para apurar se houve irregularidades por parte da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da própria CVM na fiscalização das atividades da petroleira OGX. A apuração ainda está em curso.