Com duas Copas do Mundo vestindo a amarelinha no currículo, sendo escolhido o melhor jogador do Mundial em 1982 e com experiências no comando da seleção brasileira e japonesa, e de outros clubes brasileiros, como o Internacional, Paulo Roberto Falcão contou, nesta terça-feira, o segredo e os principais desafios de como ser um bom líder e chegar ao sucesso de um time. Na tradicional reunião-almoço Menu POA, na Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), o ex-jogador e treinador afirmou que enxerga necessário ter, principalmente, persistência, preparação e trabalho em equipe.
Falcão começou defendendo que, para liderar uma equipe e passar por qualquer atividade, principalmente competitiva, é necessário passar por obstáculos. Ele lembrou que passou por dificuldades financeiras na sua infância e não desistiu. “Para começar, é preciso persistir. Para aprender e construir uma boa fase e uma boa base de qualquer atividade, eu preciso persistir”, ressaltou.
Ao trazer um exemplo de persistência, Falcão cita o jogador Cafu. "Ninguém deu mais do que ele na Seleção. E eu tive o prazer não de lançar o Cafu, que ele não lança ninguém, mas de dar a primeira oportunidade para ele na Seleção, depois da Copa de 90. Antes, ele passou por sete perdas. Sete times não o pegaram. Isso é persistência".
O segundo ponto mais importante, para o ex-treinador, é a preparação. "Mesmo quem é premiado com o dom e com o talento de fazer as coisas mais fáceis, precisa aprender a aperfeiçoar". Falcão conta que estimulava seus jogadores a treinarem a perna não dominante, por exemplo, com muitos treinos e repetições.
O futebol, queiram ou não, é uma competição, e as equipes precisam se preparar como tal, destacou o ex-jogador e treinador. O esforço é tão importante quanto o talento. "A inspiração é fundamental, mas se não tiver transpiração, se você não suar, o cara que tem menos talento, e transpira mais, vai ganhar de você."
Para Falcão, no futebol, há dois tipos de líderes: o técnico e o "do grito". A técnica exige saber lidar com os seus companheiros. "Se você gritar com ele, ele não anda. Tem outros que, se você não gritar, não anda também, Tem que conhecer cada um deles para que resolver".
"A liderança também é bater de frente. A liderança também é exigir que as pessoas deem o que podem dar. Isso não é uma coisa fácil. Não é só passar a mão."
Quando fala em trabalho em equipe, Falcão lembra da frase "nenhum jogador é tão bom quanto todos juntos", máxima histórica atribuída ao lendário Alfredo Di Stéfano, ídolo máximo do Real Madrid C.F.
"Você pode estar em um dia excepcional, pode ser o responsável por uma vitória de uma partida. Mas só o time inteiro ganha o campeonato. Se você ganhar o campeonato, você tem que ter uma boa defesa. Se você só tem um bom ataque, você não vence".
Na visão de Falcão, o maior desafio de uma liderança é fazer com que todos sintam-se participantes do projeto. "Que possam desenvolver aquele sentimento de pertencimento, que faz com que cada um se supere nos seus objetivos". O segredo, finaliza, é unir a confiança do treinador e o apoio dos seus companheiros.