Hoje, quero te contar uma história real de como a liderança feminina é capaz de resgatar a dignidade de todo um estado. Em setembro eu estava em Natal dando aula no mestrado da Universidade Potiguar (UnP). Durante uma conversa, ouvi comentários sobre como o aeroporto da cidade já não recebia mais os voos diretos internacionais vindos de países como Itália, Suíça e Alemanha. Movida pela curiosidade, perguntei o motivo de essa malha aérea ter mudado. Foi aí que os potiguares me contaram a história de Wilma de Faria, carinhosamente conhecida como "a Guerreira".
Nas décadas de 1990 e início dos anos 2000, o cartão-postal de Natal escondia um submundo perverso. O destino era vendido na Europa como a capital do turismo sexual. Boates se multiplicavam e o "produto" mais cobiçado por abusadores internacionais eram meninas de 12, 14, 15 anos. Estamos falando de pedofilia, exploração infantil e miséria extrema vendidas como atração turística (não lembra os escândalos na polítca internacional recente?).
Quando assumiu a gestão e decidiu enfrentar essa máfia, Wilma encontrou uma oposição feroz. Grandes nomes da política local e nacional — homens que foram e ainda são senadores e deputados federais — tentaram paralisá-la, temendo a perda de arrecadação do setor e defendendo os interesses de grandes empresários da noite.
Pior, foi que alguns “cidadãos” disseram que acabar com esse turismo destruiria a economia do estado do RN (nem vou tecer comentários sobre essas opiniões, deixo pra vocês!!!). Mas a firmeza de uma mulher no comando não se dobra facilmente.
- O preço que o corpo paga pelo trabalho: uma conta que não é igual
- Outubro Rosa e as eleições: a esperança é uma escolha de sobrevivência
- O que você deixa por último em seu checklist diário?
Wilma articulou operações policiais rigorosas, fechou estabelecimentos clandestinos e sufocou o esquema. Mais do que punir, ela compreendeu a raiz do problema: a vulnerabilidade social. Criou programas de renda, capacitação e suporte direto para que mães em extrema pobreza não vissem na entrega de suas filhas a única alternativa de sobrevivência.
O resultado? Natal deixou de ser a "cidade do sexo" para se consolidar, com orgulho, como a Cidade do Sol. Uma capital que hoje atrai turistas de qualidade, famílias e viajantes que buscam suas belezas naturais, e não mais abusadores, misóginos e pedófilos.
Como venho destacando nas minhas colunas sobre inteligência organizacional e liderança, as mulheres tendem a apresentar uma visão integrativa e uma sensibilidade apurada para o impacto social em suas adminsitrações. Não é um detalhe: quando uma mulher ocupa o espaço de liderança a proteção à vida e aos direitos humanos passa para o topo da agenda.
Precisamos de mais mulheres ocupando espaços em todas as esferas. Te convido hoje a assumir a sua responsabilidade na construção dessa nova realidade mais equânime. Você conhecia essa história de coragem? Deixe o seu comentário e compartilhe este texto com outras mulheres para que a gente nunca se esqueça do poder da nossa voz!
Andréa Fidelis é psicóloga, palestrante, pesquisadora e coordenadora do curso de Psicologia do Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios (IBGEN). Também integra o corpo docente do Mestrado Profissional em Psicologia Organizacional e do Trabalho da Universidade Potiguar (UnP).
