Andréa Fidelis

O que você deixa por último em seu checklist diário?

A colunista Andréa Fidelis analisa por que cuidar da saúde física e mental é essencial para uma vida mais plena, equilibrada e com propósito

Entre tantas demandas, colocar a própria saúde na lista de prioridades é um passo para viver com mais autonomia, equilíbrio e propósito
Entre tantas demandas, colocar a própria saúde na lista de prioridades é um passo para viver com mais autonomia, equilíbrio e propósito Foto : Canva / Dvulgação / CP

Se na nossa última conversa nós concordamos em soltar os pratos pesados da rotina, hoje eu quero te lembrar: entre todos os teus checklists diários, o que você escolhe sempre deixar em último lugar? Você está pensando se deixa de comer, dormir, limpar a casa ou trabalhar? Na verdade, tem algo que você sempre negligencia: a sua saúde.

Agora, algumas de vocês vão pensar que eu, como psicóloga, vou falar apenas da saúde mental, não é mesmo? Mas não há saúde mental sem saúde do corpo. Não há vida sem a saúde do corpo. Isso é muito sério.

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Para ser mãe, profissional, manter a casa ou querer ser bonita, tudo precisa de saúde física. E sabe o que é pior? A saúde física é a primeira que eu e você deixamos para depois. Há estudos que mostram que mulheres com sobrepeso têm o comportamento de priorizar os outros e deixar a si mesmas de lado. São essas mulheres as mais suscetíveis a ter problemas de saúde a partir dos 40 anos, além de questões importantes de autoestima e autoimagem que podem levar à depressão.

Agora a conversa ficou séria. Você quer viver? Mas quer viver com qualidade física e mental ou quer deixar para pensar nisso só quando envelhecer? Lembre-se de que envelhecemos todos os dias. Já estou te perdendo de novo? Já quer parar de ler? Eu sei o porquê. Você deve estar pensando: "Eu vou me preocupar com isso depois. Agora tenho coisas mais importantes na frente".

Mas pensa comigo: o corpo que te sustenta precisa estar forte, sem dor e sem restrições, para te levar onde a sua mente deseja ir. Estudos recentes da Forbes sobre longevidade mostram que o movimento constante é o maior elixir para a clareza mental e a saúde funcional. E isso não precisa ser uma sentença de frequentar a academia por obrigação. Pôr-se em movimento não deve ser mais uma cobrança que você se impõe — nem, tampouco, motivo para esquecer de ti e desistir.

Manter-se fisicamente ativa é escolher você! É escolher qualidade de vida. E não precisa ser um sofrimento.

Eu vivi essa virada. Ao ver meu sogro enfrentar um processo demencial acompanhado de uma dolorosa perda de autonomia física — dores nos joelhos, costas travadas e o dificuldade de caminhar —, decidi que queria um futuro diferente. Entrei na academia, colhi os resultados, mas odiava estar lá. Era um sacrifício diário. Até que entendi o recado: mudei a modalidade, ajustei os horários e transformei a obrigação em um momento meu. Cuidar de mim deixou de ser um fardo e virou um recurso para a minha felicidade.

Vejo mulheres na faixa dos 50+ descobrindo a liberdade no beach tennis, na corrida, no vôlei ou na dança. O exercício pode ser um ritual de prazer. E aqui eu estou chamando a atenção para a saúde, e não para a ditadura da beleza estética.

Há mulheres que se obrigam ao exercício apenas para "enganar" a idade. O espelho vira um inimigo e elas sofrem com treinos extenuantes só para ter um corpo desejável e magro. Isso não é saúde, é sofrimento.

No impactante filme "A Substância", a personagem vivida por Demi Moore entra em um espiral devastador de autodestruição ao tentar resgatar, a qualquer custo, um ideal de beleza e juventude. Ela se reduz ao corpo, e ao se reduzir a ele, perde a própria alma. É uma metáfora cruel sobre a nossa sociedade: quando usamos o nosso corpo apenas como vitrine para o olhar do outro, nos desconectamos de quem somos. A beleza estética é fugidia; ela escorre pelas mãos. Colocar o valor da sua existência apenas no espelho é o caminho mais rápido para o adoecimento da mente, para a depressão e para a perda de sentido.

A verdadeira essência da Inteligência Espiritual — tema que estudo e levo para minhas palestras corporativas — é dar valor à vida imaterial através do sentido e do propósito. E nenhuma vida com propósito se sustenta sobre um templo em ruínas. Nós não somos apenas o nosso corpo, mas é através dele que experimentamos a vida, o sucesso, o abraço e a felicidade.

Cuidar da sua estrutura física é fazer as pazes com ela. O seu corpo é o veículo da sua jornada. Não o reduza a um padrão fútil, mas também não o abandone na estrada. Cuidar do corpo que te sustenta é, no fim das contas, a forma mais bonita de cuidar da sua própria vida. E você, tem cuidado do seu corpo como uma vitrine passageira ou como o templo que sustenta a sua história? Me conta nos comentários, quero muito te ler!

Andréa Fidelis é psicóloga, palestrante, pesquisadora e coordenadora do curso de Psicologia do Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios (IBGEN). Também integra o corpo docente do Mestrado Profissional em Psicologia Organizacional e do Trabalho da Universidade Potiguar (UnP).