Elisa Fernandez

Mattering: a vida de quem você conseguiu tocar?

Elisa Fernandez reflete sobre o mattering e a necessidade de perceber que nossa presença faz diferença na vida de alguém, além das conquistas

Na coluna, Elisa Fernandez aborda o conceito de mattering, ligado à percepção de que a própria existência faz diferença para outras pessoas
Na coluna, Elisa Fernandez aborda o conceito de mattering, ligado à percepção de que a própria existência faz diferença para outras pessoas Foto : Magnific / Divulgação / CP

Cara leitora,

Você já teve aquela sensação de que, mesmo quando tudo parece estar no lugar na sua vida, ainda falta alguma coisa? O nome disso é Mattering. Já ouviu falar?

Mattering é um conceito estudado pela jornalista e pesquisadora norte-americana Jennifer Wallace, autora que se dedica a compreender o que realmente sustenta o bem-estar humano. Em suas pesquisas, ela defende que uma das necessidades mais profundas das pessoas não é apenas ser feliz, bem-sucedida ou reconhecida. É saber que importa. Que sua existência faz diferença para alguém, para um grupo ou para o mundo ao seu redor.

É a famosa pergunta: "Mas o que eu vim fazer aqui?"

Aquela que, enquanto estamos tentando dar conta da agenda, quase não encontra espaço para aparecer. Mas basta a vida entrar nos trilhos, os problemas diminuírem ou os objetivos serem alcançados para ela voltar. E volta com força.

Talvez porque, quando somos jovens, vivemos grande parte do tempo no modo automático. Existe uma sequência quase pré-programada: estudar, trabalhar, construir uma carreira, formar uma família, conquistar estabilidade. Estamos tão ocupados tentando chegar a algum lugar que raramente paramos para perguntar por que estamos indo naquela direção.

A verdade é que o piloto automático não desaparece com a idade. Apenas muda de roupa. Hoje, mesmo cercados por ferramentas que prometem nos dar mais tempo, seguimos acelerados. Respondemos mensagens enquanto almoçamos, ouvimos áudios em velocidade aumentada e transformamos até os momentos de descanso em tarefas de produtividade.

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E então acontece algo curioso.

Depois de anos perseguindo objetivos, descobrimos que a sensação de realização não vem apenas das conquistas. Porque sucesso responde à pergunta "o que eu consegui?". Já o mattering responde a uma pergunta muito mais profunda: "Para quem ou para o que eu faço diferença?"

Talvez seja por isso que tantas pessoas chegam a determinadas fases da vida com uma carreira sólida, uma família estruturada e uma lista respeitável de conquistas, mas ainda assim sentem um vazio difícil de explicar. Não é falta de resultados. É falta de significado.

Na coluna sobre o FOMO, falamos sobre o medo de perder alguma coisa. O mattering parece caminhar na direção oposta. Não fala sobre o que está faltando do lado de fora, mas sobre aquilo que precisa fazer sentido do lado de dentro. Não é sobre o medo de ficar de fora. É sobre a necessidade de sentir que pertencemos à nossa própria história.

No fim das contas, talvez a vida não esteja nos perguntando quantas metas alcançamos, quanto patrimônio construímos ou quantos projetos concluímos. Talvez ela esteja nos convidando a responder algo muito mais essencial:

A vida de quem eu consegui tocar de forma positiva?

Quando encontramos a resposta, a sensação de que falta alguma coisa costuma perder a voz. Talvez o sentido da vida não esteja em fazer mais, mas em deixar algo bom por onde passamos.
Experimente este exercício diário: pergunte-se não apenas o que você fez hoje, mas a vida de quem você conseguiu tocar de forma positiva.

Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.