Elisa Fernandez

Do FOMO ao ROMO, a montanha russa das escolhas

Elisa Fernandez reflete sobre a transição do medo de ficar de fora para o alívio de escolher melhor onde investir tempo, energia e presença

Valorização da ausência estratégica e da agenda consciente como expressão de autonomia e maturidade emocional
Valorização da ausência estratégica e da agenda consciente como expressão de autonomia e maturidade emocional Foto : Freepik / Divulgação / CP

Cara leitora,

Leu a coluna da semana passada? Nela, falei sobre como o FOMO, Fear of Missing Out, nos empurra para tudo: eventos, reuniões, convites, encontros e compromissos que, muitas vezes, nem fazem tanto sentido assim.

Pois bem. Em 2026 começa a ganhar força um novo movimento, com uma sigla semelhante, mas uma proposta bem mais interessante: o ROMO, Relief of Missing Out. Sim, você leu certo. O alívio de não estar, de ficar de fora. O prazer silencioso de olhar para um convite e pensar: ainda bem que eu não fui. Isso já aconteceu com você? Confesso que comigo, de uns anos para cá, isso tem acontecido com uma certa frequência.

Enquanto o FOMO é movido por comparação, validação externa e urgência, o ROMO é movido por autonomia, intenção e autoconsciência. Ele cresce num momento em que muitas pessoas começam a questionar a lógica da hiperpresença, da produtividade performática e da vida sempre em modo vitrine.

Mas, diferente do que muitos pensam, o ROMO não tem nada a ver com desistir da vida social ou profissional. Ele fala sobre escolher melhor. Você tem o hábito de escolher a dedo onde vale a sua presença? Consegue entender que a sua ausência também pode ser estratégica e que nem toda oportunidade merece sua energia? ROMO é isso: presença seletiva.

E é aqui que o ROMO começa a exigir coragem. Porque dizer não, muitas vezes, vem acompanhado de culpa, de medo de parecer desinteressado, e até o receio de ser esquecido. Vivemos num mundo que associa valor à agenda cheia, à presença constante, à participação em tudo. Sustentar o ROMO é bancar a própria escolha mesmo quando ela não é compreendida. É entender que não ir diz alguma coisa, que a ausência também posiciona e que estar em paz com isso é um exercício de maturidade.

Confesso que ando vivendo uma fase ROMO deliciosa na minha vida. Aquela fase em que você sabe exatamente onde agrega valor de verdade e tem coragem de dizer não ao resto. Não é preguiça, embora já tenhamos falado dela por aqui também. É clareza.

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Clareza sobre limites, sobre tempo e, principalmente, sobre o que faz sentido. ROMO é entender que estar em tudo não é sinônimo de relevância, assim como estar ausente não significa desinteresse. Muitas vezes, é justamente o contrário. Quem sabe onde precisa estar costuma saber muito bem de onde pode se retirar.

Depois de anos sendo empurrados pelo medo de ficar de fora, o ROMO surge quase como um suspiro coletivo. Um sinal de maturidade emocional e profissional. Um convite para trocar a urgência pela intenção, a agenda cheia pela agenda consciente, o barulho pelo silêncio produtivo.

O ROMO não é desinteresse, é curadoria. Então fica aqui a pergunta que vale ouro: qual é o próximo “sim” da sua agenda que, no fundo, deveria ser um “não”?

No fundo, o ROMO é um sinal de virada. Um indicativo de que estamos aprendendo que estar em tudo não é sinônimo de relevância e que saber ficar de fora, às vezes, é exatamente o que nos mantém inteiros.

Vivemos correndo, conectados, com agendas cheias e a sensação constante de falta de tempo. E talvez o verdadeiro luxo dos próximos anos não seja estar em todos os lugares, mas escolher muito bem onde colocar os pés, o tempo e a energia. E perceber que, em muitos momentos, ficar de fora não é perda nenhuma. É ganho. É paz. É alívio.

Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.