Cara leitora,
Ao buscar inspiração para esta primeira coluna do ano, uma música me atravessou. “Como nossos pais”, de 1976, de Belchior, eternizada na voz de Elis Regina. Daquelas que a gente não precisa ouvir inteira para saber que uma frase é capaz de dizer muito. Talvez porque fale de tempo, de escolhas, de vida real. E não tem como começar um ano sem pensar nessas coisas, especialmente quando a sensação latente é de que viver é melhor que sonhar.
E aqui estamos nós, em 2026. A velocidade do tempo segue inexplicável. Sempre parece que falta tempo. Talvez porque a gente passe mais tempo planejando do que vivendo.
O ano começou de verdade. E agora?
Você fez listas? Escreveu o que não quer mais e queimou o papel? Desenhou metas, objetivos, planos detalhados para os próximos meses? Fico pensando se, ao seguir todos os rituais que nos ensinam, especialmente nas redes sociais, a vida realmente muda. Ou se a gente só troca um tipo de ansiedade por outro.
E se, ao invés de desenharmos o ano com metas e expectativas, a gente simplesmente deixasse o ano fluir? Deixasse as coisas acontecerem como precisam acontecer, mesmo sem entender todos os porquês. Mesmo sem aceitar tudo de imediato. Às vezes, confiar no fluxo é aceitar que viver é melhor que sonhar.
Tenho pensado na enxurrada de conteúdos sobre virada de ano que vi nos últimos dias. Desde orientações para não começar o ano com lixo em casa, trocar a vassoura velha por uma nova, até aquela lista clássica, academia, dieta, evolução espiritual, fé, produtividade, sucesso. É como se existir exigisse um planejamento estratégico completo.
E se eu te perguntar, quais são os seus planos para 2026? O que você me responderia?
Já pensou que 2026 pode ser um ano com menos cobranças sobre você mesma? Menos pressão, além daquelas que a própria vida já impõe. Um ano sem grandes planos, sem roteiros fechados, “desencaixotado”. Um ano em que viver é melhor que sonhar não seja só uma frase bonita, mas uma escolha.
Talvez seus planos sejam criar memórias inesquecíveis. Fazer coisas malucas, coisas que nunca fez antes e que são malucas para você, não para os outros. Ou, quem sabe, simplesmente estar em paz. Viver em paz. Convenhamos, isso anda sendo mais desafiador do que cumprir qualquer meta sugerida pelos discursos de coaching moderno.
Você pode querer continuar lutando por um sonho. Ou simplesmente continuar tentando. Pode escolher esperar menos e apreciar mais. Encontrar o amor da sua vida. Ou descobrir que esse amor sempre foi você mesma.
Já pensou que, neste ano, você pode apenas viver o presente? Cem por cento nele. E sejamos honestos, isso já é difícil para caramba.
Talvez 2026 seja sobre manter o corpo forte, a mente calma, o coração aberto. Ou sobre ser mais gentil com você mesmo(a) e com os outros. Fazer mais viagens. Ter mais tempo. Sonhar mais. Amar mais. Vencer mais, inclusive as batalhas silenciosas.
O bom da primeira semana do ano é essa sensação de que tudo é possível. Ou quase tudo. E, muitas vezes, a gente se limita tentando seguir padrões de planejamento que nem sempre foram feitos para nós.
Talvez a mensagem seja simples mesmo, viver é melhor que sonhar. E que você descubra que pode continuar assim, vivendo e sonhando.
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Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.