Elisa Fernandez

Qual a sua luta? Pelo que você levanta todos os dias?

Elisa Fernandez compartilha a inspiração de uma conversa inesperada e convida você a refletir sobre seus motivos de lutas, batalhas e guerras

Se paramos para analisar, todos nós, sem exceção, temos nossas lutas na vida
Se paramos para analisar, todos nós, sem exceção, temos nossas lutas na vida Foto : Freepik

Cara leitora,

Se você me acompanha semanalmente já deve ter percebido que muitas vezes minha inspiração vem das andanças e das conversas. Adoro falar com pessoas que não conheço, fazer perguntas sobre suas vidas e ver como, num passe de mágica, deixam de ser desconhecidos.

Algumas histórias ficam guardadas para o momento exato em que devem ser compartilhadas. Como a de hoje. Há alguns meses fui atendida por um garçom que tinha tatuado no antebraço: “you can’t live without something to fight for”. Traduzindo: “você não pode viver sem ter algo pelo que lutar”. Até então eu nunca havia feito essa pergunta a mim mesma, a mesma que agora faço a você: “Pelo quê você luta que te motiva a viver?”

Confesso que até hoje, escrevendo, me pego pensando se existe uma resposta única, se ela seria a ideal, se realmente luto. Já pensou nisso também?

Perguntei a ele o significado da tatuagem. O homem respirou fundo e disse:
“Bem, é uma história interessante. Essa frase não era exatamente assim, mas hoje eu sou pai, e eu adaptei a frase em um momento difícil da minha vida para jamais me esquecer que tenho motivos para lutar.”

Se paramos para analisar, todos nós, sem exceção, temos nossas lutas na vida. Também temos nossas batalhas e por vezes, infelizmente, travamos até algumas guerras. Não é verdade?

A luta pode ser silenciosa, individual, interna. A batalha é mais delimitada, com começo, meio e fim, pode ser vencida ou perdida, mas não define o todo. Já as guerras, essas devem ser evitadas a qualquer custo, pois trazem desgaste, múltiplas estratégias e consequências profundas. Em resumo: a luta é o esforço, a batalha é um episódio e a guerra é o processo completo.

Depois dessa conversa, fiquei remoendo e reavaliando minha própria trajetória. Tentei listar minhas lutas, batalhas e guerras. Como é difícil! Tente fazer o mesmo.

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Foi nesse exercício que me lembrei do filme The Champ (O Campeão), um clássico do cinema. A versão mais conhecida é de 1979, dirigida por Franco Zeffirelli, e marcou profundamente os anos 80. Se você assistiu, deve carregar a lembrança de chorar na cena final. Quando eu assisti, tinha uns oito anos e lembro perfeitamente da cena até hoje.

A trama acompanha Billy Flynn (Jon Voight), ex-campeão de boxe que cria sozinho o filho T.J. (Ricky Schroder). Apesar das dificuldades, para o menino o pai é um verdadeiro herói. Na tentativa de dar ao filho uma vida melhor, Billy decide voltar aos ringues. Após uma luta exaustiva, sofre um colapso e morre diante dos olhos do filho. A cena final, com o garoto desesperado, chorando e chamando pelo pai tornou-se uma das mais emocionantes da história do cinema.

O garçom tatuou no braço um lembrete para nunca esquecer seus motivos de luta. Billy, em “O Campeão”, entrou no ringue acreditando que lutava por seu filho, e de fato lutava, ainda que ao custo da própria vida. Você e eu, cada um de nós, também carregamos tatuagens invisíveis: frases, escolhas e marcas que nos lembram pelo quê estamos na luta.

A pergunta que não quer calar é: você sabe qual é a sua luta? Está pronto para encarar suas batalhas sem se perder em guerras? O desafio está lançado.


Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.