Cara leitora,
Fim de ano chegando, múltiplos projetos estratégicos, a correria do trabalho, demandas emocionais, vida acontecendo, que combo! Difícil dar conta de tudo e, mais ainda, produzir bem. Para quem me acompanha, principalmente nas redes sociais, já deve ter lido em algum momento sobre o fato de estarmos sempre tentando dar conta de tudo, o que acaba sendo humanamente impossível. Mas a cobrança que colocamos em nós mesmos geralmente é maior do que a cobrança externa, aquela pressão silenciosa que vai se acumulando no fundo da rotina.
E assim nasceu o tema da coluna desta semana, aprender e treinar seu “eu interior” para “não dar conta de tudo e tudo bem”, um tema que acaba falando do mundo real, não do ideal.
Nessa correria, estava me achando travada, ora pela ausência de tempo, ora por não conseguir prestar atenção aos acontecimentos com detalhe para trazer conteúdos interessantes, mas a verdade é que estou exausta. É aquela exaustão que não dói, ela pulsa. Tem um brilho nesse cansaço. Ele não vem de falta, vem de esforço somado, de escolhas corajosas, de tudo o que você fez caber nos últimos meses, mesmo quando parecia improvável, mesmo quando o dia parecia curto demais para tanta vida acontecendo ao mesmo tempo.
É curioso como esse estado cria um paradoxo, de um lado, você sente o motor ainda quente, vontade de seguir, de aproveitar o embalo, de não deixar a onda morrer, de outro, existe uma voz mais sábia, quase sempre mais silenciosa, dizendo que continuar acelerando agora seria desperdiçar justamente o que você construiu, aquilo que só floresce quando você desacelera.
Você só reconhece a missão cumprida quando tem tempo de respirar. Só percebe o que avançou quando se permite parar de empurrar. E é nesse hiato que a próxima versão de você começa a se formar.
Essa exaustão boa é o corpo dizendo “fizemos bonito”, e a mente pedindo “me deixa reorganizar tudo isso”. E quando você honra esse pedido, volta diferente, no meu caso, mais lúcida, mais inteira, mais afiada. A energia que você vai usar no próximo ciclo nasce exatamente desse silêncio, dessa pausa que você às vezes evita, mas que sempre, sempre te salva.
Então sim, dá vontade de continuar correndo. Escrevo de um lugar muito sensível, observação, presença, repertório vivido. Quando a vida vira checklist, o texto vira pedra. É natural, acontece com qualquer um que esquece de respirar enquanto tenta resolver o mundo.
Lembrei-me do filme Náufrago, com Tom Hanks, uma excelente metáfora para essa sensação de naufrágio quando estamos assoberbados e também pela história em si, quando ele só entende o valor do ritmo interno, da espera, da reinvenção, depois de perder tudo. Às vezes a vida pede que a gente volte para si antes de voltar para o mundo.
Pausa não é luxo, é método, e no meu caso ela faz parte até mesmo do processo criativo, para que eu possa sentir, respirar, estar nos lugares e voltar com a mala cheia de novas crônicas.
Confesso que dá vontade de continuar correndo, mas parar agora é o que garante o voo contínuo. Saio de férias aqui da coluna e logo volto, para continuarmos juntos semanalmente, com novas reflexões.
Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.