Cara leitora,
Quando eu tinha uns 25 anos, ganhei da minha mãe um livro intitulado “Ah, se eu soubesse” (1997). O autor, um conhecido publicitário americano da época chamado Richard Edler, fez a mesma pergunta a várias pessoas de sucesso:
“O que você gostaria de ter sabido 25 anos atrás?”
As respostas vinham de presidentes e diretores de grandes empresas, publicitários, advogados e uma série de pessoas de renome e bem-sucedidas em diferentes áreas que contribuíram para esse best-seller. Com um formato leve e fácil de ler, ainda mais para alguém como eu, que adora biografias, o livro trazia uma coleção de dicas e lembretes práticos sobre tempo, maturidade e as primeiras decisões para quem está começando uma jornada profissional.
A proposta do autor era simples e genial: que os mais experientes inspirassem os mais jovens. Que a experiência de quem já viveu servisse de atalho para quem ainda estava aprendendo a caminhar.
Mas você deve estar se perguntando: por que estou trazendo esse assunto? Um livro tão antigo?
Recentemente estive em um evento incrível, com um público de aproximadamente sete mil mulheres. Dentre tantas palestras e conteúdos riquíssimos, uma fala em especial me fez lembrar desse livro, que li há quase 30 anos e que, percebi, continua absolutamente atual.
A palestrante era a atriz e empresária Giovanna Antonelli, que trouxe verdades simples, mas potentes, daquelas que a gente precisa ouvir de novo, mesmo sabendo. Falou sobre como a vida é uma sucessão de “nãos”, sobre o fato de que “quem vê palco não vê bastidor”, e, principalmente, sobre como não podemos perder tempo ouvindo críticas de quem nunca construiu ou fez nada.
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Engraçado como a memória funciona. Não me lembro de nenhum dos conselhos do livro, nem dos nomes, nem das frases sublinhadas. Lembro apenas que eram pessoas bem-sucedidas, afinal, ninguém teria dado voz a quem ainda não “chegou lá”. E foi aí que o pensamento virou: o que eu gostaria que tivessem me contado 25 anos atrás? Ou melhor, o que eu gostaria de ter sabido?
Porque, convenhamos, são coisas bem diferentes. Contaram muitas coisas, sim. Boas, sinceras, cheias de intenção. Mas saber, de verdade, é outra etapa, uma que só vem quando o tempo e a maturidade se encarregam de traduzir o que antes era apenas conselho. A maturidade é esse tradutor silencioso que a gente só descobre depois.
Hoje entendo que não há atalhos para florescer. A flor só desabrocha quando o tempo e o terreno estão prontos, e tentar forçar isso é desperdiçar a beleza do próprio ciclo. Passamos tanto tempo tentando ser, provar, corresponder, que esquecemos que a vida não é uma corrida, mas um processo de autoconhecimento, interno, lento e único.
Como disse Giovanna, “quem vê palco não vê bastidor”. E é justamente nos bastidores, longe dos holofotes, que a gente entende que o verdadeiro sucesso não está em agradar, nem em provar nada a ninguém, mas em parar de buscar aprovação de quem nunca teve coragem de ser, fazer ou construir nada, e ainda assim se acha apto a dizer aos outros como viver. “Você é o seu sucesso!”
Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.